Estamos muito próximos de comemorar o primeiro centenário de uma equipe em franca atividade da capital paulista, o Corinthians.
No próximo dia 1º de setembro, o Alvinegro do Parque São Jorge alcança esse grande marco.
Algo inimaginável para aqueles cinco operários sob a luz do lampião.
Eles, com certeza, não tinham a menor ideia do que aquele gesto geraria, a equipe com uma das maiores torcidas do mundo e, sem dúvida, a mais fanática.
Muito embora tenha um nome inglês, o que, para muitos, seria justamente elemento dificultador para a popularização da equipe, sua origem popular foi muito mais impactante.
Talvez, menor apenas do que aconteceria quatro anos depois, em 26 de agosto de 1914, quando surgiu o Palestra Itália, que, em 1942, se tornaria o Palmeiras.
O que mais importante para uma empresa, no caso uma entidade, que o surgimento de um rival, um concorrente?
Justamente a simples existência de um faz com que o outro consiga objetivar a sua perpetuação.
Certamente, ao longo dos 100 anos do Corinthians, muitas dificuldades surgiram e, com elas, razoáveis possibilidades de “fechar as portas”; no entanto, o fato de o Palmeiras existir teve forte influência para que esta ideia não passasse de uma alternativa tola.
O inverso também é válido: quantas dificuldades foram enfrentadas pelo Alviverde, na época da guerra, por exemplo, que talvez tenham feito com que muitos acreditassem ser melhor acabar com aquele sonho.
“Não, não podemos deixá-los sozinhos”, talvez tenha sido a expressão mais proferida por muitos de seus torcedores, em referência clara ao arquirrival.
Durante muitos anos, houve até quem afirmasse que as duas equipes teriam as mesmas origens, para muitos invejosos torcedores de rivais, “farinha do mesmo saco”.
Bem, talvez até tenham razão.
Palmeiras e Corinthians fazem parte, juntos, daquilo que há de melhor e mais importante no futebol, a rivalidade, aquilo que motiva, aliás, muito mais que isso, a própria razão de existir de cada um, enfim, a mais simples e correta expressão do que fez, e faz, do futebol o esporte mais popular do mundo.
*José Renato Sátiro Santiago Junior é historiador do futebol, autor dos livros Os Arquivos dos Campeonatos Brasileiros e Copas do Mundo: das Eliminatórias ao Título.
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