Jornalirismo

Atenção, abrir em uma nova janela. E-mail

 

“Nas escolas, nas ruas, campos, construções. Caminhando e cantando e seguindo a canção. Vem, vamos embora, que esperar não é fazer. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Pois é, esta era uma época diferente, em que, muitos dizem, as pessoas eram mais ativas, mais engajadas. Hoje, o que fazem essas pessoas que estavam nas escolas, nas ruas, nos campos e construções? Bem, muita, mas muita dessa gente está aí, sempre conectada. Seja numa lan house, seja num PC, laptop, blackberry, iPhone, iPad e o que ainda está por vir, nos surpreender e nos deixar hipnotizados.

Novos tempos, novas piadas. “Doutor, minha filha vive calada, apenas olha para baixo e vive mexendo os dois dedões das mãos incessantemente. O que ela tem? ‘Um blackberry, minha senhora.’” Então, vamos fazer o exercício de uma grande mistura de épocas, conjunturas sociais e tecnológicas.

Imagine, hoje, o Brasil em plena ditadura militar. Como seria? Estaríamos todos caminhando, cantando e jogando pedra na polícia? Ou apenas faríamos “twittaços”, jogando tweets e enchendo telas de trending topics, como #Abaixoaditadura, #Anistiajah?

Nem é preciso ir tão longe. Bem, na verdade, um pouco longe: até a China. Lá, por exemplo, segundo dados do portal Brasil Escola (leia aqui), o governo local coloca dezenas de milhares de funcionários e centenas de milhares de computadores dedicados a restringir o uso da internet. Os sites de busca estão sob controle: retornam conteúdo aprovado pelos censores. Googlar Tibete ou Praça Tiananmen (aquela em que o estudante se colocou, sozinho, à frente de uma fileira de tanques, impedindo a passagem deles, durante protestos liderados por estudantes, em 1989) pode colocar a polícia na sua porta.

Agora é preciso perguntar: o que Geraldo Vandré, ditadura militar, China, iPhone têm a ver com este título aí em cima, #Danielexpulso? Se você é um dos felizes marcianos e venusianos que não assistem ao programa de maior apelo popular desse país varonil, o BBB, contextualizo. Numa dessas festinhas, que acontecem aos sábados na “casa de vidro”, um Daniel estava entre beijos e abraços e carinhos com uma Monique. Ela se excede na bebida, parece “apagar”. O rapaz supostamente aproveita a situação para bolinar, esfregar, introduzir, seja lá o que aconteceu debaixo do edredom. Em depoimento à polícia, contudo, o casal negou ter havido sexo.

No acontecido, notam-se duas realidades. A primeira é que muitos homens agem como Daniel pode ter agido. Mesmo em uma época de iPads, a barbárie ainda impera. A outra realidade é que havia câmeras que flagraram o rapaz. A rede de televisão que produz e exibe o programa era muy amiga dos nossos ditadores. Aqueles que torturavam e matavam gente. Por isso, não estranha ver que ela mesma investigou, julgou e deu o veredicto em apenas algumas horas.

O problema é que a casa do Big Brother não é um país e, mesmo lá dentro, as leis que vigoram são iguais às do mundo aqui “fora”. Mundo esse com milhões de pessoas que vigiam o que está acontecendo lá dentro. Pois é hora de amarrar a tese mobilização popular – ditadura – internet – China – #Foradaniel.

Hoje, o que fazemos quando estamos indignados? Postamos no Facebook, no Twitter, organizamos protestos coletivos on-line. A mobilização contra esse novo e efêmero “inimigo público” chamado Daniel teve uma consequência: alguém saiu da frente do computador e foi até a delegacia fazer a denúncia. A polícia abriu inquérito e foi até o Projac, centro de gravações da TV Globo no Rio de Janeiro, para investigar. Quando a Globo viu que não podia mexer com seu público, jogou para a galera: mandou o rapaz embora depois de uma “criteriosa avaliação”. Que, segundo a emissora, demorou mais de 24 horas de análises de imagem e discussões.

Pois será que, se não houvesse toda a mobilização virtual sobre o caso, o cara, que supostamente abusa de uma mulher, teria sido expulso do Big Brother? Daniel ser defenestrado do programa é uma vitória, afinal?

Longe disso. Mas é um passo, um caminho que pode ser seguido. Qual o fio de esperança que essa história envolvendo Geraldo Vandré, China, Pedro Bial nos deixa? Que nossa mobilização, mesmo nas redes sociais, pode dar em alguma coisa. Claro que isso não significa que agora é, “Oba! Vou mudar o Brasil no Facebook, vou fazer um twittaço!”.

Mas que a internet está se tornando um meio de mudanças e manifestações, ah, está. Vide o grande investimento que governos autoritários fazem para censurá-la. O problema é o foco dessa indignação. Se nos mobilizarmos não só com o que vemos na TV, mas também com o que realmente está acontecendo de relevante, podemos fazer a diferença. A rede está aí como meio de divulgação de fatos e indignações. É só saber utilizá-la com um pouco mais de sabedoria, daqueles que exibem e daqueles que protestam.

 

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Comentários
A hipótese de ser uma grande jogada de marketing para alavancar uma audiência
em baixa pode ter acontecido e aí todos,("Se você é um dos felizes
marcianos e venusianos que não assistem ao programa de maior apelo popular
desse país varonil, o BBB),até estes que comentaram ou se indignaram nas redes
serviram aos propósitos de uma maquiavélica jogada !
"A rede de
televisão que produz e exibe o programa era muy amiga dos nossos ditadores.
Aqueles que torturavam e matavam gente. Por isso, não estranha ver que ela
mesma investigou, julgou e deu o veredicto em apenas algumas horas",quando
vc diz isso,não pode perder de vista a comoção nacional que foi a
transmissão ao vivo da morte do Tancredo Neves,numa coincidente(?) data
histórica (21 de abril de 1985),para ascenção do GOD-PAINHO ZÉ SARNEY !E
agora dá o Start na campanha eleitoral sub-liminar com o "BRADO
REDUNDANTE",cuja semelhança do...
Mara | 19/01/2012
Grande Chico! adorei e já compartilhei pros meus alunos da Pós de Midias
Digitais e Interativas :)
viver indignado
Rogério Marçal | 19/01/2012 |  
#ForaDaniel

Agora para tirar o corpo (e o corpúsculo) fora, o tal do Daniel
(figura tão íntima do público, através da tela da BBB TV, mais íntimo ainda
Monique Bolinada) diz que broxou. Fato é, se broxou não entrou, então melhor
assumir a "falha" que assumir a falha. Ou melhor assumir a falta do que
assumir a falha? Falha, falta ou pênalti o fato é que o modelão não marcou o
gol, ou foi um gol de bola tão murcha de meia que a bolinada nem sentiu. Ou
será que ela é mais uma dessas com duas ou mais cavidades entre as pernas, de
tão aberta que não sente mais volumes? Perder o tato é algo muito
preocupante.

Fato é que a TV Coronelista Imperialista Ditadora Globo de
Futebol e Regatas (ou também conhecida como Grêmio Recreativo Escola de Samba
Globo - vulgo Globeleza; ou Rede Globo de Televisão) é completamente
tendenciosa e manipuladora. Não é o BBB que é um laboratório, é do lado de
cá da...
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