A simplicidade de uma vida só

 

Dias atrás, ao ler um texto sobre a vida do presidente do Uruguai, Pepe Mujica, que vive em um pequeno sítio com a mulher, um Fusca e doa quase todo o seu salário, fiz algumas reflexões sobre essa tal simplicidade, que é apontada na vida de Pepe.

 

Em primeiro lugar, admiro, e muito, Pepe Mujica, pelas sábias palavras e pelo modo como leva a vida, e, como ele mesmo afirma, seu estilo é “uma sobriedade do viver” e não “uma valorização da pobreza”. Mas permito-me dizer que há algo que diferencia a realidade de seu discurso.

 

Deixando Mujica de lado, parece-nos muito difícil falar de simplicidade sem comentar a nossa sociedade de consumo, que anda cada vez mais consumista. Eu mesma busco essa simplicidade. Em meio ao caos da era da tecnologia, da publicidade, da moda, temos fome de consumir e sede de experimentar nesse mundo, em que as coisas se permitem, ou quase.

 

Acredito que buscamos algo. Eu não sei de você, mas eu busco a simplicidade. Ela não está tão longe assim, está mais perto do que imaginamos. Não precisamos ficar sem nada, para afirmarmos que agora, sim, somos simples. Por algum tempo achei que ser simples era deixar o carro na garagem e vagar de bicicleta pelos lugares, e ficar um ano sem consumir roupas.

 

Simples era eu fazer aquele discurso de que não precisamos de muito, não consuma. Mas conhecendo aos poucos esse mundo, vi que não é apenas isso. É muito mais. O discurso está aí. O que é ser simples vai além do carro ou da bicicleta. O simples é como somos, como agimos, com que sonhamos e a gratidão que temos por essa vida.

 

Parece um discurso simplório? Não! É o meu discurso. De Mujica é outro. E, aí, qual é o seu? Isso, claro, se você busca essa tal simplicidade, caso contrário, paramos por aqui. Até breve, porque a rede lá fora me espera para mais reflexões.



*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora de comunicação.

Um comentário para “A simplicidade de uma vida só”

  1. Thais Polimeni

    Que lindo, Angelica! Ótima reflexão! A busca pela nossa própria simplicidade, sem copiar o discurso do mundo, é o nosso maior desafio.
    Beijos,

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