“Futebol é religião”, diz Eco Moliterno

 

 

Do publicitário Eco Moliterno, líder criativo da área digital da agência de propaganda África, pode-se dizer que seja um espírito livre de amarras. Como todo criativo que se preza precisa ser. Capaz de observar bem e compreender as coisas, de forma afirmativa e funda.

 

Formado em publicidade pela USP (Universidade de São Paulo), começou a vida profissional com ilustrações, passou por muitas agências, acumulou experiência e já ganhou o mundo, chegando ao prêmio máximo no Festival Internacional da Publicidade, em Cannes, na França, o mais importante do mundo, do qual também já foi jurado.

 

Até o fim de abril (e desde o mês passado), Eco está à frente do internacional e prestigiado Feast. O tema escolhido? Brasil e futebol; afinal, a próxima Copa do Mundo vai ser por aqui.

 

Mas o que é o Feast e a que ele se propõe, exatamente?

 

O Feast (veja o site oficial aqui) é a comunidade on-line para profissionais de criação em geral, lançada pelo banco de imagens iStockphoto. Reúne alunos e profissionais das áreas de design, propaganda, fotografia, música, cinema e outros, para a troca de conhecimentos e experiências com especialistas convidados, que atuam como mentores dos participantes.

 

É o caso, agora, de Eco. E uma boa oportunidade, portanto, para conhecer um pouco mais de suas ideias sobre publicidade, comunicação, criatividade e o papel do Brasil neste novo cenário mundial, em que assume posição de protagonista.

 

Paixão nacional (e universal), o futebol é, para Eco, mais do que um esporte. “É religião, algo sagrado.”

 

Eco Moliterno é referência em propaganda para os novos tempos

 

 

Jornalirismo — Este ano o tema do Feast é criatividade ao redor do mundo. Em sua opinião, como avaliar o Brasil em relação a profissionais capacitados e à criatividade?

 

Eco Moliterno — Os brasileiros sempre foram reconhecidos mundialmente por sua criatividade. E não poderia ser diferente na publicidade. Tanto que somos referência mundial há anos, e o passe dos criativos brasileiros é muito valorizado lá fora pela sua capacidade de improvisar e criar campanhas de alto nível em tão pouco tempo.

 

Jornalirismo — O grande tema de sua “gestão” no Feast é o futebol. Como criar uma ação que saia do comum e surpreenda, já que o futebol é um esporte tão popular?

 

Eco Moliterno — Futebol no Brasil não é um esporte. É uma religião. E por ser algo tão sagrado, é muito difícil para um brasileiro explicar o futebol. Por isso tive essa ideia de pedir ajuda para criativos do mundo inteiro, pois todo mundo deve ter uma visão diferente da nossa sobre o esporte mais popular do planeta.

 

Jornalirismo — Internet. Em tempos de comunicação digital arraigada, qual seria o seu conselho para a produção de uma campanha que atinja objetivos positivos?

 

Eco Moliterno — A internet mudou muito graças, principalmente, à enorme difusão das redes sociais. Hoje ela concentra audiências e atinge públicos que jamais conseguiria há alguns anos, e meu conselho é passar a encará-la como mídia de massa, e não somente como ferramenta de comunicação direcionada.

 

Jornalirismo — Eric Messa [profissional brasileiro especialista em planejamento de campanhas digitais], em recente artigo publicado no jornal Meio & Mensagem, afirma que os profissionais tornaram-se adolescentes quando o assunto é publicidade digital [leia o artigo de Messa clicando aqui]. Na sua opinião, quais os caminhos que ainda temos que seguir para alcançar todas as possibilidades que a internet proporciona?

 

Eco Moliterno — Hoje, as possibilidades de interatividade ainda estão muito aquém das que os nossos bisnetos terão. Precisamos, portanto, nos preparar para um futuro próximo em que tudo será interativo e os consumidores vão interagir com as marcas de formas muito mais profundas e constantes.

 

Jornalirismo — Futebol, Copa do Mundo… E o Brasil, com enorme visibilidade mundial. Esta será a chance de mostrarmos a que viemos, quando o assunto é publicidade? Ou você acha que ainda engatinhamos neste tema?

 

Eco Moliterno — O mundo nunca teve tanto interesse em conhecer o Brasil e os brasileiros e agora, que estamos na vitrine, temos que usar nosso potencial criativo para vender como nunca uma boa imagem do nosso país. Mas tenho certeza de que o talento dos brasileiros em se comunicar vai compensar muito os problemas técnicos que teremos durante a Copa.

 

Jornalirismo — Um bate-bola rápido para nossos leitores. Ser criativo é:

 

Eco Moliterno — Pensar em uma forma nova de fazer o novo de novo.

 

Jornalirismo — Ser publicitário é:

 

Eco Moliterno — Transformar produtos e serviços em ideias.

 

Jornalirismo — Ter reconhecimento é o mesmo que:

 

Eco Moliterno — Subir de escada: você só chega ao topo por méritos próprios.

 

Jornalirismo — Futebol e publicidade, uma soma ou uma subtração?

 

Eco Moliterno — Sem dúvida, uma multiplicação.

 

 

Foto: Divulgação


 

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