A descoberta da América do Sul – episódio 3

Queridos, ¿cómo están? Por aqui tá cada dia melhor!

A gente tem um certo preconceito com a Bolívia, mas o país tem coisas incríveis. O tempo tem ajudado. A temperatura é agradável durante o dia, mas faz muito frio à noite por causa da altitude e do vento que vem do lago Titicaca.



Foto de Fernando Gallo
O lago Titicaca, em La Paz, Bolívia

O vento que sopra do Titicaca, o lago mais alto do mundo,
ajuda a esfriar a temperatura durante a noite em La Paz.

Eu e o Gedeminas, meu amigo lituano, saímos anteontem à noite tentando achar um lugar para jantar e tomar uma cerveja. Era feriado e quase tudo estava fechado. Fomos caminando pelas ruas íngremes, até que paramos num bistrô, quando descíamos uma enorme escadaria.

 Pedimos cerveja, mas não nos serviram porque era dia santo.

Existe uma lei municipal que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em dias assim. E a polícia entra nos lugares e se tiver alguém bebendo… Cana! Cana de prisão, mesmo. Quando a gente tava descendo a escadaria, um policial parou dois moleques e pediu pra ver o que tinha na garrafa de Coca-Cola deles… pra ver se não tava batizada.



O Max, o inglês dono do Bistrot Tucán, disse pra gente que o Evo Morales (presidente da Bolívia) não liga muito pra essas coisas, até porque ele é aymara (povo indígena) e não tem nada a ver com o catolicismo, mas que o prefeito de La Paz é muito católico e tal…



Ficamos proseando lá eu e o Gede. Disse a ele que Gedeminas era um nome muito comprido, e que eu ia chamá-lo de Gede. Ele disse que eu poderia chamá-lo de… Jesus! Com aquele forte sotaque espanhol: Ressús! É assim que ele tem se apresentado pela América do Sul, porque ninguém entende o nome dele!



O Jesus conhece muita coisa do Brasil, o cinema argentino… Aliás, é muito engraçado: todos os gringos falam de Cidade de Deus (o filme de Fernando Meirelles)! E aí eu digo que eles têm de ver Tropa de Elite (filme de José Padilha).



Ficamos proseando, até que ele me chamou pra conhecer uma boliviana chamada Tania, que ele conheceu na Internet, num site de viajantes. Eles não se conheciam pessoalmente. O encontro foi numa praça famosa de La Paz e, em seguida, fomos pro albergue do Jesus, onde ficamos conversando. A Tania é muito bacana, muito inteligente… nos contou muita coisa do governo Evo.



Lá pelas tantas começou uma revolução bolivariana na minha barriga e eu tive de voltar pro albergue. 



Ontem fui conhecer melhor La Paz. Fui passear pela Avenida 16 de Julio, conhecida como El Prado, que é uma das mais importantes, se não a mais importante de La Paz. Fui até a Plaza Murillo, onde ficam a catedral principal e a casa del señor Evo Morales. 



É impressionante como, nos lugares por  onde passei, os governos cuidam bem das praças. Dá muita vergonha das de São Paulo. Enfim… dei uma volta gigante na cidade pra sacar unas fotos (um guia me disse pra nunca dizer "tirar”, porque "tirar” na Bolívia é o mesmo que transar) e voltei pro albergue.



À noite, fui ao Marbella, um restaurante que conheci, para experimentar carne de lhama. Descia tranquilamente a Calle Sagárnaga, quando escuto a voz de um señor boliviano gritando: "Fernando!!!". Olhei pra trás e não vi ninguém acenando, nem nada. Fiquei com um pouco de medo. Dez segundos depois, ouço a mesma voz: "Jovem!” (Rôven!)!!! Olho pra trás e nada. Começo a apertar o passo.

Quando entro na Plaza San Francisco. quase na El Prado, alguém se aproxima e diz:



Pasa todo el dinero.



Juro pra vocês que era o Jesus, o Gedeminas!!!



Ele disse que pegou um táxi até o meu albergue. Como não me encontrou, estava voltando. Quando me viu na rua, pediu pro taxista gritar meu nome. Fomos ao Marbella e comemos a carne de lhama, muito boa!!! E ficamos batendo um papo com o Moisés, o garçom.



Jesus e eu decidimos ir a uma peña folklorica, que é onde se pratica a dança típica boliviana. Tínhamos duas opções: o Gota de Agua ou o Ojo de Agua. Moisés, o garçom, nos indicou o Gota.



Fui com o Gedeminas até o Gota, mas eram 22h30 e a coisa só começaria a ficar boa às 23h30. Fomos tomar cerveja no La Luna, um bar. Depois de uma hora proseando com a Martha, a dona, outra boliviana muito bacana, quem aparece? O Moisés e o Ronald, um amigo figuraça dele.



Fomos os quatro ao Ojo de Agua. A peña folklorica é muito legal. A dança é uma mistura de dança andina tradicional com dança gaúcha, com uns passos que lembram o forró. O ambiente é ótimol!!! Um boliviano que tava com a mulher e uns amigos começou a colocar garrafas de cerveja cheias na nossa mesa. Ele tava comprando cerveja pra pessoas que ele nunca tinha visto na vida! Pagou umas seis garrafas pra nós e se foi.



Depois de muita conversa com o Ronald, o Moisés e o Jesus, uma menina veio e me puxou pra dançar. Eu, com todo esse molejo, dançando esse treco, foi qualquer nota! Dancei um pouco com a boliviana e fomos embora, já eram 4 da manhã.



Hoje vim até Copacabana. Não há quase nada pra se fazer na cidade, mas a vista do lago Titicaca, tanto na ida, quanto pra quem está na cidade, é espetacular!!! Espetacular!!!! Não deixem de visitar o Titicaca. É uma imensidão. Se você chega e não tá sabendo que se trata de um lago, fica com a certeza de que é o mar!!! De um azul-azul…



Foto de Fernando Gallo

Grupo se apresenta numa típica peña folklorica boliviana.
Grupo se apresenta numa típica peña folklorica boliviana.

O ônibus para Puno, no Peru, sai daqui a pouco. A Bolívia foi ótima e eu quero muito voltar!



Abrazos,



Fernando



*Confira o segundo relato da viagem de Fernando Gallo pela Bolívia, clicando aqui.



*Veja também o primeiro relato da série, clicando aqui.  

Um comentário para “A descoberta da América do Sul – episódio 3”

  1. Pedro Palaoro

    legal
    Bah, aquela misturas "é bem hype", hahaha.

    E essa historia de pessoas pagarem a tua cerveja me deu uma ovntade de ir a Bolivia! Oh Bolivia amada! hahaha

    abraço

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