Da ignorância à involução?

 

 

Desta vez não é o já “mítico” Guilherme Fernandes, crítico de cinema aqui do Jornalirismo, que apresenta um texto sobre filmes, caro leitor. Desta vez sou eu, aquela que sempre envereda para o lado do amor e dos relacionamentos humanos.

Então, vamos lá: vou tentar ser tão boa quanto o Guilherme.

 

O filme Lucy, novo trabalho do diretor francês Luc Besson, em cartaz nos cinemas, começa com um questionamento: e se, porventura, você usasse seu cérebro com capacidade total? Ou seja: se, em vez de apenas os supostos protocolares dez por cento, você pudesse ultrapassar barreiras e atingisse o ápice? Do que você seria capaz? Talvez, você pense: “Ah, é um filme de inteligência artificial, com um monte de efeito especial e computação gráfica”.

 

De fato, se considerarmos o escopo geral, é uma definição verossímil. Contudo, a verdade está além daquilo que se vê, certo? Pois bem, Lucy faz uma analogia da criação humana e de todo o seu potencial. O que rege um homem, além de sua ganância e ambição? Como começamos? Onde estamos e para onde vamos?

 

Questionamentos se não respondidos, ao menos esboçados em um filme no qual Luc Besson trabalhou por cerca de uma década para deixá-lo pronto ― e ainda com a atuação perfeita da musa Scarlett Johansson, que não faz questão nenhuma de se apresentar bela. Muito pelo contrário. Parece que todos os seus papéis dramáticos renderam uma firme evolução. Scarlett deixou de ser mocinha para se tornar mulher que faz qualquer papel.

 

 

Scarlett Johansson vive Lucy. Filme discute chance de o ser humano evoluir

 

No filme, Lucy é envolvida em uma enrascada pelo namorado, Richard. De estudante jovem na China ela passa a ser mula de drogas. Aí é que começa a história. Lucy é obrigada pela máfia chinesa a transportar grande quantidade da droga sintética CPH4, em seu estômago. Contudo, ela apanha tanto, que a droga estoura no seu corpo e adentra sua corrente sanguínea. Eis que ela começa a utilizar, gradativamente, toda a sua capacidade cerebral.

 

O.k., o.k., você pode questionar: o que é CPH4? Isso é lenda? Bem, pesquisei e descobri que o termo existe. Contudo, com outro nome. CPH4, conforme justificado pelo próprio Luc Besson em entrevistas, é uma enzima que a mãe transfere ao bebê durante a gestação. O que ela faz? Ela é responsável pela formação óssea de um ser humano. Funciona como se fosse uma bomba atômica.

 

Daí, provavelmente, a analogia, pois no filme é isso o que de fato acontece. Quando a droga entra no sangue de Lucy, ela “explode” e provoca uma transformação cerebral de grande proporção. Lucy, então, adquire múltiplos poderes, com o de ler mentes e decifrar qualquer língua.

 

Eis uma parte que adorei: a metáfora à sociedade. Lucy questiona o que nos rege. Será mesmo a matemática, com todos os seus cálculos exatos e toda a sua certeza? Será a tecnologia, e todo o seu potencial de construir e destruir uma nação? Não! Mas o que Darwin queria dizer com toda a sua teoria evolucionista, então? Segundo o filme, o que rege a sociedade, o ser humano e todos os seus acontecimento é algo muito maior: o Tempo! Sim, ele, que, de tão relativo, se torna o senhor de tudo. É por meio dele que o universo se formou, que o ser humano evoluiu, que a vida se tornou o que é hoje. Porém, tudo, nada mais é do que uma amostra do tempo.

 

Lucy vira então Deus. Um Deus presente em tudo e em todos com um ideal de proteção. Fica então um questionamento, meu e do filme: se o ser humano tem o dom de evoluir por meio do tempo, por que, então, a ignorância nos faz regredir?

 

Luc Besson acertou em cheio ao colocar Scarlett como uma anti-heroína às avessas, cheia de medos no começo e senhora de si no desfecho. Acertou ao escolher Morgan Freeman como um coadjuvante à altura. Só errou na quantidade de efeitos especiais, ao meu ver. Não precisava de tantas explicações sobre o tema, algumas mensagens poderiam ficar intrínsecas, subentendidas. Mas, o.k., vou considerar que ele se dedicou ao máximo e se emocionou demais ao ver o resultado final perfeito (ou quase) de um trabalho digno de Oscar. Sim, eu diria, eu apostaria.

