Antes de qualquer coisa, preciso confessar: sou "viúva" de Ayrton Senna e de Nelson Piquet, principalmente, e, apesar da minha idade, também de Emerson Fittipaldi. Daí dá pra imaginar que meu nível de exigência seja alto, aliás, muito alto.
Há pelo menos três cenas, das quais estes três heróis do automobilismo brasileiro foram protagonistas, que não saem da minha mente... Foram momentos de arrepiar.
O de Senna, aliás, não foi uma vitória, mas aquele incidente com Alain Prost, no GP do Japão de 1989. Os dois carros se esbarraram, mas Ayrton voltou à corrida, parou no box e, depois de mais ou menos cinco voltas, venceu a prova. Muito embora, posteriormente, sua vitória tenha sido cancelada.
Sobre Piquet, tinha 10 anos quando ele venceu seu primeiro título mundial, algo que, para mim, era impossível de imaginar. Na última corrida, Piquet passou por meio de uma nuvem de fumaça, parecia que o tempo não acabava, mas foi apenas um susto e ele conquistou o título... Para mim, não houve nenhum piloto tão estratégico quanto ele. Um gênio. De arrepiar.
Ah, o Emerson: foi em sua primeira vitória em Indianápolis, quando, na última curva, disputava a liderança com Al Unser Jr.
Os carros estavam rigorosamente empatados, até que Emerson mostrou por que ele era Fittipaldi; Al Unser rodou sozinho e esbarrou o carro no muro. Mais do que arrepiar, foi, para mim, o ressurgimento de um personagem que se limitava às minhas corridas de autorama.
Pois, então, ao que parece, este artigo se limitará a falar sobre nostalgia, certo?
É verdade: uma imensa saudade de nossos grandes pilotos.
Saudade de quando eles teimavam com as ordens de seus chefes pela ânsia de mais uma vitória. Piquet, por exemplo, cansou de fazer isso. Quem não se lembra das centenas de vezes que deixou o "Leão", Nigel Mansell, se dar mal.
Saudade dos tempos em que nossos pilotos lutavam pela vitória e não por décimos lugares, que, quando conquistados, são comemorados como triunfo.
Saudade de uma época em que as ultrapassagens sobre outros pilotos não eram motivo de enorme orgulho, uma vez que elas eram frequentes, além do fato de que o que realmente importava era a vitória.
Saudade, enfim, de pilotos que representavam de forma efetiva a raça e a força do povo brasileiro, que é sedento por vitórias em outros campos, como se elas pudessem substituir suas frustrações do dia a dia.
Senna, Piquet e Emerson pilotavam por todos nós, não simplesmente por seus vencimentos e conquistas financeiras.
Que saudade!
*José Renato Santiago Sátiro Junior é engenheiro e um apaixonado pelo esporte. Escreveu Os Arquivos dos Campeonatos Brasileiros e Copas do Mundo: das Eliminatórias ao Título.
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