A descoberta da América do Sul – episódio 4

Buena gente,

Tudo bem? Acabei de me instalar em Arequipa, no Peru. Venho de Cusco e Machu Picchu, uma grande experiência.

De Copacabana, na Bolívia, fui a Puno, já em solo peruano. Durante a viagem, conheci três argentinas de Córdoba – a Mariella, a Soledad e a Carolina – e um chileno de Santiago, o Aníbal.

Em Puno, fomos conhecer as Ilhas Flutuantes e depois tomamos o ônibus pra Cusco, às 9 e meia da noite. Chegamos a Cusco às 4 da manhã. O que tem de “feirante” na rodoviária querendo levar você para o albergue deles não é brincadeira. Esperamos até amanhecer pra sair percorrendo os albergues e decidir em qual ficar.

Cusco é um lugar sensacional! Uma cidade moderna que preserva os traços coloniais. Andei muito por lá, voltava sempre esgotado ao albergue, tive companhia o tempo todo e foi muito divertido.

Passeamos bastante pela cidade nos dois primeiros dias. No terceiro, fomos ao Valle Sagrado. No quarto dia, demos uma trégua e descansamos um pouco, porque o que se caminha aqui não é brincadeira.

No dia seguinte, fui para Aguascalientes, que é a cidade-base de Machu Picchu. Foi de onde parti para o parque (ou sítio arqueológico, ou santuário… como queiram) na manhã seguinte, às 5h45.

Não há palavras que possam descrever o que é estar em Machu Picchu. Só não é totalmente espiritual porque tem muitos turistas. Mas é espetacular!
 
Machu Picchu, Peru
 A beleza das imagens de Machu Picchu não revela tudo…

Machu Picchu, Peru
…O território sagrado do império Inca é impactante…
Machu Picchu, Peru
…A grande presença de turistas do mundo todo quebra
um pouco o misticismo, mas Machu Picchu permanece
um lugar muito especial e incrível.

Depois de três horas de visita guiada, agigantou-se à minha frente a montanha de Wayna Picchu. Ela fica dentro do parque e os primeiros 400 loucos do dia que decidem se aventurar podem tentar chegar ao cume. Nos primeiros quinze minutos de caminhada, achei que ia morrer. Mas depois não senti mais nada.

Eu vestia uma camiseta do Brasil e nunca fiz tanto sucesso na minha vida quanto em Wayna Picchu!!! Sério! As pessoas me paravam e queriam conversar, ofereciam-se para tirar fotos… Conheci gente do mundo inteiro por lá… da Nicarágua, dos Estados Unidos, da Argentina, da Coréia do Sul… Juro que duas belgas me convidaram para dormir com elas em Aguascalientes!!!

Reencontrei as meninas de Córdoba e passamos uma tarde inteira em um mirante, observando a cidade sagrada.

Depois de três dias de aventura, retornamos a Cusco e à rotina de tomar café da manhã, banho, essas coisas… Finalmente, depois de oito dias, fiz a barba.  

Cusco tem serviços de primeira, de segunda… Não é tão barata quanto La Paz, mas não se gasta muito, exceto em Machu Picchu, onde o bolso arde! Lá, tivemos de viver à base de bolacha porque os preços eram proibitivos.

À noite, em Cusco, há diversas baladas na Plaza de Armas. Eles te regalanfree drinks” para você entrar, uma cuba libre, normalmente. Você entra, toma uma cuba libre e vai embora pra outro free drink!

Mas eu não fiz isso, não… Tá, eu fiz isso só uma vez… Foi na última noite, quando as meninas de Córdoba tinham ido embora, e adivinhem quem apareceu por lá??? Um free drink pra quem disse “Gedeminas, o Jesus lituano”!!!

Na viagem para Arequipa, o ônibus saiu de Cusco meio vazio e não tinha ninguém ao meu lado. Só que ele para em outras cidades para pegar passageiros. Então, de repente, durante a noite, fui me virar pro outro lado na poltrona e me senti meio espremido… Tinha uma senhora que devia pesar uns 160 quilos ao meu lado!!!

Amanhã devo ir para Arica, na fronteira do Chile com o Peru, de onde devo pegar o ônibus pra Santiago: mais 30 horas de busão. Espero que sem filmes enlatados dublados em castellano!

Abrazos,

Fernando

*Confira os três primeiros relatos da viagem de Fernando Gallo pela América do Sul:

3: aqui

2: aqui

1: aqui

**Fotos de Fernando Gallo.

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