A final da Nina

No dia 3 de maio de 2014, os meus filhos, Nina e Tito, conheciam pela primeira vez a mítica Vila Belmiro. Foi um jogo sem graça. Um 0 x 0 com o Grêmio pelo campeonato brasileiro daquele ano.

No dia 3 de maio de 2015, há exato um ano, agora sem o irmão, Tito, Nina voltava à Vila para assistir à sua primeira final de campeonato. E que final!

Juntos. Ela, eu e todos os santistas que estavam ou não na Vila, viram mais uma vez um time desacreditado ser campeão. Nina, aos poucos, do alto dos seus quase cinco anos de idade, vai aprendendo um pouco como funciona o futebol e como é torcer para o Santos, um time que insiste em incomodar e, apesar de ter nascido em uma cidade pequena, insiste também, para a irritação de muitos, em ser enorme!

Daqui a alguns anos, quando ela estiver maior, eu vou mostrar as nossas fotos, vídeos e vou contar para ela como foi o tal campeonato paulista de 2015. Primeiro, o campeonato paulista que a mídia desenhava para o Santos. Um time pouco badalado. O time dos “ex-craques em atividade”. O time que devia salários, estava afundado em dívidas e corria sérios riscos de perder boa parte do elenco. Era o time com pouca força. O time que não dava audiência. Que não tinha arena. Que não tinha torcida. O time fadado ao rebaixamento já no campeonato paulista.

Depois, vou contar a verdade de fato, ou a minha, a nossa verdade do fato. Contar do trânsito que a gente pegou na descida da Serra. Da dificuldade que foi entrar na cidade, do buzinaço nos túneis, do foguetório ao redor da Vila, tipo de coisas que não aparece na mídia, mas que nós santistas temos o privilégio de ver em cada decisão na nossa casa. Aliás, a nossa casa, a Vila famosa. Um espetáculo à parte. Linda. Acanhada e romântica, o solo mais sagrado do futebol mundial. Pobre daqueles cheios de dinheiro, que tentam mostrar sua força em arenas faraônicas e esquecem de que tamanho não é nada perto da grandeza da Vila Belmiro…

Vou contar para a Nina também que um campeão não se faz com a maior torcida. Com o maior estádio. Com as maiores receitas, com TV, rádio, jornal… Um campeão se faz dentro de campo. Com um elenco unido. Com uma torcida apaixonada. Com a bênção dos deuses do futebol, que fazem o Santos renascer sempre que dizem que ele está morto.

Por fim vou contar para a Nina que foi um campeonato especial. Um campeonato de que o Santos mereceu mais do que nunca ser o campeão, para mostrar para todos que tentam menosprezá-lo que ele foi, é e sempre será grande. Enorme, enorme, e que, apesar de alguns problemas, comuns à maior parte dos times brasileiros, mais uma vez se destacou. Lutou. Foi gigante e fez com que juntos, ela, eu e toda a torcida santista, gritássemos novamente: “É CAMPEÃO!”.

 

3 comentários para “A final da Nina”

  1. Mauricio

    Eu estava lá meu irmão, esse email eu guardei para ler, mesmo atrasado. Minha maior inspiração para o título foi o Leo, CAMPEÃO!!!!!!

  2. Thais

    Que lindo! Porque será que me identifiquei TANTO rs? Que a Nina continue campeã por muito e muitos anos, cresça e vira uma linda sereia santista… Bjo pra vc e pra família!

  3. PEDRO LUIZ DUTRA

    Show !!!
    Parabéns pelo seu texto, que mais uma vez traduz perfeitamente o sentimento de todos nós , Santistas de coração !!!
    Fico feliz cada vez que leio algo tão bonito sobre a Vila Belmiro (afinal de contas , ali sim foi feita a História), pois sou contra fazermos uma Arena…

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