O amor é verde

Flamenguista Henfil,

Peça aos anjos para que soem suas trombetas, porque o pessoal da Chapecoense aterrissou nos gramados da Arena Éden. É… Quando a paixão toma conta e (como diz o Hino do seu Flamengo) arrebata todos nós – vem o imponderável e leva ou eleva o motivo da nossa alegria e amor para outro plano.

Ayrton Senna, os meninos do grupo Mamonas e agora os meninos da Chape…. Receba também um time de homens de comunicação que sempre transmitiram com muita emoção os jogos pelos microfones ou câmeras de televisão.

Há um verso de uma canção de Moacyr Franco que diz que o amor é verde, pois o mundo inteiro é verde – a cor do gramado, a camisa da Chapecoense, a Bandeira Brasileira, o “fardamento” dos times de várzea das periferias do Brasil e o coração de muitos jogadores e amantes do futebol espalhados pelo Planeta Terra.

Parece que foi preciso um time modesto em posses, mas contundente no futebol, para amadurecer um espirito solidário que estava adormecido ou embrutecido pela frieza dos nossos dias.

A impressão que fica é de que o jargão o time tal é o Brasil numa competição internacional finalmente era verdadeira – talvez o torcedor mais fanático não admitisse, mas torceria pela equipe da Chape na final da Copa Sul-Americana.

Queria fazer um pedido a Deus: gostaria de pedir uns trinta e seis anos a menos para o Mário Sérgio no céu. Já pensou o Mário, escalado para jogar com a camisa 11 da Chape ao lado do Cleber Santana?

Os dribles secos, a cabeça erguida, o toque refinado, a arte de jogar futebol… Deus queria ver uma boa partida de futebol e escalou um time inteiro e, como só podia ser, procurou o cálice de um carpinteiro – um time humilde e capaz de tocar o mundo inteiro.

Talvez as torcidas organizadas (muitas vezes violentas) entendam que o futebol tem família – imensa e apaixonada por um jogo, mas capaz de ir ao estádio para aplaudir e gritar cantos de exaltação para um time adversário que não entrou em campo. 

Os torcedores colombianos tiveram este desprendimento – o respeito, o carinho de quem veste a camisa do gigantesco time dos seres verdadeiramente humanos. Obrigado, Colômbia.

Em Chapecó (Arena Condá) os torcedores da Chapecoense estão nas arquibancadas – homens, mulheres, jovens e crianças…. Os familiares, abraçados de alguma forma. Os meninos e as meninas de Chapecó e do Brasil já sabem pronunciar “Chapecoense” e em pouco tempo estarão pelos campos do mundo como atletas profissionais da Chape.

Presidentes de grandes clubes brasileiros pretendem ceder jogadores (pagando o salário deles) a fim de recompor o elenco da Chape – vi e ouvi o responsável pela presidência do Santos Futebol Clube – o Santos dá bola e jogadores e se assim for marcará um gol de Pelé – o mais lindo de sua história. O momento é de muita dor, mas o amor ameniza e conforta. O amor é verde!

Imagem: portalchapeco.com.br

Um comentário para “O amor é verde”

  1. Germano Gonçalves

    We are the Chapecoenses.

    O time da Chapecoense era tão bom, que Deus quis vê-los de perto, Somos todos Chapecó, valeu!

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