A água, o pão e a vestimenta

Henfil,

Os homens querem ver o mundo de cima – cada vez mais procuram o topo do Everest da condição humana. A medicina progride no tratamento de doenças degenerativas – os aviões drones – municiados com mísseis – são capazes de aniquilar das alturas um veículo em movimento.

O que se vê do alto da Torre Eiffel, do Cristo Redentor, das Muralhas da China, das invisíveis Torres Gêmeas de Nova York, ou dos escombros gerados pelo mar de lama em Mariana? Sobreviventes. Gente que procura há séculos o significado da palavra felicidade.

Em qual terreiro dançaremos juntos? Em qual Bataclan ou Boate Kiss será possível apenas celebrar a vida? O rastro de algumas pessoas são rastilhos de pólvora e sangue – mas sempre haverá um Gandhi, um Mandela – o equilíbrio, alguém que desce do trono do poder e faz da liberdade, igualdade e fraternidade a água, o pão e a vestimenta de um povo.

Talvez seja o momento de olhar um pouco para o céu… Não como forma contemplativa ou científica – a tentativa é de religar o homem a menor ou maior partícula do bem: DEUS. Diz a frase desgastada que nada cai do céu. Bombas e intolerância mútua caem.

Em qual Sinagoga, Mesquita ou Catedral nós estaremos juntos? E se sentimos a mesma fome de tudo – quando sentaremos à mesa sem cuspir no prato do outro? Ainda que características físicas e culturais nos diferenciem – descobriremos na brevidade imensa dos séculos a nossa mesma ancestralidade – o pertencimento de todos que respiram ao clã dos seres vivos.

Mas que ninguém se engane. Há sempre uma luta – uma batalha a ser vencida – a interminável guerra contra a miséria espalhada pelo mundo. É preciso trabalhar todos os dias para o bem do outro e quem sabe o homem canalize toda sua energia (não seu ódio) para levar o que tem de melhor: sua capacidade de amar.

Jornalirista

 

Imagem: Cena do filme Asas do desejo (1987), do cineasta Wim Wenders

Um comentário para “A água, o pão e a vestimenta”

  1. Shellah Avellar

    Shellah Avellar

    De tudo o que li gerado por esta cabeça maluka e séria ( não necessariamente nesta ordem) o que mais vem ao encontro do que acredito e prego ( até segunda ordem). Parabéns! Resumiu rápida e rasteira..a ignóbil natureza humana que faz de nós todos"similares e coniventes"com "esta " noite "..ans kosmikos!

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