Fotojornalismo na era digital

Nada melhor para se datar o início de um século, de um milênio e mesmo de uma era do que uma tragédia histórica tão significativa quanto a que ocorreu em 11 de setembro de 2001.

O mundo pôde testemunhar, incrédulo, às quedas de cada uma das duas torres que simbolizavam o poderio da economia industrial e globalizada. Ao vivo, pelas televisões e pelas rádios! Como se não bastasse, em Washington, o centro da inteligência militar dos Estados Unidos da América, também havia sido atacado. O Pentágono queimava, ao vivo, pelos monitores dos PCs Internet afora.

No céu “hollywoodiano” daquela Nova York, muito além da poeira e da fumaça, havia uma certeza no ar. Depois dos ataques terroristas, um ciclo histórico se fechava. Estávamos definitivamente na era da comunicação virtual, da sociedade da tecnologia da informação digital.

Naquele dia, o fotojornalismo provou toda a sua força e competência nesse novo contexto tecnológico, com consumidores ávidos pela instantaneidade da informação. E fomos saciados. Hoje, a necessidade e a exigência de se informar (ou de sentir-se informado) aumentam no público na mesma medida com que as bandas de transmissão de bites vão se alargando. E banda larga significa sobretudo informação visual. Se, a partir da década de 60, o fotojornalismo clássico vai perdendo espaço e páginas como fonte privilegiada de informação para a rapidez e a agilidade da televisão, neste novo milênio, mais do que nunca, a fotografia retoma o seu prestígio com a possibilidade de transmissão imediata da informação captada pelas lentes de uma câmera.

Ela ficou mais ágil, veloz e talvez ainda mais pessoal pela necessidade de edição do repórter fotográfico na hora de transmitir ou de arquivar. Mas, de qualquer forma, a perspectiva de síntese e informação que lhe são próprias estão intactas e que, se traduzidas em “pixels”, podem tornar a fotografia digital ainda mais mágica, reveladora pelo imediatismo e informativa a um público que cada vez mais consome imagens e que também pode agora, de uma maneira inédita, produzir sua própria iconografia, com esta popularização das pequenas e potentes digitais.

Mas isso é uma outra história e que tento abusar um pouco mantendo dois sites, que são o http://www.marcelomin.com.br (desde jan./2002, meu portfólio na Internet) e, sobretudo, o http://www.fotogarrafa.com.br (desde set./2002, projeto de fotografia digital).

Nessa transição de uma fotografia com suporte físico, o filme, para uma fotografia totalmente virtual, a possibilidade de manipulação é potencializada ao máximo com programas de edição de imagem que fazem milagres (e sem deixar rastros). O leitor ou internauta cada vez mais tem consciência dessa possibilidade. Na era digital, a fotografia pode perder sua força documental, sua verdade. E isso talvez não seja ruim, pois sinaliza um leitor mais crítico. Afinal, esse era um segredo que os fotojornalistas sempre souberam: a fotografia não é a verdade, é um olhar.

Então, como deveria ser o novo fotojornalista neste Admirável Mundo Virtual, cheio de armadilhas e espinhos? Ele tem que ser um multicomunicador: saber apurar, pautar-se, pesquisar, escrever, fotografar, transmitir, editar, tratar imagens, tratar pessoas, nunca se estrumbicar e saber sobretudo construir qualidade e credibilidade. Na era digital e virtual, a CREDIBILIDADE será o suporte físico do novo fotojornalista, o que comprovará o seu olhar.
*Marcelo Min é repórter fotográfico. Trabalha para algumas das principais publicações do país, entre elas, Folha de S.Paulo, Época, Isto É e Nova Escola. Suas experiências fotográficas estão no fotoblog www.fotogarrafa.com.br.

2 comentários para “Fotojornalismo na era digital”

  1. Thiago Casoni

    Ele mentiu.
    Ontem li o Ombudsman da Folha de S. Paulo que converge com as palavras acima. A crítica diz respeito a uma fotografia encenada de autoria de um fotojornalista da Folha. Acho que existe uma diferença abissal entre fotógrafo e repórter fotográfico. Pelo menos foi isso que absorvi na matéria. Não basta recortar uma realidade, temos que entende-la acima de tudo. Na ancia de derrubar a pauta, o fotógrafo maquiou uma situação a favor da "estética jornalista." O Ambiente em questão tinha que estar em pleno funcionamento. Resultado: uma fotografia confusa e artificial. Sim. Ele mentiu, sem escrever uma palavra.

    "Então, como deveria ser o novo fotojornalista neste Admirável Mundo Virtual, cheio de armadilhas e espinhos? Ele tem que ser um multicomunicador: saber apurar, pautar-se, pesquisar, escrever, fotografar, transmitir, editar, tratar imagens, tratar pessoas, nunca se estrumbicar e saber sobretudo construir qualidade e credibilidade. Na era digital e virtual, a CREDIBILIDADE será o suporte físico do novo fotojornalista, o que comprovará o seu olhar."

  2. Andréa

    Muito bom
    Matéria bastante interessante. E deixa a gente com vontade de saber ainda mais sobre este assunto tão interessante que é o fotojornalismo.

    Parabéns!

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