A descoberta da América do Sul – a libertação (episódio final)


Grupo se apresenta numa típica “peña folklorica” boliviana. Fernando Gallo bailou.

Amigos,

Esta jornada já vai se encerrando, e eu vou na cadência, de leve, assim como quem sabe aonde vai chegar, caminhando e seguindo a canção.

Foi uma experiência incrível. Estou cansado, sim, mas é um cansaço diferente. É mais um cansaço do corpo, de tudo que andei, de tudo que subi e desci, de andar com esse mochilão pela América do Sul. Não é um cansaço de ser invadido por milhares de notícias todos os dias.
 
Parece que recuperei uma alegria que tinha perdido depois de três anos ininterruptos de trabalho jornalístico ou, se vocês preferirem, servilismo ou semi-escravidão.


Grupo de cholas “desfila” numa rua de Copacabana, na Bolívia.

Aí vão algumas considerações sobre coisas que senti ou aprendi viajando. Os amigos ateus podem pular o próximo parágrafo.
 
Deus está sempre com a gente. Sempre. Quando precisei de um sinal, Ele me mandou. Quando precisei de alguém pra me ajudar, apareceu. Quando desejei com muita força, aconteceu. Foi incrível.
 
Foi porque andei despreocupado que tudo deu tão certo. Claro que estava sempre atento e precavido, mas a vida tem uma lógica, uma ordem tão precisa, que as coisas vão acontecendo como tem de ser, quase sem que a gente precise interferir, quase sem que a gente tenha de mexer um dedo. O lema é: despreocupar-se.
 
Desejem coisas boas e não se atenham aos medos.


O sol morre no deserto do Chile. Fernando Gallo também sentiu solidão.

Como disse em outro momento, São Paulo é uma cidade, a minha cidade, que nos embrutece. Vou estabelecer um prazo sério para deixá-la.
 
A gente tem a péssima mania de achar que antigamente as coisas eram melhores. Que o mundo está ficando um lugar cada vez pior para se viver. Há muita gente boa nesse mundão de meu Deus. Encontrei muito mais generosidade por aí do que sacanagem. Muito mais sorrisos do que cara feia. Encontrei bondade humana e abraços grátis e me sinto obrigado a transmitir isso.

Se vocês tiverem a oportunidade de viajar, viajem! A casa própria pode esperar, o carro pode esperar… Não percam a oportunidade de conhecer gente nova, renovar o espírito, sair de si mesmos.

Gosto de fragilidades e espíritos desarmados. Acho que tem um pouco a ver com o que eu dizia sobre São Paulo. A gente está tentando o tempo inteiro ser forte, forte, forte. Por exemplo, acho que, em São Paulo, eu jamais teria abraçado o cara dos abraços grátis, e menos ainda contado isso pra vocês. Sejam fortes quando tiverem de ser, mas deixem aflorar as fragilidades.
 
Conheçam a garota (ou o cara) ao lado. Numa loja, na padaria, no ponto de ônibus. Às vezes, ela pode estar de cara amarrada, mas pode ser só uma questão de quebrar o gelo. Fiquei pensando que conheci gente do mundo inteiro nessa viagem e não sei quem são meus vizinhos de porta. E foi só uma questão de dizer: “¡Hola! ¿de dónde sos? oh, you don’t speak spanish! where are you from?“. Não dói nem um pouco.


O vento sopra do Titicaca, o lago mais alto do mundo, e esfria a temperatura à noite em La Paz.
 
No começo, lá em Santa Cruz de la Sierra e em La Paz, me senti muito só. Era uma coisa doída. Depois fui conhecendo gente e passou. Mas uma viagem como essa só é bacana se pode ser compartilhada. A vocês que leram os relatos dessa epopeia, obrigado. Gracias. Thanks. E desculpem se, quando eu viajo, fico oversentimental.

Abrazos,

Fernando

P.S.: Se por acaso alguém quiser me escrever, não precisa bater pra entrar: [email protected]
 
*Confira a série completa de Fernando Gallo em sua viagem de reconhecimento e libertação pela América do Sul:

Episódio 1 – Rumo a La Paz

Episódio 2 – Os gringos encontram a paz no alto da cordilheira

Episódio 3 – Na balada boliviana com Jesus

Episódio 4 – Machu Picchu, esquina sagrada do mundo

Episódio 5 – O caminho de Santiago do Chile

Episódio 6 – Córdoba é um encanto

Episódio 7 – La Luna de Avellaneda

Episódio 8 – Buenos Aires, aquele abraço

 

*Fotos de Fernando Gallo.

Um comentário para “A descoberta da América do Sul – a libertação (episódio final)”

  1. soon

    ainda bem q. tem gente que expressa sentimento. bela viagem, fernando….nao te conheço, mas achei bem bacana seu episodio.
    mtos deviam experimentar….as pessoas seriam melhores, nao acha?

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