Carlos, o comilão

Carlos era um menino muito comilão. Comia de tudo, arroz, feijão, chocolate, pão, etc.

Um dia, ele viu um pé de maçã e pegou um galho (na hora). Cutucou as maçãs e de repente caiu uma maçã. Pegou ‘ela’ e se deliciou na boca (comeu a maçã).

Aí, com sua comilança foi comendo mais, mais, mais…

Na última maçã, comeu-a e olha o que achou, uma minhoca! E disse:

– ‘Blench’! Que horrível!

Bem feito pra ele, porque se Carlos não parasse de comer as maçãs da árvore, ele não acharia a minhoca.

***

A história que você acabou de ler foi escrita em 29 de abril de 1991, eu acabara completar nove anos, estava na terceira série.

Quando iniciei a leitura, dias atrás, confesso que fiquei abismada com as primeiras observações que tinha do mundo, o jeito que tinha de descrever.

Hoje, nem sei se escrevo bem, só sei que escrevo.

Outrora, lembro que adorava usar as palavras novas que ouvia e lia, bem como observava as estruturas dos textos, as aspas e os parênteses. Nessa historinha mesmo, usei os parênteses de modo bem desenvolto.

Se estava certo ou não, pouco me importava.

Aos quatro anos, já dominava a leitura, por conta de demorar demais para falar (somente aos dois anos que ousei em pronunciar algumas frases). Rememoro a ocasião em que li pela primeira vez “espingarda”, quando passava por uma casa de pesca. Quantas vezes eu pedi de presente de aniversário tal armamento…

“Danada essa menina”, me flagro exclamando a frase, enquanto coçava o nariz, enxotando a poeira depositada no caderninho de cor azul. Fico feliz por reencontrá-lo no fundo de algumas caixas, durante aquelas faxinas que teimamos em procrastinar.

Justo no mês de abril, mais precisamente dia 28, em que completo 35 anos de sonhos, despertares, tristezas, alegrias.

Chego à conclusão que me sinto como o Carlos, de vez em quando. Devorando maçãs de histórias, encontrando alguns inconvenientes, mas explorando este grande banquete chamado Vida.

 

Foto: Keli Vasconcelos

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