Pensamentos numa esquina sem boteco

O interior do Brasil disfarça uma calma. Numa cidade qualquer, o tempo vai refrescando. Numa casa de esquina, a vida tem alguma leveza. A cerveja é pouca, todavia os pensamentos martelam a pobre cabecinha.
Entre uma olhada no horizonte e um prato de macarrão, entre uma troca de fralda do bebê e uma navegada na rede, entre um beijo na companheira e uma sapeada nuns escritos, entre o recolher e o separar do lixo, ele tem pensado que a história do país, de suas cidades, de sua terra, de sua água ainda não foi bem contada. O assalto e a exploração ainda não foram suficientemente detalhados.
Que o governo atual é o melhor governo de direita que o país já teve. Nunca antes na história deste país, houve um governo de direita tão bom como este. Um de esquerda ele ainda está por ver.
Que o “stalinismo social-democrata-liberal” (que gracinha!) deita e rola nas grandes redações (grandes redações!?!?). O pensamento único se contorce todo para preservar sua hegemonia. O couro come. Nesses ambientes, jornalista tem de ser muito dissimulado e fingir que a liberdade de expressão existe. O incrível é que a perseguição se dá por coisas irrelevantes. É uma discordância de opinião levada para o pessoal ou considerada como ameaça à manutenção da ordem no rebanho. Quem comanda não sabe tolerar e conviver com o diferente. Estupidez.
Tem pensado que não gosta mesmo do Peter Pan. Esse negócio de ser criança para sempre é a brincadeira mais sem graça, é muito estranho. Odeia tanto o Peter Pan que parou de conversar sobre futebol, aquele assunto que transforma marmanjos barbeados em moleques eternamente pentelhos, bobos e estúpidos.
Que bom talvez fosse, respeitadas as diferenças intrínsecas, uma espécie de ponto de partida comum na corrida da vida e uma base mínima no ponto de chegada. Uma base sólida no começo da vida para que todo cidadão tivesse as mesmas condições de arrancar e construir seu destino. E um sistema que garantisse a todos um mínino de qualidade no fim da vida, quando já não fosse mais possível construir e sustentar o destino sozinho.
Que nesse miolo da vida, quando se anda com os próprios pés, a gente soubesse respeitar a existência dessa e das futuras gerações.
Recolhendo versões e impressões do que há por aí, ele tem pensado, portanto, que hoje só pode ser o começo do fim da pré-história.

3 comentários para “Pensamentos numa esquina sem boteco”

  1. Paulo Canarim

    Concordo,mas acho que o que temos que fazer é discutior essa coisa de governo. Os modelos atuais já não nos servem.
    Abraços.

  2. julio

    A imprensa vai para um lado, o povo para outro. O que vale mesmo é ganhar dinheiro com assinaturas de jornais feitas pela máquina estatal. 2010 já está aí.
    E as histórias do Brasil profundo ficam cada vez mais fora da mídia.
    E a mídia mais longe dos brasileiros.

  3. gallo

    temos que discutir essa coisa de governo de direita… mas de resto, assino embaixo!
    aqui a viagem vai chegando ao fim. logo mais escrevo para contar.
    abracao!

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