Pássaro

 

O que tem me envolvido nos últimos meses e principalmente nas últimas semanas são os pássaros. Eles são tão leves, atentos, desconfiados, mas com todo um ar de proeza de se dar bem.

 

Faz alguns meses que eu saí de um apartamento e fui morar numa casa. Cercada de árvores, com pátio, flores e muita grama. Uma delícia, eu diria. E constantemente pude notar a presença dos pássaros. No inverno não estavam muito por aqui. Mas, quando a primavera começou a mostrar as suas cores e seus cheiros, eles voltaram com tudo. Pela manhã cantam felizes. E assim permanecem durante o dia. Eles são incríveis, uma bênção para uma alma leviana como a minha.

 

Certo dia eu acordei e na área de minha casa um pássaro resolveu fazer um ninho. Durante dias acompanhei o trabalho de conseguir fazer e manter o ninho lá em cima do poste. Chegou a chuva e o ninho resistiu. Passou um tenebroso vento e ele permaneceu ali, intacto. Passadas algumas semanas, o ninho parece ser forte e resistente. Todo dia, quando acordo, me certifico de que o ninho esteja lá e o pássaro também. E eles estão. O pássaro quase está se familiarizando com a pessoa que aqui escreve e eu perco alguns minutos para observar o ninho, e todos os pássaros ali em volta das árvores, buscando comidinha ou se molhando em uma poça de água.

 

Que bem tudo isso me faz. Porque eu gosto de sentir a leveza de uma vida tranquila. De poder admirar um pôr do sol e ler em um dia de chuva. Gosto do que é simples. Daquilo que é leve, do que eu consigo carregar. Não sou fã de dias pesados. Gosto de sentir o vento no rosto, e ver o amanhecer. De tudo isso, o que mais tem me movido é a intensidade de um pássaro, dos seus cantos e dos seus voos.

 

*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora.

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