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Texto da jornalista LUCIANA BENATTI, especial para o Jornalirismo.

Sozinho, estirado na calçada da rua 7 de Abril, o menino que dorme à luz do dia, alheio ao que acontece em volta, é a imagem-símbolo da infância perdida nas ruas do centro de São Paulo. Como ele, dezenas de crianças de diversas idades sobrevivem amontoadas na região da Praça da República. Sem documentos, sem dignidade, sem direitos, contam com seus cobertores imundos como abrigo e as marquises dos prédios como proteção.

Em frente à praça, o edifício Esther, marco da moderna arquitetura paulistana, é um dos prédios que, por ainda não terem sido completamente cercados com grades, emprestam suas marquises a esses pequenos cidadãos invisíveis. Encravado no quadrilátero formado pela avenida Ipiranga e as ruas 7 de Abril, Gabus Mendes e Basílio da Gama, esse ícone da arquitetura, que mantém ainda certa dignidade apesar da decadência, é testemunha silenciosa do cotidiano desses meninos e meninas, para quem a vida se resume a uma sucessão de dias e noites embalados pelo torpor de cola e tíner, sendo sistematicamente obrigados a cometer delitos para sobreviver.

Para essas crianças, não há brincadeira sem perigo. Diversão é risco: pendurar-se na rabeira de um ônibus ou nadar na enxurrada desafiando a força das águas. Invisíveis para a maioria, têm o convívio na cidade restrito aos meninos do próprio grupo. Aos demais cidadãos, dirigem uma única frase: "Tio, me arruma um trocado?". Como interlocutores de verdade, contam ocasionalmente com os educadores de rua, que chegam trazendo livros e a disposição de lhes contar histórias. E, quem sabe, ouvi-los. Muitas vezes, a conversa é com a polícia. O resultado, uma temporada na Febem – ou Fundação Casa, como queiram.

Desacordado na porta de uma agência bancária, na mesma rua 7 de Abril, um dos meninos traz a imagem de Chaplin estampada na camiseta, na altura do peito. Como observou o poeta Nei Duclós (www.outubro.blogspot.com), ali, junto à criança desamparada, "Chaplin está no lugar onde sempre esteve: na exclusão, encolhido diante da brutalidade". E segue adiante, apontando um caminho: "Pronto para despertar para o humor e a esperança, quando houver não apenas espectadores, mas protagonistas da mudança".

Sobre as fotos
O ensaio fotográfico Meninos da República é parte de um trabalho de documentação do centro de São Paulo desenvolvido pelo fotógrafo Marcelo Min. Realizadas nos últimos dois anos, as imagens que compõem esta seleção retratam o cotidiano das dezenas de crianças e adolescentes que habitam as ruas ao redor do edifício Esther. Nas últimas semanas, a maioria deles desapareceu da região. Segundo o relato recente de um dos meninos, um por um foram detidos e atualmente cumprem pena de privação de liberdade em diferentes unidades da Febem na capital paulista.


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Comentários
Lindo!
Andréa | 08/10/2007
O texto de abertura está lindo e as fotos são emocionantes. Parabéns aos
dois.
O especial do Dia das Crianças está maravilhoso.
a vida como ela nao precisaria ser
Tamara | 08/10/2007
oi Lu e Min,
o tema "crianca" eh sempre tocante (agora ainda mais pra
vcs??? mandem noticias) - tem gente tentando conversar com essas criancas (para
a volta para casa ou ida para um abrigo), mas muitas vezes a realidade da casa
delas eh ainda pior - tem mais diversao na Republica do que em Cidade
Tiradentes!! O relato de vcs marca a realidade deles aqui no centro - parabens
(beijocas e saudade) - Tam (+ Laura & Tati, que estah tambem trabalhando com
essas criancas, qualquer hora conversamos)
mto bom!
Nauara | 09/10/2007
Acho q essas fotos dizem tudo...

só me restá dizer, PARABÉNS pelas fotos!!
Meninos da República
Marlene | 10/10/2007

Emocionante! A reportagem excelente, seria linda se não fosse tão triste - a
realidade retratada é simplesmente triste.

Parabéns para os excelentes
fotógrafo e jornalista.
Infância perdida na República
Regina Silveira | 10/10/2007
Esta é a realidade que mais me angustia. De frente pro crime e de mãos atadas.
simplesmente...
Michele Fernandes | 09/11/2007
Marcelo, parabéns pelo trabalho, e pelo registro feito de forma tão graciosa e
dolorosa em algumas fotos, dos meninos que muitas vezes passam despercebidos
pela multidão.
Continue com o trabalho que é simplestemente lindo!!!!
Totalmente tocante...
Lillian Melo | 13/11/2007
Noosa, eu estava fazendo uma pesquisa sobre o meu trabalho final de faculdade
(um novo conceito de orfanato e uma nova maneira de fazê-lo) e me deparei com o
trabalho de vocês!!!
Simplesmente maravilhoso.
Gostaria, se vocês puderem
entrar em contato comigo: lilly_fau@yahoo.com.br
Um abraço!!!
urgente
isso q acabei de ver e um absordo,pq as autoridades nao fazem nada pra pelomenos
diminuir essea contecimento,isso e um vergonha para o brasil q e tao rico,mais
como todo povo rico a muita corrupçao, mais so nos resta rezar pra q deus nao
deixem nosso filhos ficarem desse msm jeito.

sou o marksoi de Paraupebas
-Pa

mais fico muito triste com os nosso governantes.
muito interessante!!!
daniel marcos | 16/10/2008
esta realmente é a realidade do brasil, crianças passando fome e vivendo nas
ruas enquanto que militantes e instituiçôes governamentais não fazem nada a
respeito...
esta mais do que na hora de alguem fazer algo por nossas crianças
que estâo largadas por esse mundo a fora, no meio da criminalidade e da
bandidagem.

eu daniel marcos de sapiranga - RS
Isso e uma vergonha!!!
Esta e uma das coisas que não poderia acontecer para que nosso pais fosse para
frente isso fica feio para os governantes deste pais que muito promentem e as
coisas que deveriam tbm teveriam ter como prioridade maxima era tirar das ruas
toda ou qualquer criança,"seres humanos", as fotos foram relativamentes
bem colocadas ainda existitem jornalistas que querem mostrar este lado triste
para mostrar que a nossa realidade nem tudo e cor de rosa isso e muito triste,
mas foi um belo trabalho, PARABÈNS!!!
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