A descoberta da América do Sul

Queridos,

Tudo bem? Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas aos amigos de quem não pude me despedir. Não fiquem zangados! Espero que também vocês possam viajar comigo.

Por aqui tá tudo bem! O avião atrasou e só cheguei anteontem de madrugada a Santa Cruz de la Sierra. No hotel, não tinha porta no box… e o banheiro todo tomou banho comigo! E não tinha como ligar pro Brasil! Enfim…

Circulei pelo centro de Santa Cruz e conheci a Plaza 24 de Septiembre, talvez o lugar mais bonito da cidade. Juro que quando cheguei à Plaza tava tocando "olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? será que ele é?"!!!

Foto de Fernando Gallo
Plaza 24 de Septiembre, Santa Cruz de la Sierra
Plaza 24 de Septiembre, Santa Cruz de la Sierra, palco de movimento por autonomia na Bolívia
e ponto de partida do mochilão pelo continente do sul.

Logo parti para La Paz. Cheguei à rodoviária de Santa Cruz por volta de 5 da tarde. Duas pessoas tinham me indicado a Trans Copacabana como a melhor empresa. Fui até o balcão perguntar quando saía o próximo ônibus pra La Paz e ouvi um sonoro: "No hay". ¿Cómo no hay?”, pensei.

¿Ni un sólo asiento?

  No hay.

A mulher disse que às vezes acontecia de alguém desistir, que agora há pouco quatro pessoas tinham desistido e que, se isso voltasse a acontecer, ela me avisaria. Eu tava com medo de perguntar em outras empresas porque a fama dos ônibus na Bolívia não é das mejores.

A mulher pediu que esperasse no banco. Agradeci e perguntei o nome dela. Ela respondeu cantando "uíqui, uíqui, uíqui". Do que eu imagino que se chame Vicky.

Como nada acontecia, resolvi perguntar nas outras empresas, mas todos os ônibus estavam lotados. A essa altura eu já estava maldizendo a Bolívia e seu sistema de transportes.

Daí, pensei: “Vou pegar um ônibus até Cochabamba, que é mais ou menos no caminho, e de lá eu pego outro para La Paz”.

Fui a uma empresa chamada Bolívar e perguntei a um homem com muita cara de mafioso se para Cochabamba había asientos. Ele disse que , por 54 bolivianos (a moeda local). Eu perguntei: “Y en bus cama [ônibus-leito]?” Ele: “Cien bolivianos”.

Agradeci e voltei na minha amiga Uíqui para perguntar sobre passagens para Cochabamba, mas não havia nada. Retornei à empresa do cara de mafioso e perguntei de novo: “¿Todavía hay asientos para Cochabamba en bus cama?”.

E ele: “.

Eu: “¿Cuánto?”.

Ele: “Setenta bolivianos”.

Uau!!! Será que o Fed (banco central dos Estados Unidos) baixou a taxa de juros nos últimos quatro minutos e eu não fiquei sabendo??? Mas é assim, mesmo. Quase nada aqui na Bolívia é tabelado. Um cara queria me cobrar 15 bolivianos para me levar do hotel de Santa Cruz até a rodoviária, sendo que custava mais ou menos 10. Parei outro táxi e combinei pelo valor mais baixo. Não há taxímetros, tabelas, nada. Só há preços fixados no cardápio dos restaurantes.

Comprei do mafioso a passagem para Cochabamba e o ônibus saiu pontualmente às 19h30. O problema é que só na primeira hora de viagem o motorista parou umas oito vezes para que entrassem vendedores ambulantes vendendo "pollo, pollo!" (frango). Ou então “charque, charque, charque!” (carne). Ou ainda “choclos aquecidos, choclos aquecidos!” (milho)… E também “pan!”, “soda y água!” e outras maravilhas da culinária boliviana.

O que o ônibus para não é brincadeira. Paramos duas ou três vezes em povoadinhos na beira da estrada pra gente descer e fazer xixi nuns baños públicos, que bom… Mas é melhor nem contar, apenas agradecer a Deus por ser homem!

Na hora em que comecei a pegar no sono, lá pela 1 da manhã, o filho da puta do meu lado começou a roncar como se não houvesse amanhã e ele precisasse roncar tudo hoje. Ensaiei um "chiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiu!", mas não fui bem-sucedido.

A essa hora eu já tava com a maior dor de cabeça do mundo. E ela me acompanhou a noite inteira. Noite de um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda sem fim. Quando o sono se aprofundou, o ajudante do motorista gritou: “Cochabamba!!!”. Eram 7 da manhã. Onze horas e meia de viagem.

Entrei na rodoviária e comprei a passagem para La Paz. Saímos às 7h30.

O caminho é lindo, lindo, lindo. Só que lá pelas tantas a estrada começa a ficar sinuosa… e, lá embaixo, uns barrancos bem profundos… E aí você para de pensar na beleza do caminho e se pergunta: “Quem será que está pilotando esta nave?!?!?!”.

Mas deu tudo certo. Depois de longuíssimas 19 horas, com mais longuíssimos 40 minutos viajando de ônibus desde Santa Cruz, finalmente aportei em La Paz, por volta de 15h10.

Ainda bem que não fui a Sucre, porque caíram umas pontes no caminho e a viagem para lá tá levando uns quatro dias!!!

Chegando a La Paz, fui almoçar num restaurante que a funcionária do albergue me indicou. Depois passeei pela calle de las Brujas, que é uma rua de comércio para turistas.

Depois fui até a Iglesia de San Francisco, onde fui admoestado pelo policial que faz a guarda porque estava tirando fotos, e lá não podia. “Perdone, señor!”

Como tinham me dito, os bolivianos são atenciosos, mas muito reservados.

E volto a escrever assim que der.

Viajar solo não é tão fácil como pensava. Conto com vocês nessa jornada.

Abrazos,

Fernando

3 comentários para “A descoberta da América do Sul”

  1. Hugo Diaz

    Amigo
    Amigo,vivo en SP,lo siento mucho,por los peores momentos q pasaste en mi pais,mas te digo q un dia bolivia será mucho mejor,y disculpa p favor por todo lo peor q pasaste.Abrazos Hugo.

  2. elen juliana batcelos

    ya el bolivia tierra nuestra
    kkkkkk essa foi boa olha querido assino em baixo en tudo que voce fala kk fui tanbem para bolivia solo dio myo kkk e quando os el carreton parava nos bares pra comer sabe o que eu comia abacaxi kkkk imagina kkk los banos kkkk e eu sou mejur kkkkkkkkkkkk bom mas foi boa tirando isso ne depois quando eu ja voltando pra brasil vim por caceres ne que é frontera com bolivia vim de santa cruz com um onibus maravilhoso mas quando começou a viagem foi bençao de deus o onibus ter chegado com as rodas e a carcassa kkkk bom te explico direto depois bijoss elen juliana

  3. Beto Buarque

    Gostei. Bela descritiva, narras com fidelidade as coisas os jeitos e as formas da Bolivia.

Comentário