O que você faz quando está triste?

 

Hoje, ao me deparar com o dia chuvoso, não me senti bem, apesar de gostar de dias de chuva. Não conseguira falar com uma amiga, não conseguira terminar de ler aquele texto e, só de pensar nas próximas atividades, gostaria, nem que por alguns instantes apenas, de estar mais distante, ou melhor, no ano que vem. Lembrei-me do texto da excepcional Thais Polimeni “Expectativa e referência”, escrito aqui no Jornalirismo (leia o texto aqui). Expectativa que muitas vezes criamos daquela sonhada viagem e até do dia de amanhã.

 

Pelos textos não lidos, pela conversa não trocada e pela não aparição do sol, eu me senti triste. Tristeza pouca essa, não? Mas não importa o tamanho do motivo, da razão: a tristeza costuma vir de leve, ou como um vendaval. E quando ela vem, nos resta admitir muitas vezes que, sim, estamos tristes, e como! E fazer o quê? Chorar? Sim, algumas vezes choro, mas faço a minha tristeza ser produtiva. Em alguns casos ela se transforma em um texto (como esse que você está lendo agora), outras vezes eu cozinho, escuto música, essa é campeã, observo a lua. São meus modos de lidar com ela.

 

Cada um tenta levar de algum jeito a sua tristeza. Pelo menos, a gente tenta. Alguns conseguem, outros fazem da tristeza sua melhor amiga. Eu digo que não dá para conviver todos os dias com ela, aí tem algo errado. Mas a tristeza é como alguns feriados durante o ano: aparece para dizer que estamos vivos, inconformados com alguma coisa. Mas, por favor, não deixe a tristeza ser a sua segunda-feira! Repito, com a sabedoria dos tristes: em momentos de tristeza podemos transformá-la em ótimas ideias. Eu sei, é difícil, mas não custa tentar, não é?

 

A tristeza para mim é sinal de que estou viva. De que posso amar mais e mais. De que posso conhecer e saber. De que tenho sentimentos. Penso que a tristeza está na solidão que temos de nós mesmos, que não admitimos carregar. Não toleramos pensar, opa, hoje realmente não estou bem. Mas, caro amigo, cara amiga, a vida é assim. A felicidade está nos pequenos detalhes, assim como a tristeza está para hoje.

 

Agora mesmo vou lá escutar Neil Young para ver se essa tristeza me dá hoje um tchau.

*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora.

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