Especial Islã: Somente o amor vencerá o extremismo

 

 

Quando eu dizia para as pessoas que era muçulmano, ouvia coisas do tipo:

 

— Mas você nasceu lá ou aqui mesmo?

 

Com certa dose de ironia, devolvia:

 

— Lá onde, amigo?

 

Sim, porque Islã não é um lugar, em termos geográficos, não é um Estado-nação, não fica na Ásia e tampouco no Oriente Médio. Islã significa, etimologicamente, “submissão à vontade de Deus”. A curiosidade das pessoas levava-me a lhes explicar que, por livre e espontânea vontade, me “reverti” ao Islã. O que suscitava ainda mais perguntas. Alguns diziam:

 

— Reverteu? Você não estaria querendo dizer “converteu”?

 

Não, o termo correto é reversão mesmo, pois cremos que tudo o que foi criado por Deus é muslim, palavra árabe para muçulmano e que significa “submisso à vontade de Deus”. Assim sendo, as inanimadas pedras, as velozes gazelas, a folha que cai da árvore e os seres humanos estão todos submissos à vontade de Deus. Logo, tudo no mundo e no universo é muslim e nós humanos assim nascemos. Depois seguimos ou a religião de nossos pais ou fazemos nossas próprias escolhas de profissão de fé, ou ideologias políticas. Então, quando voluntariamente resolvemos realizar a Shahada (equivalente ao batismo), estamos voltando pela própria vontade ao Islã.

 

Muitos achavam um tanto inusitado um brasileiro, sem ascendência árabe, ser muçulmano. Admito, realmente: pode ser considerado inusitado; contudo, o mais inusitado foi que um ateu me levou ao Islã; ao passo que anos mais tarde muçulmanos quase me levaram ao ateísmo. Isso é outra história e ficará para outra oportunidade.

 

 

Na França, com muçulmanos de origem argelina

Pois bem, há quase dez anos, viajei para o “Velho Mundo”, fui à terra do iluminismo numa turnê com a extinta banda de rap maranhense Clãnordestino. Ficamos um mês por lá, especialmente na cidade de Le Mans. Fizemos shows em festivais de jazz, tocamos em diversos pubs franceses e nos integramos com os jovens por meio de oficinas de música e de cultura brasileira. O apartamento onde a banda se hospedou ficava num calmo bairro de classe média, um tanto parado demais para meu coração ávido por contatos com pessoas e histórias. Aos 22 anos de idade meu amor pelo rap francês acalantou meu sonho de conhecer o país. Em novembro de 2005, lá estava.

 

Acordávamos sempre muito cedo para os ensaios e as apresentações foram realizadas com musicistas franceses, tocando nosso repertório. Extremamente profissionais, nunca se atrasavam. O estúdio fica num centro cultural comunitário, que serve à população de jovens da periferia daquela província. Numa dessas ocasiões conheci um rapaz mais velho, chamado Nabil, uma referência aos jovens daquele bairro, uma espécie de irmão mais velho de todos os garotos dali. Ao vê-lo pela primeira vez imaginei, pela sua fisionomia: seria um franco-argelino. Impressão confirmada por ele mesmo quando finalmente conversamos, mas com uma pequena correção:

 

Non, je suis algérien!

 

Disse enfaticamente.

 

Nabil ficou muito surpreso e intrigado quando soube que me chamo Sharif, nome islâmico que escolhi quando me reverti. O que o levou a perguntar por que tinha aquele nome e se eu era árabe. Respondi não ter ascendência árabe e ser brasileiro revertido ao Islã. Seus olhos brilharam, novamente indagou:

 

— Por que você se reverteu ao Islã?

 

Minha resposta foi:

 

— Essa é a melhor religião do mundo!

 

Efusivamente, dentro do estúdio, ele começou a bradar quase em pranto de tanta felicidade e surpresa:

 

Allahu Akbar! Alhamdulillah! (Deus é Grande! Louvado seja Deus!)

 

Disse-me que de Brasil ele e seus amigos e familiares só conheciam bunda, Ronaldinho e Zé Pequeno, personagem do filme Cidade de Deus, que virara uma febre entre os franceses. Para ele era praticamente um milagre eu ser muçulmano.

