Luz, luz, mais luz!

Henfil,

Descobri que além das instalações construídas para os atletas – a tal Vila Olímpica –, o Brasil também não está pronto. Falta luz (a chama da tocha olímpica) no discernimento e principalmente caráter de quem governa. A luz no fim do túnel do metrô de São Paulo, por exemplo, espera uma elucidação da Justiça – quem desviou, superfaturou ou bateu novo recorde de levantamento duvidoso de dinheiro público.

Nesta sexta-feira (5) temos a abertura (já tivemos uma muito importante) dos jogos – a primeira Olimpíada na América do Sul –, mas a verdade é que já competimos há muito tempo. Pelas ruas dos grandes centros urbanos brasileiros existem modalidades quase esportivas praticadas desde muito cedo por jovens atletas. Trata-se do revezamento de carteiras, o nado de costas no chafariz, o salto em altura no muro das escolas, o tiro ao alvo com arma de fogo etc.

Alguns jogos já tiveram início na última quarta-feira (3) e a mídia televisiva repercutiu os eventos – o caso é que boa parte da população está voltada à sobrevivência e em busca de algo mais valioso do que medalhas esportivas, ou seja, lutam para conseguir algumas moedas feitas de aço inoxidável para comprar um quilo de feijão vendido a peso de ouro.

Logo mais o quadro de medalhas, enquanto (alguns) metralhas da política contratam advogados para defendê-los em processos “injustos” sobre enriquecimento ilícito – corrupção e todas as modalidades de roubo em que se mostram campeões (que me perdoem os atletas pelo uso da palavra campeões).

Talvez seja importante lançar luzes sobre a educação – quem sabe esta luz do Olimpo pudesse iluminar estas cabeças parlamentares cheias de boa vontade (pelo menos no discurso) e sentido humanitário. Afinal, eles trabalham para servir a população – deixam de lado seus interesses pessoais (será?) em prol do bem comum.

Não se trata de pessimismo – todo mundo já está mais que vacinado e exausto. Ninguém aguenta mais o noticiário – a vergonha que passa longe da vida de uns e outros. E depois a mesma cena – os atletas que treinaram sem nenhum apoio são convidados para uma self com quem ocupa o poder no momento.

Que a chama da tocha olímpica ilumine o coração vazio de muitos homens. A vida deles é um breu. Deixo então as últimas palavras atribuídas a Goethe ao morrer: “Luz, luz, mais luz!”.

Jornalirista

Créditos da imagem: http://esporte.ig.com.br/olimpiadas

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