 

Veja o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=7_uXimuRT60

 

Filme: Lucy (Lucy, França, 2014, 89 min.)

Direção e roteiro: Luc Besson

Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Analeigh Tipton


Foto: Divulgação

19 comentários para “Da ignorância à involução?”

  1. Flavio Rodrigues

    Um dos melhores filmes que assisti. Sem dúvida a atuação de Johansson é fundamental para q ele seja tão bom, mas a atuação de Morgan Freeman como cientista é impecável. Ele explicando o assunto convence bastante e deixa os telespectadores questionando se aquilo ñ é mesmo verdade (eu até gostaria q fosse em parte).
    A história é bem amarrada, com um certo embasamento científico (já q ele usa uma droga sintética possível de ser criada no futuro) e mistura isso com teorias não provadas, mas que deixam uma dúvida em quem tem curiosidade sobre esses temas científicos ou mesmo gosta de ficção.

  2. Maycon

    Bom! Gostei do filme! Muito interessante ler os comentários também. Não vejo Lucy como Deus, acredito na evolução do cérebro, mas pra mim Deus criou todas as coisas, e pra mim todos nós vamos evoluir 100% ao morrer e vira espírito, a bíblia diz que as coisas da terra são cópias do mundo espiritual graças a Deus estamos limitado na matéria mas tenho certeza que Jesus Cristo chegou aos 100% do seu cérebro e ele falou que somos capaz de fazer coisas maiores. Mas como o filme fala estamos preocupados em ter e não em ser. Se dedique a Deus e você terá uma grande evolução principalmente no mundo espiritual!!!

  3. matias

    Já usei LSD algumas vezes e estudei muito os conhecimentos milenar da china e principalmente o Budismo. Por ter usado o LSD e ter experiencias profundas consegui entender o filme de uma ótica q acho muito difícil um leigo no assunto saber. Muito bom o filme e profundo… O que é real? Como diz Morphues em no filme Matrix!

  4. sergio

    Todo mundo fala em DEUS mas se esquece por completo da etmologia das palavras onde reside segredos sondaveis se prestarmos atençao,DEUS,TUPAN dos tupis Guaranis,quer dizer a mesma coisa TU<eu,ele,ela é PAN,è DEUS Todos somos DEUSES Di EUs Todos os EUS somos deus,porque o eterno com primordial ou o primeiro ou matriz se se multiplica por projeçao em todos os lugares coms as mascaras diferentes para interjir consigo mesmo,vao pensando ai se anao tem logica

  5. Jacinto Macuacua

    Seria bom se levasse-mos em conta que TRATA-SE DUMA FICÇÃO CIENTÍFICA e que nada é real.
    Segundo EU, acho que a história é meio bíblico.

    VEJAMOS:

    1-TRATA-SE DE DEUS NA TERRA;

    2- COMO SE CHAMA O deus DA TERRA;

    3- O NOME DA ATRIZ É LUC (diminuitivo do nome Lúcifer )

    4- NO FIM ELA DIZ: "estou em todo lado" ALÉM DE DEUS QUEM ESTÁ EM TODO LADO DO MUNDO?

    5-EU POSSO ESTAR ERRADO, MAS É TANTA CONSCIDENCIA .

    BOM FILME (na visão cinematográfica)

