Cazuza contra os caretas e os moralistas

Duas horas da tarde, calor escaldante, ventilador só faz barulho e não refresca. Acabei de imprimir trezentas e vinte e cinco folhas de um projeto de final de curso.

No computador, Cazuza canta “Balada do Esplanada”. Sim, gosto e sou fã das canções de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza (1958-1990). Por que sou fã das músicas dele?

Cazuza foi um louco por liberdade e pela vida, não julgo seus atos, mas posso falar do cantor, do poeta e letrista.

Foi irreverente, fazia um milhão de besteiras, marcou uma geração perdida inteira.

Conheci as músicas de Cazuza, quando eu ainda somava apenas 10 anos de vida e ele, no auge de sua carreira, cantava “Exagerado”, um marco do rock brasileiro.

Considerado o melhor letrista de sua geração, Cazuza compôs canções que são belos poemas e que também contêm forte cunho político-social.

O garoto mimado, como ele mesmo dizia na música “Domingo II”, escancarou as mazelas de um Brasil corroído pela corrupção, com “Burguesia” e “Brasil”.

Sabia, como poucos, passear pelo rock, blues e bossa nova, sem deixar sua característica de rebelde. Seu lado romântico foi evidenciado em “Minha flor, meu bebê” e “Preciso dizer que te amo”. Mostram a essência do poeta.

Esses falsos moralistas torcem o nariz quando alguém se declara fã de Cazuza e logo soltam aquela emblemática frase: “Aquele homossexual e maconheiro?”. Sim, ele mesmo. Não estou aqui para julgar opção sexual e muito menos escolhas. Ouço Cazuza pelas belas e incríveis letras de suas músicas.

Sentam no rabo e adoram tratar com desprezo quando encontram alguém que fala o que pensa. “São meros engravatados nos calabouços de suas prepotências.”

Ouça e leia mais sobre Cazuza no site oficial do artista, clicando aqui.

Créditos da imagem: www.estadao.com.br

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