 

Nossa comunicação começara com minha dificuldade de entender o idioma francês, mas foi logo superada pela nossa fé em comum. Ele buscou a tradutora que acompanhava as atividades da banda em turnê pedindo a ela para falar que gostaria que eu conhecesse sua família. Eu disse que seria uma honra, após meus compromissos profissionais estaria disponível para ir. Nabil pegou o endereço do nosso apartamento e no outro dia estava batendo à porta pontualmente no horário combinado. Entrei no seu carro e entendi ele dizer que, antes de ir a sua casa para conhecer a sua família, eu iria conhecer o bairro e seus amigos. Levou quase vinte minutos para ele me explicar isso e eu entender.

 

 

Recepção de príncipe no banlieue, o gueto

Chegamos ao bairro, era um verdadeiro complexo de prédios um tanto parecido com nossas Cohabs paulistanas. Conheci este modelo de habitação urbana por meio de videoclipes de hip hop francês, que tanto amava e pesquisava. Era o subúrbio, o ghetto, ou o banlieue na linguagem popular de seus próprios moradores. Majoritariamente habitados por magrebinos muçulmanos e outras populações de origem africana, no centro do conjunto de prédios havia uma quadra de esportes, onde dezenas de jovens, todos homens, se revezavam em uma de suas paixões: o futebol. Havia algumas rodas onde se fumava hashish, droga muito popular entre os franceses. Tudo isso me remetia à memória uma frase do rap brasileiro, que sempre fez muito sentido em minhas vivências: “Periferia é periferia em qualquer lugar”.

 

Na quadra alguns me cumprimentavam após reverenciar Nabil, o “irmão mais velho”, com Assalam Alaikum, ao que eu respondia Alaikum Assalam, tal como havia aprendido nas aulas de religião nas mesquitas brasileiras. De início não me deram muita importância, descobriria depois que o motivo foi minha fisionomia, muito comum entre os magrebinos. Como não disse nada além da resposta à saudação islâmica, passei por um deles. Nabil então chamou, aos gritos, todos para me conhecer. Eles não entenderam muito bem e se mostraram um tanto reservados ou mesmo tímidos. Mas, quando Nabil falou (esbravejou na verdade. Sim, eles falam muito alto e às vezes parece que estão brigando, é a performance em suas falas) que eu era um muçulmano do Brasil, tudo mudou; largaram a bola, os baseados de hashish e começaram a se aproximar. Alguns visivelmente surpresos, outros bastante exaltados, falavam rápido e alto, estendiam suas mãos para cumprimentar, os braços para me abraçar e outros simplesmente vinham beijar meu rosto. Dois beijos, um em cada lado da face, é sinal de consideração, costume árabe. Me beijaram quatro vezes, duas em cada lado do rosto. Sorrisos e muitos gritos de Allahu Akbar, Alhamdulillah ecoaram pela quadra chamando a atenção de passantes, comerciantes e outros jovens naquele bairro árabe. A notícia se espalhou rápido e mais gente começou a chegar, todos queriam ver o “musulman brésilien”, queriam tocar, começaram a tirar seus cachecóis, bonés, blusas e me deram tudo de presente. Meus braços ficaram pequenos para carregar tudo, então eles o fizeram para mim.

 

Vieram mais perguntas. Como eu demorava pelo menos vinte minutos para entender cada frase e à custa de muita mímica, se dirigiam a Nabil, que também não dava conta de responder a todos na velocidade em que perguntavam. Queriam saber se meus pais eram do Magrebe, se eram muslims. Eu dizia que não, eram cristãos e eu, um revertido. Novamente gritos de Allahu Akbar, Alhamdulillah ecoavam. Alguns choravam e faziam preces, parabenizavam-me, presenteavam-me, beijos e abraços, me emocionei. Logo começou uma discussão entre eles, confesso que levei bom tempo para entender o motivo e, ao entender, me emocionei novamente. Brigavam porque queriam que eu fosse a casa deles e Nabil dizia que tinha me convidado primeiro e sua mãe havia cozinhado e esperavam-me. Foi muito difícil dividir meu tempo para realizar tantas visitas, tanto quanto foi, ao término da viagem, fechar a minha mala por causa dos tantos presentes recebidos. Até então só havia estado com franceses brancos. Já tinha ouvido falar da hospitalidade árabe, mas pude notar a diferença cultural ali: os franceses te tratam bem, os magrebinos preterem a si mesmos para tratá-lo muito bem. Têm satisfação na sua satisfação. Naquela semana, naquele bairro, fiquei tão popular quanto Ronaldinho, um dos ídolos de seu esporte preferido. Me senti um príncipe, nunca fui tão bem tratado em minha vida.

