O empate no desamor

O casal se ama, mas não consegue viver junto. Sua rotina vive atribulada por brigas, discussões que não levam a nada. A casa é pequena para tanto ódio nas palavras, mas a cama é grande para o amor. A liberdade não existe. Os dois são presos por uma vida que é somente uma. Não existe compreensão, compaixão, apenas o empate.

O empate no amor leva, mais cedo ou mais tarde, à separação. É quase impossível casais viverem no empate. “Se você sair hoje com seus amigos, eu também saio.” “Se você fizer academia, eu também faço.” “Se você chegar tarde do trabalho sem motivo, eu também vou chegar.” Isso não é amor, é vingança. E com vingança jamais se constrói um relacionamento sólido e duradouro.

Existem muitos relacionamentos que vivem no empate. Os dois não têm seu espaço individual. A vida é igual para os dois, o que um pode fazer o outro também. Se um sair esta semana e o outro não, então teremos um desempate, que corresponde a algo errado e logo a uma briga.

Não que as brigas signifiquem que todo relacionamento vá acabar, elas até são importantes, muitas vezes construtivas, mas não podem ocupar porção tão significativa da relação. Nem ser por motivos tão banais, como: “por que você não lavou a louça?”, “por que você não se lembrou de mim?”, “por que você não me avisou que chegaria tarde?”. A condição é ter respeito e admiração, caso contrário o amor se desvia, pega uma curva, outro caminho, outro rumo.

Para os casais que brigam, é difícil perceber que existe disputa quando nenhum dos dois aceita que talvez a disputa seja interna, consigo mesmo. Enquanto não nos conhecermos ou não tivermos lucidez sobre as nossas próprias emoções, ficaremos constantemente colocando a culpa no outro, quando deveria ser resolvida por nós mesmos.

Enfim, o amor não é empate. É liberdade, é ternura, é compreensão. Não pode ser colocado em uma tabela para ver quem sai na frente, ou quem se deu mal, porque isso já não é amor.

Se você briga, procure perceber as palavras que dirige ao outro, reflita sobre suas ações, e mais: nem sempre temos razão. Nem mesmo precisamos ter. Deixe que as coisas fluam. Uma conversa é sempre bem-vinda, o diálogo é fundamental, mas deve ser construído de forma que os dois consigam se encontrar e enxergar o equilíbrio emocional que tanto falta na relação.

 

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