Duzentos anos de purificação

 

Mundo Henfil,

Ao som de “Oração ao tempo”, na voz de Maria Bethânia, escrevo para falar menos de lugares e mais de pessoas – gentes de purificadas visões, homem e mulher tomados pela poética presença da vida.

O homem verteu as curvas do seu país para o papel e depois ocuparam os espaços urbanos – horizontes de montanhas abstratas em monumentos concretos. Em Sampa do sempre menino poeta de Santo Amaro ou pelo mundo de tantos outros seres lindos.

A arquitetura, em contato com a poesia, é a purificação dos discursos, algo de belo oferecido aos olhos todos – a democrática certeza de que a beleza não é privilégio de alguns.

O homem verteu as curvas do corpo miscigenado das mulheres brasileiras e assim encheu de brasilidade o olhar atônito dos transeuntes. Venceu o tempo determinado porque sempre esteve além dele. Eterno poeta dos versos arquitetônicos.

A mulher iluminou a Bahia ao lado de Zeca, e parceiros no amor, e amantes das cantorias, das canções interioranas – deram à luz os filhos nas terras da Purificação.

Amada por ser amor o tempo todo e dona de olhar otimista diante dos seres e dos acontecidos do mundo. Diria Drummond que mulher da envergadura de Zélia Gattai, Mãe Menininha do Gantois e das mulheres baianas todas – foi cantar seresta junto das estrelas.

A vizinha que qualquer um gostaria de ter. O colo generoso e acolhedor de quem tinha as sabedorias todas da generosidade. Feminina alma de sorriso aberto…

A mulher iluminou cidadezinha imensa ao lado de Zeca e foram tantas décadas e tantas canções… Oscar Niemeyer e Dona Canô – duzentos anos de purificação.

 

Veja aqui Maria Bethânia cantando “Oração ao tempo”:

 

Leia mais sobre Oscar Niemeyer em “A gente tem de sonhar, senão as coisas não acontecem”, clicando aqui.

 

 

Um comentário para “Duzentos anos de purificação”

  1. Jennifer Damaceno

    Oração do tempo
    Com ao passar do tempo essa musica se torna mais bela.

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