  6. Teddy Molsben

    Assisti o filme, li a matéria e também todos os comentários. Muito bom! Primeiro devo dizer que a atual produção por traz da TV é um "buraco negro" que consome pelo comodismo. O próprio filme afirma isso quando Lucy supostamente consegue o domínio sobre o próprio cérebro e passa a controlar a televisão, telefone e rádio. O questionamento sobre CPH4 é válido pela ótica da ficção, mas a busca pelo conhecimento é a informação camuflada pela ação acontecendo na tela, ou seja o "abracadabra" da mágica que só acontece por causa da sua distração! Atente para a afirmação: " 1+ 1 nunca foram dois". Certamente o Josemario foi o mais certo em sua interpretação (comentários acima), porém falho por não perceber que a verdadeira exposição na extensão do filme é a crença monoteístas e politeísta. Segundo o filme os humanos crê em um único ser supremo – Deus – explicado pela teoria da evolução e o Big Ben. É muito visível que em qualquer uma das duas ela se mostra como a busca da excelência da criação através do tempo. Pela ótica de Darwin Lucy foi a primeira mulher na terra, porem segundo a teoria do Big Ben Lúcifer foi a primeira "mulher" na terra – Para os humanos só há um Deus (monoteísmo). Certamente Lúcifer se constitui na figura e imagem de uma mulher, mas segundo o politeísmo é um ser supremo e Único detentor do conhecimento por meio do tempo. Perceba que a explicação gira em torno do corpo humano e a divisão celular que nada mais é do que a forma de chegar ao tamanho do conhecimento de Lucy ( ou Lúcifer como preferir). Um óvulo ao ser fecundado se divide primeiramente em duas partes, depois em quatro, oito e assim por diante. O filme relata tal fato do final para o começo como uma forma de dizer que "Lucy" é única, ou seja, a ciência afirma a ordem de composição do corpo: célula, tecido, órgão, sistema, organismo e corpo, porem o objeto literal do conhecimento não é a célula, mas o corpo (indivíduo) como parte de um organismo, desempenhando funções em um sistema, composto por órgãos regidos por um Ser Único invisível ao olho – Lucy exercendo a figura de Deus. A sequencia de cena onde um carro em movimento é acelerado milhares de vezes, então ele acaba sumindo. Se você não o vê logo Ele (referencia a Deus) não existe. Segundo o monoteísmo Lúcifer era um Anjo de Luz que foi expulso do paraíso para a terra (ou inferno, como preferir) por que queria tomar o lugar de Deus. Os então seguidores de "Lucy" busca o conhecimento de Deus – a excelência da criação – uma vez lhe jurado lealdade eles não mais se caracterizam como humanos e por meio do conhecimento adquirido passa a ter um outro olhar privilegiado como os de um golfinho – sonar de ecolocalização, ainda afirma que não o inventarão mas o desenvolverão. Para ter o domínio sobre o corpo e a matéria é necessário 40% do conhecimento, ou seja, 40% de todas as pessoas existentes. Como a vida humana é marcada por gerações é necessário que o conhecimento adquirido de "Lucy" seja repassado (afirmação do personagem de Morgan Freeman). Os homens são um habitat favorável ao conhecimento, já as mulheres se reproduzem para que esta corrente de informação não pare de crescer e atingir os então 100% desejados. Não faz sentido? Atente para o fato de "Lucy" (Scarlett Johansson) voltar no tempo e ficar frente a frente com a outra Lucy (animal/macaco tido como a primeira mulher na terra). Quando as duas se tocam acontece a explicação do Big Ben e o final do filme é a divisão da terra em duas – Deus e "Lucy".

  7. Paulo

    O filme é bom, porém da parte biológica (cerebral) é muita mentira, ninguém lembra de respirar , de piscar os olhos ou até mesmo fazer seu coração bater, o cérebro é perfeito pois ele faz com que seu corpo funcione sem ai menos você perceber.
    Mas o filme é muito bom indiscutivelmente.

  8. Antônio Augusto

    O que mais me chamou a atenção nesse filme foi que Lucy não sabia o que fazer com tanto conhecimento , e o professor lhe disse que , o que ela poderia fazer seria compartilhar seu conhecimento adquirido . Dou muito valor a isso COMPARTILHAR CONHECIMENTOS . É assim quem se gera a evolução e o homem em si é muito ganancioso , muito malicioso , esse tipo de pensamento atrasa o bem da humanidade !

  9. Mavi Broetto

    legal o filme, bacana mesmo, mas… eh ficção! usamos 100% do nosso cérebro, mas em atividades alternadas, nosso cérebro eh explorado por completo, e nós podemos ativar todas suas células, porém n ao mesmo tempo 😉

  10. Odilio Neto

    Sou professor de Biologia e gostei tanto do filme que passe para os meus alunos do Ensino Médio, eles adoraram o enredo, pois trás ali várias teorias da evolução de Darwin, o controle do metabolismo, sempre explico aos meus alunos que as células são organismos independentes e controlam a entrada e saída de substâncias, a questão do tempo ser relativo explica e une a teoria da criação com a teoria da evolução, pois o tempo para Deus é relativo um dia pode ser mil anos, e creio que Ele criou todas as coisas e a evolução é um fato natural para os seres vivos se adaptarem as mudanças e sobreviver. Realmente é um filme que esta alem da ação, e faz com que possamos esta atentos ao verdadeiro sentido da vida.

