A Grande Alma

Henfil,

 

A luta pela democracia e todo movimento das diretas-já foi esquecido ou apenas foi um atalho promissor – um desvio para chegar ao poder e alguns brasileiros – do Maranhão, Alagoas, Minas, São Paulo, Garanhuns e Minas Gerais novamente conseguiram ser eleitos com o voto popular e acordos suspeitos com empreiteiras e a já falida moralmente Petrobras.

O fato é que nenhuma das pessoas que chegou ao posto de presidente da República tem a envergadura de um estadista. Um deles não fez muito e não faz pelo Maranhão (existe muita miséria por lá, como existe), outro é suspeito de compra de votos para ser reeleito (o partido da social-democracia é investigado em São Paulo por superfaturamento na reforma de trens da CPTM), sem contar que em seus mandatos nada era apurado, outro falou a vida inteira de justiça social – viajou pelo país em campanha eleitoral, foi um dos fundadores do partido dos trabalhadores, mas esqueceu de suas origens, é investigado por receber dinheiro duvidoso – além dele o caçador de marajás – candidato fabricado pela mídia – o homem que confiscou o dinheiro da caderneta de poupança, que foi retirado do cargo por vontade popular e hoje também é investigado pela polícia federal – e por fim a atual representante do país – mulher que esteve enclausurada nos porões da ditadura militar, porém depois que se viu livre parece ter dado liberdade demais aos companheiros de partido e aliados e o Brasil democrático que eles (a classe política) inventaram é investigado.

A bola da vez é a atual presidente. É preciso retirá-la (dizem os partidos e parte da mídia e da população) o mais rápido possível. Se o caminho é convocar uma nova eleição – estamos perdidos. Os partidos (em menor ou maior escala) parecem ser adeptos das mesmas práticas – é um amontoado de gente com o discurso na ponta da língua: “Quero ajudar as pessoas mais necessitadas”, “Quero mudar o país”, “Quero ser a voz das mulheres, das crianças, dos jovens, dos idosos e dos professores no poder”.

Não me sinto representado por esta gente e não gostaria de tê-la como representante. Até mesmo as pessoas mais simples sabem que certos homens e mulheres não são dignos do cargo e da responsabilidade. Talvez se tivessem como paradigma Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e deles a postura e o devido respeito ao seu povo – a situação fosse outra porque eles teriam alcançado outro grau de humanidade.

Na pequenez instituída pela política brasileira tudo o que é sórdido, corrupto, sujo e mesquinho está presente – não precisamos de salvadores, cada pai de família, as mães e milhões de brasileiros têm em si um Mahatma – uma “Grande Alma”.

 

Jornalirista

 

 

Foto: Pôr do sol na rota do sertão, Sergipe/César de Oliveira, 2008

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