A descoberta da América do Sul – episódio 6

Buena gente,
 
Prestem muita atenção no que vou lhes contar agora. A verdade mais avassaladora a respeito da cidade de Córdoba, na Argentina, é: lá não existem mulheres feias.
 
É mentira quando dizem que no sétimo dia Deus descansou. Neste bem-aventurado domingo ele estava fazendo as cordobesas. E os criochitos, também, servidos no café da manhã… é uma massinha que eles comem com o dulce de leche argentino que… minhanossasenhora! Então foi assim: de manhã, Ele fez os criochitos; e, à tarde, as cordobesas.

Falando sério: Córdoba é a cidade em que um dia sonhei morar. Ela é charmosa e tem toda uma argentinidade. Senhores, quando o meu ônibus saiu de Mendoza rumo a Córdoba, quando começava a raiar o dia por volta das 7h30, já me senti em casa. Foi muito esquisito, como se eu estivesse entrando no meu país.

É uma cidade de mais ou menos 1 milhão de habitantes que hoje disputa com Rosário o posto de segunda cidade mais importante da Argentina. Tem um centro que é movimentado, moderno, bonito e uma vida noturna bem bacana. Os bairros são tranquilos, tem muito verde por todos os lados e as crianças andam de bicicleta e jogam bola na rua quando voltam da escola. As coisas verdadeiramente funcionam.

E os arredores de Córdoba também são incríveis – Carlos Paz, Rio Ceballos, Santa Maria de Pinilla, lugares frequentados nos fins de semana para se sentar à beira de um rio ou de um lago e tomar tranquilamente o mate argentino. Eeeeeeeeeita lugar bão!
 
Pena que só pude ficar 48 horas. Mas foi tempo suficiente para conhecer todos esses lugares e provar os criochitos, o dulce de leche, os lomitos (um sanduíche de carne com ovos, maionese, tomate e sabe-se mais o quê), o locro (saiba mais no www.google.com.br), a humita (idem), as empanadas criollas e árabes de Córdoba, a medialuna cordobesa, a língua de vaca, o mondongo (que nada mais é do que o estômago da vaca), a cerveja Quilmes negra, os helados (sorvetes) e a milanesa
 
Ou seja, recuperei em 48 horas o que tinha emagrecido nos últimos 25 dias!!!
 
As meninas – Mariella, Soledad e Carolina, as cordobesas que conheci no Peru – me receberam muito bem e, de verdade, acho que tenho três amigonas em terras argentinas.

Por outro lado, Valparaíso e Viña del Mar, no Chile, foram decepcionantes. Viña é limpa, bem organizada, bem ajambrada, mas não tem muito o que fazer por lá. Deve ser mesmo uma cidade para estar na alta temporada.
 
E bom… é importante dizer que eu estava num mau humor desgraçado porque saí do albergue de camiseta. E lá estava 12 graus, com um vento muuuuito gelado que vinha do Pacífico!!! Andava, andava e andava, mas não esquentava nunca!!! Até que chegou uma hora em que o frio ficou quase insuportável e decidi entrar num restaurante para almoçar, e depois voltar para o albergue, ainda que estivesse um pouco cedo.
 
Valparaíso é bem mais movimentada, com diversos morros e um estilo mais portuário. É bacaninha e tal… os ascensores de Valparaíso têm mais de um século (www.google.com.br), a casa de veraneio do poeta Pablo Neruda (1904-1973) está lá… Mas não tem muito mais do que isso. Pelo menos para mim, não tem.

Como tudo é morro, você sempre tem de subir, subir e subir… e eu não aguento mais subir!!! Nao aguento mais!!! Primeiro foi o Chacaltaya, depois foram as ruas de La Paz, depois foi o Cerro Calvário, em Copacabana, depois foi Machu Picchu e Wayna Picchu, depois foi Valparaíso… De agora em diante só quero cidades planas!
 
Assim aconteceram as coisas nos últimos dias. Acabei de chegar a Buenos Aires e vou dar um pulo em San Telmo. Almoço por lá e depois tentarei ver um jogo de futebol.

A verdade é que as coisas estão muito bem aqui. Estou muito cansado, mas animado com o que há de vir.

Abrazos,

Fernando

* Confira os cinco primeiros relatos da viagem de Fernando Gallo pela América do Sul:

5: aqui

4: aqui

3: aqui

2: aqui

1: aqui

 

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