Jogos Políticos

Medalhado Henfil,

Realizamos no Brasil os Jogos Olímpicos – abertura linda no Estádio Mário Filho, o Maracanã, reconstruído. Milhares de voluntários garantiram a festa, e também possibilitaram a participação da principal delegação esportiva: o Refugee Olympic Team (Time dos Atletas Olímpicos Refugiados, em tradução livre) – ainda tem gente fugindo das guerras e da estupidez.

O futebol finalmente driblou o nariz empinado e pôs um pouco do espírito da várzea – um pouco de raça e amor à camisa e o resultado foi festejado por todos. O menino Neymar aos poucos encontra o homem Neymar e quem sabe encontre também alguma sabedoria entre tantos flashes – muita luz e às vezes pouca clareza – mas que ele cresça junto com seu filho e os amigos e saiba que, ao jogar com a camisa canarinho, representa milhões de famílias brasileiras. O objeto medalha é dele, mas o orgulho é nosso. Outros esportes, como a canoagem, trouxeram medalhas. Isaquias Queiroz, sobretudo, e Erlon de Souza, seu parceiro, “conseguiram conquistar com braços fortes” – como diz o Hino Nacional – não só medalhas, mas um país inteiro.

Outras modalidades arrancaram sorrisos e admiração: vôlei, o salto com vara de Thiago Braz, o judô de Rafaela Silva (que lutou contra um adversário desleal e desumano: o preconceito) e tantos outros que honraram o esquecido desporto brasileiro – principalmente os menos prestigiados pelos governos.

Mostramos que o Rio é lindo, mas a vaia ao prefeito é um reflexo das filas nos hospitais – da falta de saneamento básico –, do surto que não cessa – a doença da corrupção em todos os níveis de poder.

Os Jogos Olímpicos agora partiram para Tóquio e o legado fica – os “políticos” também e já estão prontos para iniciar os seus Jogos Políticos – as modalidades todos já conhecemos: corrupção ativa e passiva – compra de alguns veículos de comunicação e de votos – negociatas com empreiteiras e desvio de dinheiro público – a merda toda.

Cheguei à conclusão de que nada os fará mudar – o caráter está forjado, e o senso ético deles é o que se vê historicamente.

Ouvi alguém dizer que esporte não é para melhorar as condições de vida. Acho que o esporte – a imagem e a voz de alguns esportistas podem ser importantes na politização das massas.

As palavras de Muhammad Ali, por exemplo: “Não divido o mundo entre os homens modestos e os arrogantes. Divido o mundo entre os homens que mentem e os que dizem a verdade”.

Chegou a hora da mentira.

Créditos da imagem: veja.abril.com.br/esporte/

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