O menino Jackson

Na década de setenta, os aparelhos de som e as rádios tocavam as canções de um grupo de irmãos nascidos nos Estados Unidos. Em um país marcado pela presença da intolerância racial e também pela voz libertadora do líder negro Martin Luther King, crianças e adolescentes negros surgiram para o mundo com o nome de Jackson Five.
Enquanto a equipe dos Harlem Globetrotters (time de basquete formado por jogadores negros) fazia exibições fantásticas nas quadras do mundo, o quinteto Jackson subia aos palcos e encantava uma plateia que tinha gente de todas as raças.
Durante o tempo em que estiveram juntos, foram milhões de discos vendidos, turnês internacionais, reconhecimento artístico e, é claro, financeiro. Os rapazes e os meninos tiveram todo o tempo para desfrutar a fama, mas dizem que os meninos precisaram abrir mão de algo essencial: o tempo precioso de ser criança.
As vozes silenciaram, até que uma delas (talvez a mais pura) decidiu retomar a carreira. O sucesso foi arrebatador e em pouco tempo as rádios e televisões de todo o mundo e uma legião internacional de fãs davam ao moço o título de Rei do Pop.
A vida cumpriu seu curso e o rapaz (o sempre vocalista do Jackson Five) fez campanha contra a fome, foi processado, enfrentou os tribunais, doenças físicas e os traumas da infância.
No ano de 2009, os mesmos Estados Unidos que elegeram um presidente negro divulgaram a notícia de que o pequeno vocalista do Jackson Five, o Rei do Pop, um homem que acabara de completar cinquenta anos de vida, falecera devido a uma parada cardiorrespiratória.
Sua história foi marcada por milhões de discos vendidos, centenas de turnês internacionais, o reconhecimento artístico, financeiro, e também pela falta de algo que dinheiro nenhum do mundo consegue comprar: a paz de espírito. O seu rosto, a sua pele, seus cabelos, seu corpo inteiro desfigurado, em uma trajetória de sucesso e dor.
Os tabloides, as revistas sensacionalistas, o pai e toda a mídia vão ter que procurar outro alvo para agressões sutis ou não, outro assunto.
Em sua última metamorfose, o Rei do Pop vai voltar a ser um menino comum e brincar à vontade em um lugar sem estúdios de gravação e só com amigos mais próximos, e leais – um lugar repleto de crianças e um imenso playground.
 
Leia também o artigo “Procura-se uma Antígona para Michael Jackson”, de Dario de Sousa e Silva Filho, clicando aqui.

2 comentários para “O menino Jackson”

  1. sarah

    Muito bom adorei esta cronica

    bejos.

  2. GEZARELLY ANDREZA

    NOSSA PROFESSOR ESSA CRÔNICA FICOU MARAVILHOSA PARABÉNS E QUE VOCÊ FAÇA MUITO OUTRAS MELHORES DO QUE ESSA

    BEIJOSSSSS…..

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