Confissão

 

Ironicamente, cena da qual eu nunca me esqueço da época de escola é a de uma aula de português, em que a professora nos pediu para escrever uma crônica. De forma muito técnica, ela tinha acabado de nos ensinar que crônica nada mais era que “um texto temporal, que segue uma narrativa comum, com personagens na maioria das vezes reais e linguagem coloquial”. E essa era uma das coisas que eu nunca entendi: parecia que os professores se esforçavam para deixar nebuloso o que a vida nos presenteava da forma mais clara. É claro que, quando recebi a redação de volta, a professora olhou para mim e disse: “Isso não é uma crônica”. Aceitei e segui minha vida até, algum tempo depois, descobrir que eu sempre escrevi crônicas nos incontáveis blogs que tive. “Se podemos dificultar, para que simplificar, não é mesmo?”

 

No início deste ano, após uma leitura intensa de livros da Martha Medeiros, Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo e Drauzio Varella, descobri minha paixão pela leitura de crônicas. Eu sempre escrevi crônicas relacionadas a eventos culturais no meu blog, mas de repente bateu uma vontade de escrever sobre assuntos do cotidiano, que não dissessem respeito à minha profissão, e, sim, que eu pudesse compartilhar meus sentimentos além dos cafés com as amigas e mesas de bar. Gentilmente, estou aqui, neste espaço, para essa minha terapia. Sim, escrever é uma terapia para mim. Colocar no papel (ou na tela do computador) minhas reflexões me alivia e deixa minha alma muito mais segura e tranquila, como se eu dissesse para o mundo o quanto humana sou, o quanto minha força inabalável e minha independência não passam de uma defesa que construí para não mostrar meus medos, minha insegurança, minhas decepções, minhas preocupações, minhas frustrações e minha carência.

 

Talvez, pela pequena quantidade de crônicas que eu escrevi, seja um pouco cedo para me expor, assim. Mas eu ainda não aprendi a não escrever com o coração. E é isso que ele está pedindo para eu escrever agora. A cada texto publicado por aqui, dá aquela palpitaçãozinha, aquele frio na barriga que antecede a estreia de uma peça, a apresentação de uma campanha publicitária, a resposta do cliente a um projeto, a assinatura de um contrato.

 

Não espero agradar a todos com minhas ideias. O.k., lá no fundo, sempre esperamos isso, mas tenho consciência de que quanto mais nos abrimos para o mundo, mais nós estamos vulneráveis a críticas. Só que eu devo confessar uma coisa: depois de três meses escrevendo por aqui, sinto que passei pelo período de experiência com um retorno positivo. E, assim como em toda confissão, aqui vai um segredo: na segunda crônica que escrevi este ano (“237”, leia aqui), recebi proposta de um diretor de teatro que, para minha surpresa, gostaria de transformá-la em um espetáculo. Como nunca tinha passado por isso, consultei meu advogado e arrisquei enviar um e-mail para a Martha Medeiros, uma das minhas inspirações para essa atividade, contando o ocorrido. No dia seguinte, recebi uma resposta da autora me parabenizando pelo “sucesso meteórico”. Meu lado fã renasceu!

 

Sei que, em tão pouco tempo, seria muita pretensão da minha parte me chamar de cronista, mas essa é uma atividade que eu teria orgulho de incluir na lista de profissões para me deixar ainda mais indecisa na hora de preencher um formulário. Mas tudo bem. Se os artistas não precisam escolher entre ser “modelo, ator, apresentador e cantor”, eu também quero ser um pouquinho artista e me sentir tranquila por não ter que escolher entre ser “publicitária, produtora cultural, gestora cultural, blogueira, empresária, cronista… E fã!”.

 

 

6 comentários para “Confissão”

  1. Thais Polimeni

    Superobrigada pelo apoio e incentivo, tia Angela!! Fico muito, muito feliz 🙂
    Beijos mil,

  2. ANGELA CALIXTO

    OI THAIS….EU QUIS DIZER: SUA FÃ…RS…BJS.

  3. ANGELA CALIXTO

    THAIS QUERIDA, QUE LINDO ESSAS SUAS REFLEXÕES, CHAMO-AS DE SUA, MAS, COM TODA CERTEZA TEM MUITO DAS REFLEXÕES DO
    UNIVERSO FEMININO, DAS NOSSAS DEUSAS E DO INTIMO DE NOSSAS ALMAS……QUE ANSEIAM COLOCAR PARA FORA NOSSOS MEDOS E ANGUSTIAS….CONTINUE EXTERIORIZANDO, AGRADANDO,
    OU NÃO A TODOS.
    PARABÉNS…TAMBÉM ME DECLARO DUA FÃ.
    BEIJOS E SUCESSOS MIL.
    TIA ANGELA.

  4. Thais Polimeni

    Eu que sou fã de vocêêês, Botti e Celia! Como é bom ser fã de gente do bem como vocês, viu! 🙂
    Obrigada pelo apoio de sempre!
    Superbeijo,

  5. Celia

    Sou sua fã. Para mim é uma cronista crônica,rsrsrs. Parabéns.Bjao

  6. Alexandre Botti


    Sou seu fã. Parabens

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