“É um, é três…”

 

Domingo, 26 de outubro de 2014. 20:40.

 

Eu estava parada no ponto de ônibus da avenida Paulista, em São Paulo. Havia acabado de sair do cinema. Tinha ido ver Drácula.

 

Às ruas, começava um burburinho. Tudo a favor da reeleição de Dilma Rousseff.

 

Domingo, 26 de outubro de 2014. 20:50.

 

Eu olho para o lado da Livraria Cultura. Uma multidão se aproxima. Todos com suas bandeiras vermelhas, seus gritos a favor de mais quatro anos com uma mulher no poder e frases, como “Chora na Cantareira” e “Um, três, Dilma outra vez”.

 

Neste exato momento, saí correndo do ponto de ônibus, literalmente, na direção da multidão. Eu tinha de registrar aquele momento. Tinha de gravar toda aquela manifestação que comemorava a reeleição de uma mulher que perdeu a linha algumas vezes, em outras escorregou em algumas regras políticas, mas não esmoreceu.

 

Domingo, 26 de outubro de 2014. 21:00.

 

Eu estava lá. No meio daquele povo que ria, cantava… Meu corpo começou a ser tomado por uma emoção boa. Eu me sentia parte daquilo. Me sentia brasileira, cidadã. Me sentia jornalista.

 

A gravação deve ter tremido um pouco. Mas você pode sentir aqui.

 

 

Todos caminhavam para o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Eu fui junto. Eu vi junto com a multidão, o povo se unindo mais e mais. Os carros buzinando. As vozes ecoando. Dava a sensação de que brasileiro não quer mais saber de riquinho no poder. Privatização assusta e deboche também.

 

A verdade de cada um? É única, mas os interesses podem se unir. Só nos resta a tal esperança de que as coisas realmente mudem.

 

Domingo, 26 de outubro de 2014.

 

Eu estava lá.

 

*Dilma Rousseff, do PT, foi reeleita no domingo, 26, em segundo turno, para mais quatro anos como presidente da República. Ela recebeu 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB). Foram 54 milhões de votos para Dilma, contra 51 milhões de votos para Aécio.

 

 

Ilustração: Emanuelle Calisto

 

 

Leia também “Dilma não ganhou”, por Thais Polimeni

 

 

*Carol Peres é jornalista e escritora. Contato: [email protected]

 

3 comentários para ““É um, é três…””

  1. Carol Peres

    Carol Peres

    Prezado Samuel
    Seria por demais interessante afirmar que eu não discordo totalmente de uma privatização. Sei muito bem que ela pode, sim, gerar resultados positivos. Contudo, privatizar não é a única solução, até porque sabemos que depois de 20 anos perdemos o bem para uma instituição privada, certo? Privatizar sim, mas com parcimônia, até porque para chegar a este fim, é preciso ter analisado todas as outras possibilidades de meios.

    Quanto aos "riquinhos" explico que me refiro a uma classe hipócrita que jura que vai conseguir mudar alguma coisa com um objetivo superficial. O Brasil é um país de história política riquíssima para ficarmos nos pregando a egocentrismos arraigados e objetivos pessoais fantasiados de bem para a sociedade.
    Abraços.

  2. Samuel

    Riquinho e privatização
    Prezada repórter, seria por demais interessante conhecer a vossa definição de "riquinho" e "privatização". A primeira soa preconceituosa e a segunda desinformada. A primeira dispensa comentários, mas quanto à privatização, seria interessante a profissional refletir sobre as "parcerias público-privadas", as "concessões" e o reconhecimento, por parte do PT, de que não há como o Estado arcar com todos os investimentos em infra-estrutura necessários ao desenvolvimento do país. Aliás, vc acha q seria possível registrar esse "momento mágico" se os celulares ainda custassem R$10.000, como na época da EMBRATEL?

  3. Shellah Avellar

    Shellah Avellar

    Exercício de Democracia
    Belo registro,Carolina Peres.O momento decisivo registrado por olhos atentos e "conhecimento de causa".A Mulher Resistente,Orgulho de uma geração de Chumbo e Cicatrizes,conquistou mais uma vez seu merecido lugar,neste país:a Presidência.Mostrou mais uma vez sua fibra,apesar do Ódio,do Preconceito e do Esgoto da Mídia e da Latrina das Redes Sociais,onde ,finalmente caíram por terra as máscaras da hipocrisia.Agora,pelo menos sabemos onde pisar.bjkas kosmikas.

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