  11. MARIA MIRIAM

    Bem, gostei, questionei o filme do início ao fim. e ainda estou me questionando a nova postura de Lucy (CPH4) frente ás explanações sábias do cientista, perante uma plateia jovem e voltada para o vulcão da era da informática, sobre o ínfimo percentual de( 10% QI humanos)
    Sinto no sorriso de Morgan que esta história continua. E eu desejo que seja breve.
    Não concordo em comparar Lucy com Deus. Talvez as colocações das palavras em conjunto com as cenas finais, dar-se a impressão que Lucy se transformou em 100% conhecimento e entendimento sobre tudo e todos – que existe. E que o cálculo do fator que dá a Vida há mais de 5bi de anos é TEMPO.
    SUGESTÃO: Leiam o Salmo 139. – Eu me reportei a ele muitas vezes, para entender o enredo da historia de LUCY. Onipotência, Oniciscência e Onipresença só num Ser Deus.

  12. josemario

    Na minha analise ,percebi que se trata de uma analogia biblica o onde "lucy"adquiriu o conhecimento tao desejado por Adao e Eva(Quando foram tentados no Edem)que é oa 100. P cento de sua capacidade mental.
    Quando se mostra a criaçao do mundo e as nuvens cosmica se ve a intençao do autor em fazer uma analogia aos anjos que foran espulsos do ceu!Daí me veio na cabeça! Quem foi espulso e caiu como estrela?posso te responder!Lucifer.anjo de luiz(Lucky).
    Fortaleceu minha tese mais ainda na frase que ela usou no final:"estou em todo lugar".

  13. Tiago Pereira

    O domínio do mistério é um campo aberto às conquistas da inteligência. Pode−se andar nele com audácia, nunca se reduzirá sua extensão, mudar−se−á somente de horizontes. Todo saber é o sonho do impossível, mas ai de quem não ousa aprender tudo e não sabe que, para saber alguma coisa, é preciso resignar−se a estudar sempre!
    Dizem que para bem aprender é preciso esquecer várias vezes. O mundo seguiu esse método. Tudo o que se questiona em nossos dias havia sido resolvido pelos antigos; anteriores a nossos anais, suas soluções escritas em hieróglifos não tinham mais sentido para nós; um homem reencontrou sua chave, abriu as necrópoles da ciência antiga e deu a seu século todo um mundo de teoremas esquecidos, de sínteses simples e sublimes como a natureza, irradiando sempre unidade e multiplicando−se como números, com proporções tão exatas quanto o conhecimento demonstra e revela o desconhecido.

  14. Luiz Augusto

    Ótima explicação
    Eu já estou chateado em ter que explicar sobre o filme e agora peguei o link do texto e envio para as pessoas. Me apaixonei mais ainda com um detalhe que não tinha parado para analisar e li no seu texto que é a questão do "tempo" obrigado.

  15. Rafa

    Como resenha ficou uma excelente sinopse.

  16. Brenda Letícia

    Tipo
    Essa resenha sobre o filme ‘Lucy’ expressou muito bem o meu ponto de vista ao assistir ao filme. Estava procurando por alguém além de mim que entendeu que quando Lucy atingiu a capacidade total ativa do cérebro e tomou uma forma imaterial, se tornou deus, mostra que em escala real temporal nós podemos evuluir à ponto de conseguirmos utilizar totalmente o cérebro, só que iria levar cerca de bilhões de anos, e consequentemente nesse tempo o sol já teria se tornado uma super nova. Então, eu acho que a minha teoria esteja completamente errada, ou talvez não. Provavelmente nossa fisiologia ficaria semelhante à figura de um e.t. e eu fugi do tema central, ou não, enfim meresso zero. Mas, sim, ótima resenha, viu quantos pensamentos surgiram?!

  17. thiago caponne

    entao, achei q o filme foi todo na medida certa para algumas pessoas q nao entendem tanto as entrelinhas ele esta perfeito desde um publico mais entendido ateh um publico mais leigo, pois creio q essa foi a visao do genio luc besson. tudo q ele faz fica perfeito desde os seriados ateh longas.
    acho q eh um dos melhores filmes q jah vi sendo q alguns efeitos ele nao soube montar e para q ele pudesse explicar ficou um pouco viajado. mas levando em conta q o materialismo eh uma coisa livre e sem limites como ele expressa no filme, tudo torna-se crivel !!! muito bom !

  18. Guilherme Fernandes

    Ah, Garota!
    Bela crítica, Carol! Suas reflexões me fizeram pensar um pouco melhor no filme, observar de sob um novo prisma. Beijão! 😉

  19. Keli Vasconcelos

    Show!
    Show a resenha, Carol, mandou bem! Fiquei curiosa em assistir o filme e gosto do trabalho da Scarlett. Adorei o ‘mítico’ em relação ao Guilherme Fernandes. Se cuida Guilherme, rsrsrsrs! Muita luz! =D

Comentário