O terrorismo globalizado

Tudo era culpa da Dilma, agora o réu pelos males do mundo é o Estado Islâmico. Que bom termos a quem culpar, nós que somos cidadãos de bem, pagadores dos nossos impostos e consumidores que fazem a economia girar.

Pena que o dinheiro que geramos é sugado pela máquina monstruosa dos Bancos Internacionais e das grandes corporações. Pena que o dinheiro que geramos só circula no quintal dos latifundiários da soja, do algodão e do gado.

Pena que o dinheiro que geramos soterra a Amazônia, derrete as calotas polares do norte e do sul e inunda as terras de Mariana. Pena que o dinheiro que geramos não chega aos lares da população pobre africana, boliviana, nordestina, e quando algum dinheiro escapa das nossas mãos e chega por engano a esses lares, nos incomodamos em vê-los bem ao nosso lado nos aeroportos ou nos shoppings.

Sinto por todos os mortos, de Paris a Mariana, de Osasco a Nairóbi, e pelos alunos sem escola. Penso em como será a educação daqui para a frente se não apoiarmos esses meninos que julgávamos alienados. Entrarão nas dez escolas que sobrarem e farão a dança da cadeira para poder aprender a parca educação que lhes impomos.

Sete bilhões de mãos apertam os gatilhos do Estado Islâmico ou os botões que acessam os compartimentos dos B-52 dos Estados Unidos da América, que despejam bombas a esmo, de Hiroshimas a Nagasakis. Sete bilhões de mãos condenam à morte milhares de pessoas todos os dias. Talvez eu esteja exagerando nesse número, então deixemos de lado as crianças, que não têm culpa, pois ainda não aprenderam a lição que lhes ensinamos com tanto zelo, de amarmos uns aos outros desde que os outros sejam como nós. Talvez o Estado Islâmico converta a nós todos e então seremos iguais e assumiremos a nossa condição de terroristas internacionais para enfim termos paz.

A quem eu possa incomodar com isso, digo: também creio na diferença, mas se somos diferentes, então FAÇAMOS A DIFERENÇA, pois o mundo pode não aguentar por tanto tempo.

 

 

Foto do desastre humano, ambiental e econômico em Mariana (MG), após a ruptura de barragem de resíduos de mineração das mineradoras Vale e BHP: Antonio Cruz / Agência Brasil. 9 de novembro de 2015

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