O exemplo que vem do Parque São Jorge

Não quero me indispor com aqueles que torcem por outros times de futebol, mas importa referir à volta por cima recente do Corinthians como exemplo de gestão bem-sucedida para empresas.
Afinal, o time do Parque São Jorge reverteu uma situação extremamente negativa, que foi o rebaixamento para a série B do Campeonato Brasileiro em 2007, com um triunfo digno de nota: além da volta à série A do futebol brasileiro, a conquista invicta do Paulistão 2009, considerado o torneio regional mais disputado do país.
Vale destacar os esforços e medidas adotadas pela diretoria do time, desde o tombo de 2007, para transformar a crise em um momento de glória esportiva que se transforma, também, em sucesso financeiro.
A trajetória agora vencedora do Corinthians começou em outubro de 2007, ainda antes da queda para a “segunda divisão” do futebol brasileiro, com a troca da diretoria, encabeçada, desde então, por Andrés Sanchez, seu presidente.
Após o empate com o Grêmio por 1 a 1, em 2 de dezembro de 2007, que decretou o rebaixamento corintiano para a Série B, a nova direção deu início ao trabalho para o retorno do time ao primeiro grupo do futebol brasileiro.
Competência e continuidade
Ainda naquele mês, o atual técnico, Mano Menezes, assumiu o cargo. Este foi o primeiro exemplo de atitude de sucesso na gestão: a busca de um profissional competente e a oferta de garantia de continuidade ao seu trabalho, afinal, são 17 meses mantendo a mesma direção técnica na equipe.
Outro ponto de destaque foi a profissionalização da gestão do futebol corintiano, com a contratação, à época, do ex-zagueiro Antônio Carlos como diretor técnico do time.
Depois da organização da nova diretoria, foi elaborado um detalhado planejamento estratégico, com o estabelecimento de metas e responsabilidades. O primeiro desafio foi a montagem de uma equipe de atletas coesa, mantendo alguns dos talentos do clube e contratando reforços.
A primeira e mais importante meta, que era o retorno à Série A do Brasileiro, foi cumprida com méritos em uma campanha irrepreensível, em que o time conquistou o título da Série B faltando quatro jogos para o término do campeonato, 17 pontos à frente do Santo André, segundo colocado na disputa, e tendo perdido apenas duas partidas ao longo do torneio.
Lembro que o Corinthians chegou a sofrer um considerável revés em sua trajetória de superação, ao perder a disputa pela Copa do Brasil, em maio de 2008, para o Sport, ocupando, assim, a segunda colocação do torneio que assegura apenas ao campeão uma vaga na cobiçada Taça Libertadores da América. Mas teve gente que viu, até nessa derrota, traços do movimento de ascensão do clube.
Antecipação
Logo após a conquista antecipada da Série B, a diretoria do Corinthians se mobilizou para colocar em prática os planos da equipe para 2009. Este é outro fator que deve ser considerado especialmente pelos gestores de empresas: a antecipação.
O time dispunha de mais tempo que os outros para a preparação e treinamento, e não o desperdiçou. É a velha história: nunca deixe para amanhã o que pode fazer hoje. Muitas vezes, as oportunidades aparecem uma única vez e, por isso, devem ser aproveitadas justamente quando surgem.
Além disso, o clube decidiu dar transparência a sua administração e contratou auditoria independente para analisar suas contas de 2008. Transparência, em geral, abre espaço à confiança e se converte em apoio, muitas vezes até financeiro.
Ainda no calor da comemoração pelo título da Série B, a diretoria corintiana anunciou, em dezembro de 2008, para espanto de todos, a contratação do atacante Ronaldo, que seria um dos principais trunfos para o sucesso da equipe este ano.
Minimizar riscos
Classificada como apenas jogada de marketing pela maioria dos observadores do futebol brasileiro, o acerto com o jogador se revelou a aposta mais acertada. A diretoria corintiana, com base em avaliações da equipe técnica e de fisiologistas e nas demonstrações de interesse de voltar ao esporte de Ronaldo, ponderou, avaliou os riscos e decidiu pela contratação.
No mundo empresarial, as decisões também devem ser consideradas dessa forma, com base em análises técnicas e embasadas de cenários e tendências e percepções, minimizando riscos, mesmo que estes nunca deixem de existir completamente.
O Corinthians decidiu investir em um talento que resultou em contribuições efetivas à equipe, que já possuía uma base organizada e estável. Mesmo assim, percebe-se que houve planejamento, equilíbrio e respeito, ao ser dado o tempo adequado à recuperação do atleta, que voltava de contusão e não se encontrava em boas condições físicas, após mais de um ano sem jogar. Ter percepção apurada para observar o momento certo de usufruir de um investimento é outra importante característica que deve ser observada pelo gestor.
Trabalho coletivo
Não é demais lembrar – e perceber a positiva correlação com o mundo corporativo – que houve ainda a bem-sucedida coordenação de esforços, com estímulo ao trabalho em equipe, integração dos atletas, comissão técnica e direção, esforço coletivo e garantia de boas condições de trabalho aos envolvidos.
É evidente que o mundo empresarial é bastante específico e possui características próprias que variam de acordo com diversos elementos, como o setor e a área de atuação, momento econômico e público atendido. Mas exemplos de sucesso e de boa gestão, sejam no campo corporativo, sejam no campo de futebol, podem e devem ser conhecidos e analisados para servir como referência à boa gestão empresarial.

Um comentário para “O exemplo que vem do Parque São Jorge”

  1. Alexandre Azevedo

    Excelente artigo!
    E ae Carlão!

    Bela matéria.

    O Corihthians possui o 3º maior contrato de forcimento de material esportivo da Nike no mundo.

    O contrato irá até 2014, e será de 15 milhões de reais ao ano, mais 4 milhões em materal esportivo.

    O acordo feito entre Timão e Nike só perde para dois clubes no mundo: o Manchester United, da Inglaterra; e o Barcelona, da Espanha. Na verdade, o contrato com a multinacional representa quase o mesmo que conseguiram Palmeiras (com a Sansung) e o São Paulo (com a LG). Coringão disparou na frente para dispertar inveja.

    Abs,

    Alê

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