Por quem as panelas batem? (A Conspiração dos Asmodeuses)

Henfil,

A ira venceu… A palavra respeito foi condenada ao pântano enganoso dos discursos bravateiros e zombaria social. Não há mais diversidade de opiniões e nenhum discernimento político – o que vale agora é a mão de cada corrupto (de cada Asmodeus) diante da face (sofrida ou nem tanto) da gente brasileira – incitando a cusparada de uns contra os outros.

Hoje todos fazem parte do partido do ódio – e se dizem originais ao criar uma frase de efeito ou uma imagem para tripudiar e pisar na dignidade do outro. O rancor substituiu a tolerância – o individualismo junta agressores e palavras de ordem – alguns batem panelas vazias e outros sentem fome de tudo, mas por quem as panelas batem? Por quem os sinos dobram?, pergunta Raul Seixas em canção corajosa e inteligente.

Tenho de reconhecer que a estratégia dos Asmodeuses deu certo: todos no mesmo barco remando em direções opostas e eles sempre em bando – abutres em conchavos sórdidos e criminosos. Talvez seja o momento de posicionar as velas para os ventos da MUDANÇA – dizer um não aos partidos todos – gente que não representa a maioria da população (todas as camadas sociais), eleger quem fez algo para melhorar a vida de outrem.

Sabemos do descompromisso destes semeadores de analfabetismo, desigualdade social, racismo, discórdia, miséria e uma vergonha secular diante dos demais países. Até a pessoa mais simples é capaz de enxergar o quanto somos enganados por quem move montanhas para alcançar o posto de prefeito ou presidente de um país com tantas possibilidades de enfiar no bolso o dinheiro público.

Eles querem que todos se digladiem e em troca oferecem uma educação ruim – que a população não estude – não leia – não vá ao teatro – não coma – que morram aos poucos nas favelas-senzalas – drogados nas Cracolândias – esquecidos nas Fundações Casa ou pelas ruas dos grandes centros urbanos.

Se eles raciocinam. Se estiverem cercados pela fala de algum artista subversivo, eles começam a cobrar e nós vamos ter de ser o que nunca fomos: HONESTOS. Olha só o que um matuto analfabeto escreveu:

 

Prefeitura sem Prefeito

Nessa vida atroz e dura

Tudo pode acontecer

Muito breve há de se ver

Prefeito sem prefeitura;

Vejo que alguém me censura

E não fica satisfeito

Porém, eu ando sem jeito,

Sem esperança e sem fé,

Por ver no meu Assaré

Prefeitura sem prefeito.

Por não ter literatura,

Nunca pude discernir

Se poderá existir

Prefeito sem prefeitura.

Porém, mesmo sem leitura,

Sem nenhum curso ter feito,

Eu conheço do direito

E sem lição de ninguém

Descobri onde é que tem

Prefeitura sem prefeito.

Ainda que alguém me diga

Que viu um mudo falando

Um elefante dançando

No lombo de uma formiga,

Não me causará intriga,

Escutarei com respeito,

Não mentiu este sujeito.

Muito mais barbaridade

É haver numa cidade

Prefeitura sem prefeito.

Não vou teimar com quem diz

Que viu ferro dar azeite,

Um avestruz dando leite

E pedra criar raiz,

Ema apanhar de perdiz

Um rio fora do leito,

Um aleijão sem defeito

E um morto declarar guerra,

Porque vejo em minha terra

Prefeitura sem prefeito.

Patativa do Assaré

 

Mas a maioria, graças a Lúcifer, está envolvida em uma guerra de classes sociais – está mergulhada na areia movediça que nós criamos. Tolos. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

É o que certamente os asquerosos detentores do poder celebram… Enquanto eles gastam suas energias em uma luta inútil – nós gastamos o dinheiro que desviamos para outros países.

Quando todas as classes sociais caminharem juntas, nós inauguraremos uma nova ordem social – uma justa e humana civilização brasileira.

 

 

Foto: Gabriela Biló (Agência Estado), em 23 de fevereiro de 2016

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