O umbigo do mundo

Se meu paraíso estiver de pé, de que me importa o alheio?  
Enquanto minha varanda não treme e o rio segue seu curso – enquanto o teto não desaba e o World Trade Center, o Haiti e o Chile são apenas notícias de telejornal, tudo caminha bem.
Há uma expressão popular que diz que cada um olha apenas para o seu próprio umbigo e assim fica a dúvida: onde fica o umbigo do mundo? Na Etiópia? Nos países abastados do Velho Continente? Na América do Norte? Na América do Sul? Em Bangladesh?
Em meio a tantas mortes – por causa de terremotos e ataques terroristas (fardados ou não) -, fica uma mínima impressão de que a humanidade teve um momento de lucidez.
Diante das catástrofes, o homem deixa de lado a ganância e dá vazão à sua natureza humana. Talvez o ser humano só amadureça na dor.
Disse o astronauta que a Terra é azul, mas ele, que saiu do ventre do planeta, não deu nenhuma pista sobre a localização do umbigo do mundo. Quem sabe um poeta – fatigado dos casuísmos e futilidades – sustente em verso que os umbigos estão na anatomia dos continentes e que por um motivo pertencente ao insondável são notados apenas quando sangram.

Um comentário para “O umbigo do mundo”

  1. Letícia

    Foi um dos texto mais lindo que li em toda minha vida.

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