 

A partir dali, se eu precisava ir ao centro, eles vinham com seus carros e me levavam, saíam mais cedo de seus empregos, deixavam suas namoradas e afazeres. Se eu quisesse comer algo, não me deixavam pagar. Aliás, queriam que eu comesse o tempo todo. Engordei dois quilos. Me levavam à mesquita, a casa de outras pessoas, queriam que eu jogasse futebol com eles e disputavam entre si, muitas vezes aos berros, quem me trataria melhor. Futebol dava briga também, todos me queriam em seus times. Quase me incomodavam com tamanha gentileza. Eu não tinha como retribuir. Eles não queriam retribuição tampouco.

 

No interior da casa de Nabil me senti em um pedaço da Argélia. Tirei os sapatos, tal é nosso costume, e adentrando avistei peças de arte argelina, artigos religiosos pelas paredes e lindos carpetes. Um cheiro maravilhoso de comida pairava no ar. Pessoas simples e caprichosas. A casa era humilde e linda. Conheci mãe e pai de Nabil e meu francês macarrônico em nada atrapalhou, me senti à vontade. Fomos até à pequena sala de jantar e ao centro havia uma mesa farta, com comida, petiscos e quitutes árabes. Nenhuma bebida alcoólica. Lindos pratos ornamentados com arabescos, doces deliciosos (infelizmente não lembro os nomes, mas os sabores ainda povoam minha memória gustativa, graças a Allah!). Me senti príncipe novamente. Chorei.

 

Entre ensaios e shows sempre nos encontrávamos, bastava passar para Nabil o endereço de onde estaria com a banda, e ele chegava sempre com dois ou três amigos. Tunisianos, marroquinos, argelinos. Um dia me levaram ao estádio municipal, me emprestaram chuteiras, camisa, calção, meião, caneleiras. Tentei explicar que não era muito bom de bola, mas não deram bola à minha escusa. Tenho duas pernas esquerdas, quem me conhece sabe. Mesmo assim, fiz dois gols naquela tarde na maior cagada, como dizem os brasucas. Um deles de letra. Sem querer, tudo bem. Até tentei explicar depois, mas me ergueram em seus ombros e um deles disse que além de bom de bola eu era modesto e humilde também.

 

 

Preconceito e revolta

Andando com Nabil em le banlieue entendi mais sobre a realidade dos jovens lá. Não havia muitos empregos e cortes nos gastos sociais, devido à economia francesa não ir lá muito bem, faziam deles os principais afetados. Junto com isso, muito racismo e discriminação por origem, religião e cultura. Sofri isso na pele ao adentrar uma loja de revistas. Avistei a foto do atleta Grafite em uma capa de revista de esporte. Queria apenas mostrar a eles e dizer que aquele jogador era de meu país, mas eles já sabiam e o tinham como ídolo, inclusive. O dono da loja, um senhor branco e idoso, começou a gritar comigo e apontar a saída da loja. Não entendi direito o que ele disse, mas os jovens o interpelaram bruscamente e numa resposta rápida e agressiva gritavam:

 

Fils de pute. Racist!

 

Isso entendi sem tradução. Tornei-me argelino ali. Meu rosto e minha religião, os irmãos com quem andei e a discriminação que sofri confirmavam isso. Finalmente compreendi por que aqueles jovens, quarta geração de imigrantes do Magrebe na França, não eram franceses. “Je suis algérien”, diziam batendo no peito.

 

Uma semana depois do episódio da loja de revistas, dois jovens argelinos fugiam de uma possível batida policial num subúrbio parisiense. Entraram em uma estação elétrica e um deles morreu eletrocutado. A França, racialmente falando, é um cordão esticado ao máximo. Tensionado no último. Naquela noite o cordão rompeu e a população magrebina dos ghettos, especialmente os jovens, saíram em violentos protestos e vandalizaram ruas, saquearam lojas, e tocaram fogo em mais de cinco mil veículos por toda a França. Jornais mundo afora noticiaram por dias os desdobramentos dos fatos. Paris queimou e o fogo se espalhou por toda a França, posteriormente os protestos ganharam força também em Bruxelas e se alastraram por boa parte da Europa, protagonizados por jovens iguais aos que havia conhecido. Em resposta, mesquitas foram atacadas e a ultradireita reagiu energicamente com discursos xenófobos e racistas. Oportunidade para arregimentar eleitores inclinados a ideologias extremas. Ficamos ao menos dois dias sitiados no apartamento. Autoridades alertavam pelos meios de comunicação que os cidadãos não deveriam sair de suas casas. As mesmas autoridades, que não tinham crédito com esses jovens descrentes das instituições francesas, tiveram de pedir para meus ídolos do hip hop de lá dialogarem com eles, a fim de acalmá-los. Vi pelo menos Akhenaton e Kery James em links ao vivo na tevê falando sobre os violentos protestos.

