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Economia do compartilhamento, crowdsourcing, crowdfunding... Diversos modelos de trabalho colaborativo foram criados com o desenvolvimento da internet, e suas redes sociais, que, diferentemente do que muitos pensavam, não aniquilou as relações interpessoais.

“Pra que somar se a gente pode dividir?”, já profetizava nosso querido poetinha Vinícius de Moraes. A economia do compartilhamento, divulgada por muitos formadores de opinião, defende que a ideia e o conhecimento devam ser partilhados, difundidos entre todos, e não concentrados em uma pessoa ou grupo social. Esse modelo foi apresentado em um evento chamado "TED", de disseminação de ideias, por Lisa Gansky e, ao assistir ao vídeo (abaixo), percebemos que a economia do compartilhamento tem um princípio básico e muito conhecido por todos nós: a solidariedade.

Veja aqui a palestra de Lisa Gansky:

Seguindo o mesmo princípio, surgiu o crowdsourcing. Do inglês, crowd, multidão, e source, fonte, o crowdsourcing é o ato de desenvolver ideias com a colaboração de muitos.

Um exemplo prático desse modelo vem da indústria automobilística: o automóvel Fiat Mio. Em 2009, a Fiat decidiu desenvolver um veículo colaborativo, criado com as opiniões dos clientes e internautas. Foram 17.000 interações e, em 2010, o Salão do Automóvel foi palco do lançamento do primeiro carro colaborativo do mundo. Acesse o site www.fiatmio.cc (.cc vem da ideia do creative commons) e veja os vídeos explicativos sobre o projeto.

Unindo os princípios dos dois conceitos aqui abordados, chegamos ao crowdfunding. Ele é bastante difundido na Europa e nos Estados Unidos e a tradução ideal é “financiamento colaborativo”. O crowdfunding só existe se houver solidariedade e participação coletiva. Desde a ideia, produto ou necessidade colocado na rede, os internautas se mobilizam para sua concretização.

Se isso te soa familiar, aqui vai uma dica: é aquela famosa “vaquinha” que fazíamos para comprar o presente de aniversário do amigo. A diferença é que a ideia da “vaquinha” ampliou e, desde uma plataforma on-line, ou seja, um site, qualquer pessoa pode colaborar financeiramente para a realização de um projeto, necessidade ou ideia.

Há sites de crowdfunding especializados em diversas áreas, como saúde, música e cultura em geral. Sabemos que formas de financiamento à cultura são assuntos de intermináveis discussões dentro do Congresso Nacional ou ao redor das mesas de bar. Alguns acreditam que todas as manifestações culturais deveriam ser financiadas pelo governo. Outros já acham que deveriam ser autossustentáveis. O modelo de crowdfunding trabalha com a segunda opção, pois cada valor investido corresponde a uma recompensa, predefinida pelo artista ou produtor.

Um exemplo de site de crowdfunding especializado em projetos culturais é o Catarse (www.catarse.me). Um dos projetos em andamento no Catarse é o “Como Dizia o Poeta”, da cantora Ana Gilli (conheça o projeto clicando aqui). O objetivo da artista é gravar essa música com o compositor Toquinho. O verso citado no início do texto, “Pra que somar se a gente pode dividir?”, é do grande poeta Vinícius de Moraes, parceiro de Toquinho na composição.

O valor total do projeto é de R$ 8.000,00, com investimentos mínimos de R$ 10,00. Todo investidor ganhará a música por e-mail e um agradecimento especial no blog da cantora, aumentando os prêmios de acordo com o valor investido, podendo chegar a um pocket show de Ana Gilli, com repertório de Vinícius de Moraes, na empresa ou residência do patrocinador.

Em conversa com Ana Gilli, que também atua como atriz no teatro, a cantora comenta que a colaboração de amigos e familiares – independentemente do valor – é fundamental para o sucesso de projetos de crowdfunding: “Como é bastante comentado, o mercado fonográfico está em um período de transição. Antes, o artista gravava o CD e vendia para o público. Hoje, o público contribui para a gravação das músicas e as acessa de seu próprio computador. A internet aproximou o artista do público e, com o crowdfunding, nós viramos sócios e parceiros. A torcida é coletiva. Temos a sensação de que juntos podemos realizar qualquer sonho”.

Uma das dicas fornecidas pela equipe do Catarse é a de enviar e-mails pessoais para explicar a ideia e o funcionamento do Catarse. O marketing one-to-one, aliado à divulgação nas redes sociais, é a melhor forma de atingir o objetivo e alcançar a verba necessária para a realização do projeto.

Essas três formas de colaboração são apenas alguns exemplos do que a internet nos possibilita alcançar. A união da tecnologia com a cultura e qualquer outra área, como gastronomia, vestuário ou educação, amplia a percepção e modifica o olhar, facilitando a construção de uma sociedade mais criativa, solidária e ética.


*Thais Polimeni é sócia-diretora da Cult Cultura Marketing.

Comentários
Somando forças, dividindo alegrias!
ana gilli | 04/12/2011 |  
Oi Thais, é sempre uma alegria ler seus textos. Vc é uma pessoa muito organizada, com clareza de pensamentos e idéias e uma postura ética exemplar!
Fico muito honrada de poder participar dessa caminhada primorosa ao seu lado!
Beijos, sucesso e obrigada por tudo!
Ana Gilli
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