O desafio da inclusão digital

Um país rico, com muita gente pobre. Não é privilégio do Brasil, mas não há mesmo como fechar os olhos para esta realidade por aqui. Então, como mudar isso tudo? Como fazer com que as coisas deixem de ser tão desiguais? Como permitir que aqueles que têm menos posses possam ter uma vida digna, com oportunidades que lhes permitam ser realmente atores de uma sociedade?

“Distribuição mais igualitária dos recursos disponíveis…”, diria o ativista. Bom, isso precisa mesmo, mas não é uma coisa que vá acontecer tão facilmente, de um dia para o outro.

 

A alternativa é, então, dar um pouco mais de espaço e de possibilidades para que as pessoas possam ter acesso a recursos que lhes possibilitem mais dignidade, mais compartilhamento, mais participação e mais responsabilidade, também.

 

Como fazer isso? Ah, tenho uma palavrinha mágica… “INCLUIR”…

 

Poderia falar de diversas possibilidades de inclusão dos menos favorecidos. Neste momento, escolho a “INCLUSÃO DIGITAL”. Expressão bonita, recente, que para muitos não quer dizer nada mesmo.

 

É aí que precisamos dar o primeiro passo: como oferecer inclusão digital se, em muitos casos, as pessoas nem sabem ao certo o que é isso?

 

Pois é… Demos vários passos para trás agora… Que tristeza.

 

Inclusão DigitalÉ bem bacana falar de inclusão digital, mas, na realidade, a maioria das pessoas está excluída de muitas outras possibilidades que são básicas para que tenham acesso (outra palavrinha complicada) às demais inclusões.

 

Bom, mas vamos deixar, por um momento, as discussões de base e passar para o que interessa, afinal.

 

Por sermos um país jovem (quinhentos e poucos anos não são nada), damos a sorte de sermos também muito abertos ao novo, àquilo que exige criação, criatividade, a novas tecnologias e possibilidades. Não é diferente no mundo digital, no mundo da Informática, da comunicação on-line (eu até tento, mas às vezes sucumbo a termos estrangeiros). Mesmo depois de termos marcado passo por anos numa teimosa e burra reserva de mercado na década de 1980, hoje nosso país dá exemplos de expansão e utilização dos recursos que nos oferece o mundo digital.

 

Mesmo conhecendo iniciativas importantes tomadas tanto por governos como por empresas, organizações não-governamentais e, até mesmo, por cidadãos anônimos, que fazem sua parte para melhorar nossa sociedade, é preciso fazer mais, e melhor… sempre.

 

Está demorando para sair do papel o propalado computador popular, o laptop de US$ 100 defendido pela ONU, máquinas e programas que permitam que um maior número de pessoas tenham acesso às facilidades propiciadas por estas maquininhas quase inteligentes.

 

É preciso mais dinheiro para mudar essa realidade? Sem dúvida. Mas há opções baratas que podem permitir um mais largo acesso ao mundo digital. O principal exemplo talvez seja o conhecido Software Livre. Em geral produzido a partir da iniciativa de acadêmicos ou pesquisadores da área, o Software Livre, por ser gratuito, possibilita que uma maior gama de usuários tenha acesso a serviços informáticos antes restritos aos donos ou utilitários de cópias irregulares dos grandes programas de marca. A oferta desses programas gratuitos também pressiona as grandes empresas a baixarem seus preços diante de tal concorrência.

 

Mas, na parte do hardware, falando mesmo das maquininhas (computadores, periféricos, impressoras, scanners, modems e outros mais), a conversa fica um pouco mais difícil. O governo brasileiro, recentemente, reduziu as alíquotas de impostos sobre computadores de menor preço, visando ampliar a venda desses equipamentos para brasileiros de baixa renda. Mesmo assim, para a maioria dos cidadãos, os preços ainda são impeditivos. Há também linhas de crédito com juros menores, na Caixa Econômica Federal, por exemplo, o que continua sendo apenas um paliativo.

 

É preciso que governo, empresas e sociedade sentem e discutam soluções para garantir a maior inclusão possível de pessoas neste mundo de difícil acesso.

 

Criar mais centros que ofereçam acesso gratuito à população a equipamentos de Informática, equipar melhor as escolas, principalmente as públicas, ampliar os centros de atendimento dos órgãos e repartições públicas com acesso eletrônico facilitado, viabilizar a produção de equipamentos minimamente eficientes e marcadamente baratos, estimular a população a doar equipamentos que não vêm mais sendo utilizados em razão de obsolescência (aquilo que para uns é obsoleto, para outros é de grande valia), introduzir o ensino da informática o mais cedo possível nas escolas públicas, entre outras tantas possíveis ações.

 

Importante destacar que a participação de todos é essencial para que esqueçamos, mesmo, o que significa “INCLUSÃO DIGITAL”, tendo em vista que, com certo esforço e boa vontade, poderemos passar a ter uma sociedade realmente incluída nas tramas digitais.

 

Carlos Brazil é jornalista e há 11 anos trabalha com jornalismo eletrônico e on-line.

 

2 comentários para “O desafio da inclusão digital”

  1. Vanda

    inclusao
    adorei sua idéia
    parabéns

  2. Valmir Duarte Costa

    Desafio da Inclusão Digital
    Prezado Carlos

    Na história de nosso país os jornalistas são os verdadeiros agentes do desenvolvimento .

    Se faz necessário que cada jornalista mesmo em um pequeno jornal de bairro escreva sobre como cada cidadão pode participar do processo de inclusão digital , dai a importância de textos como o seu .

    Temos que ser governo sem estar no governo , cada um de nós deve e pode contribuir para que esse deslocamento possa ser implantado em nossa sociedade .

    Mas creia Carlos que a inclusão digital vem acontecendo de forma crescente e rápida em nossa juventude e os anseios de mudança logo irão permear esse meio , fique certo disso .

    Daqui já estamos colhendo os frutos e a cada mês mais de 1.000 pessoas passam pelos nossos cursos e palestras e já somos 35.000 pessoas cuja missão é única : COMPARTILHAR CONHECIMENTOS .

    Amplos Amplexos !

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