 

Participei de manifestações pacíficas ao lado de meus irmãos na cidade de Le Mans. Pediam fim da brutalidade policial e do racismo institucional. Pediam empregos e oportunidades iguais. Também vi algo durante protesto de que participei, em frente à prefeitura de Le Mans, que seria impensável no Brasil: o prefeito da cidade saiu de seu gabinete e veio pessoalmente dialogar com os manifestantes e ouvir suas reivindicações. Ele mesmo cumprimentou-me sem polícia, sem segurança privada. Pegou na mão das principais lideranças e de outros manifestantes. Levou as pautas para dentro da prefeitura junto com os linhas de frente do movimento.

 

 

Lições de fraternidade

Em um mês na França, a maior parte do tempo em Le Mans, posso afirmar que tive aulas práticas de história contemporânea, etnografia e geopolítica. Mas a principal lição que aqueles jovens me ensinaram foi o exemplo de identidade e fraternidade que eles têm. O senso de comunidade, mesclado a um certo bairrismo, faziam-me pensar no quanto nós brasileiros somos fracionados, fratricidas e em como assimilamos a violência cotidiana que assassina, muitas vezes por mãos da polícia, a nossa juventude negra e periférica, sem que grandes manifestações tomem corpo. Sem que tomem consciência de raça ou de classe os meus irmãos. Em “Negro Drama” Edi Rock, do Racionais MCs, diz: “Me ver pobre, preso, morto já é cultural”. E eu diria banal e cotidiano, inclusive para os alvos, as vítimas.

 

Tornei-me muçulmano na busca desta identidade. Na busca da minha recuperação intelectual, defasada pela escola pública com sinal de fábrica entre uma aula e outra. Linha de produção de proletários submissos e frustrados marginalizados. E encontrei, renasci Sharif, que, em árabe, significa nobre. Estava cansado de ser pobre. Dei entrevistas para uma revista de grande circulação nacional no Brasil sobre isso. E por causa dessa entrevista dei outra entrevista para um jornalista francês que veio ao Brasil conhecer “o movimento dos muçulmanos das periferias”. Na oportunidade que tive de ir a Toronto, no Canadá, algum tempo depois para um intercâmbio cultural, passei horas na mão de oficiais dos serviços de imigração e da polícia federal. Por ser muçulmano, por portar Alcorão na bagagem. Em uma sala branca, com apenas um banco embutido na parede, fiquei sozinho por um tempo que não sei precisar. Quando finalmente a porta se abriu, os mesmos policiais que haviam me detido meteram lá um jovem peruano algemado por tráfico de drogas. Fiquei aterrorizado. Meu inglês era péssimo, faziam muitas perguntas. Vasculharam minha vida, ligaram para o Brasil e para os meus contatos no Canadá. Insinuaram que eu era traficante, terrorista, minando meu psicológico, não me ofereceram comida nem água e ameaçaram me deportar de volta para São Paulo. Quando finalmente me liberaram, já era fim de tarde, inverno canadense quase noite, sendo que desembarquei pela manhã. Apesar de liberado, a minha real vontade era de voltar por conta própria para a minha cidade naquela mesma hora.

 

Após a entrevista para a tevê francesa, numa manhã abri a minha caixa de e-mail e lá havia um convite para dar entrevistas sobre “como é ser muçulmano no país do Carnaval” para a BBC, de Londres. Nem respondi. Decidi parar de falar com a mídia sobre minha espiritualidade, assunto de foro íntimo e pessoal. A islamofobia crescia a passos largos e pessoas eram presas ao redor do mundo só por terem nome árabe. Quase fiquei neurótico, com síndrome persecutória, medo real e a minha resposta foi sair de evidência e dar mais vazão ao meu trabalho artístico e menos ênfase à minha religião no que diz respeito à mídia.

