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Querido Henfil,

Só para começar o ano do fim (dizem que em 2012 o mundo vai acabar) – se for verdade, se as previsões catastróficas estiverem corretas, então deixo um abraço aos filhos, aos alunos, aos familiares, aos amigos e principalmente aos credores.

E como tudo tem dois lados, o positivo é que o mundo termina e o Brasil ocupa o posto de sexta economia mundial – por outro lado, o salário mínimo (miseravelmente) fica bem pouco acima da casa dos seiscentos reais.

A Terra desaparece, o Pão de Açúcar desaparece e os bombeiros fluminenses (chamados de vagabundos) estarão impotentes. Não sei se alguns sinais já aconteceram: a tromba d’água que atingiu as cidades serranas do Rio de Janeiro, ou melhor, o desvio, o roubo das verbas federais para reconstruir as cidades devastadas e minimizar o sofrimento das famílias é sinal de que alguns homens públicos são apocalípticos.

E se os bombeiros fluminenses foram taxados de desocupados porque fizeram greve por melhores salários, que adjetivo devemos usar para qualificar ou desqualificar a maioria dos políticos brasileiros? Tenho alguns impropérios na ponta da língua – mas tenho que me controlar.

E se tudo tem dois lados, é bom lembrar que o Brasil acaba um pouco penso – a balança econômica em alta – e a social em baixa. O mundo termina e o número de analfabetos continua imenso, a corrupção termina como o maior partido político do país e muitas pessoas jamais terão moradia decente, já ouviu falar de Pinheirinho e de outras tantas árvores?

Será que o mundo já terminou e nós não sabemos? Será que a ganância já matou (em alguns de nós) o nosso sentido de humanidade? Será que a vida é apenas ludibriar o outro, corromper o outro, cuspir e pisar no outro? Será que o mundo já terminou e nós não sabemos?

Paulinho Moska pergunta (na letra de sua canção): “Amor, o que você faria se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar, me diz, o que você faria?”.

Andaria nu na lanchonete gringa? Enganaria seu amigo com mais um cheque sem fundo? Desviaria a verba destinada à merenda escolar? Tentaria subornar o policial rodoviário? Venderia um lugar no céu para alguém? Pagaria para ter seu livro na lista dos dez mais daquela revista? Favoreceria seus amigos em festivais de música, concursos literários e outros que tais? Liberaria o uso das drogas ilícitas e proibiria o consumo do tabaco e do álcool? Que pecado cometeria que já não comete? Escreveria uma carta para o Henfil? Mandaria alguns políticos à que pariu? Dinamitaria o coração dos homens? O que você faria?

 

Ouça aqui O último dia, de Paulinho Moska:

 

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