Responsabilidade ambiental exige atitude corporativa

Um fator de grande importância, e que muitas vezes não é de todo encampado pelas empresas, refere-se ao estímulo oferecido para que a sociedade adote comportamentos sustentáveis.

A impressão que se tem é a de que as empresas, principalmente as que lidam diretamente com o público, têm aquela velha compreensão: “Se eu faço a minha parte, tudo bem”.

É aí que mora o descaso com a verdadeira responsabilidade ambiental. Ter uma ação ambientalmente correta não é apenas tomar conta de seu próprio “quintal”, mas aproveitar o poder de convencimento que cada um possui para reunir mais adeptos à causa.

Dessa forma, não basta manter apenas recipientes para material reciclável nas áreas comuns da empresa e também nos ambientes de acesso aberto ao público. É preciso, também, agir na conscientização, formar e informar. Isso não custa caro e, com certeza, se transforma em reconhecimento muito valorizado.

Grandes empresas podem, sem muito esforço, montar pequenas equipes (exércitos de Brancaleone) para atuar na informação e na formação dos clientes e funcionários em melhores práticas domésticas de preservação do ambiente. Essas equipes, munidas de materiais adequados, podem oferecer cursos, promover “arrastões” de reciclagem pela vizinhança, atuar no contato direto com as autoridades locais para dinamizar os serviços de reciclagem, ou, simplesmente, abordar individualmente os clientes trocando idéias sobre o tema.

Muitas vezes, as pessoas têm até a consciência treinada para as práticas de ações sustentáveis. No entanto, a falta de estímulo externo, de tempo ou mesmo de companhia acaba fazendo com que não atuem assim. É aí que entram os profissionais da conscientização, viabilizados pelas empresas.

Não se trata de uma ação “ingênua”, “benemérita”. Esses profissionais estarão vinculando a marca da empresa a atividades reconhecidamente aprovadas pela sociedade. É evidente que o trabalho não pode ter caráter invasivo ou puramente “marqueteiro”, pois pode ser mal compreendido pelos clientes.

No entanto, fazendo um adequado planejamento e contando com uma coordenação organizada, que disponha de materiais de apoio com desenvolvimento apurado, o investimento na conscientização será reconhecido como ação de uma política coerente e responsável da empresa.

Caso a empresa não tenha condições de manter uma equipe dedicada à iniciativa, é possível treinar funcionários regulares que dediquem algumas horas por semana a esse tipo de tarefa, nem que seja apenas para ficar ao lado dos recipientes de coleta seletiva e oferecer material ou dicas de atitudes ambientalmente responsáveis aos clientes.

Podemos citar, como exemplo, o projeto Pintou Limpeza, da Rádio Eldorado de São Paulo. Ao longo de toda a programação da rádio, são feitas inserções com dicas e alertas para incentivar a colaboração das pessoas com a limpeza da cidade e o desenvolvimento da consciência ambiental. Atualmente, o projeto conta com 15 postos de entrega voluntária, para onde os ouvintes são estimulados a levar seus materiais recicláveis.

Sei que uso um termo muito desgastado, mas a proatividade (ou a atitude, como gostam as empresas de hoje) é um elemento que determina quais empresas são ou não ambientalmente responsáveis. Investir em diferenciais como os aqui apresentados não custa muito, e traz resultados amplamente positivos à empresa.

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