 

Islã é a síntese da palavra “paz” e “submissão à vontade de Deus”. Não existe paz sem liberdade e sem justiça. Não há paz com terrorismo, não rima. “Deus não ama os transgressores”, está no Alcorão Sagrado. Mais de um bilhão de seres humanos praticam essa religião no mundo. São árabes, indianos, indonésios, latinos, europeus, africanos, norte-americanos, asiáticos. Tribos, culturas, etnias e nacionalidades diversas, guiados por um mesmo livro e preceitos, mesmo profeta e Deus.

 

Apesar de não muito devoto hoje em dia, por razões que só pertencem a mim, carrego o Islã no meu coração e me uno de alma e peito abertos a todas as vítimas das injustiças no mundo cometidas por quem quer que seja. No caso dos “terroristas”, creio que o melhor termo para designá-los seja “extremistas”, pois levam a um extremo tão exacerbado alguns versículos corânicos, distorcendo completamente seus significados. Deus diz no Alcorão: “Quem mata um ser humano mata toda a humanidade” e “Quem salva uma vida salva toda a humanidade”. Logo, se os terroristas fossem fundamentalistas, ou seja, se vivessem de acordo com os fundamentos da religião, jamais seriam terroristas. Radicais também não seria o termo mais adequado, pois na raiz do Islã você encontrará a palavra salam e o sentido da submissão à vontade divina. Extremistas podem ser de qualquer religião, ideologia ou nação. Os ataques recentes na capital francesa, que comoveram o mundo e geraram hashtags e passeatas, revelam vários tipos de extremismo, tanto do lado dos fanáticos, quanto dos que reagiram (legitimamente) aos ataques. O extremismo da hipocrisia.

 

Fim da barbárie, fim do terrorismo

Trágico, horrível, bizarro o atentado em Paris. Inaceitável! Tão inaceitável quanto nos conformar com o fato de que no planeta inteiro a morte de brancos gera comoção geral, enquanto as potências ocidentais protagonizam direta ou indiretamente a morte de não brancos ao redor do globo sem que isso gere nem sequer uma nota nos principais meios de comunicação. O dia em que nos unirmos contra todo tipo de barbárie, os terroristas acabarão sozinhos e encurralados. Mas enquanto continuarmos operando na lógica de “dois pesos e duas medidas”, nossos piores pesadelos se tornarão cada vez mais reais.

 

Na busca por identidade encontrei o Islã. Na busca pelo Islã encontrei o amor próprio e o incondicional ao próximo.

 

Zidane e Benzema, atletas mundialmente conhecidos, são muçulmanos. E o ícone Muhammad Ali. Malala, ganhadora do Nobel da Paz, é muçulmana. Ahmed, o policial executado pelos criminosos no atentado em Paris, era muçulmano. O Islã é uma religião linda de amor e paz. E no mundo todo morrem mais muçulmanos do que não muçulmanos em atentados terroristas. Mas quem quer ler sobre isso?!

 

Assalam Alaikum, que a paz de Deus esteja com você.

 

 

Dugueto Shabazz

 

São Paulo, 12 de janeiro de 2015.

 

 

*Dugueto Shabazz é músico e escritor, autor do livro “Notícias Jugulares” (Edições Toró, leia o livro aqui) Saiba mais sobre Dugueto em sua página no Facebook, aqui.

 

 

**Ilustração: Emmanuele Calisto. Contato: [email protected]


 

Leia também:

Especial Islã: “Guerra ao terror?”, por Natássia Massote.

2 comentários para “Especial Islã: Somente o amor vencerá o extremismo”

  1. Mohamad G Taha

    Impossivel nao se emocionar.
    Perfeito!

    A gente lê, rí, chora, depois ri denovo, depois se indigna, depois xinga, depois chora, e por ultimo respira e se enche de esperança pelo que leu.

    Obrigado por me proporcionar tamanha sensação num unico texto só!

    Tenho orgulho de te chamar de Irmão!

    #somostodosdugueto

  2. Beth Soares

    Beth Soares

    Obrigada, Sharif
    Só posso agradecer a você por um texto tão sensível e oportuno. Muito, muito obrigada.
    E, em resposta aos seus votos ao fim do texto,
    Alaikum Assalam!(de uma agnóstica… mas acho que isso não tem importância, não é?)

    Grande abraço.

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