São Luiz do Haiti

Ninguém é capaz de deter as forças da natureza e o que é mais trágico: ninguém é capaz de deter a natureza “humana”.
Em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, a quantidade de chuva ultrapassou as expectativas e o rio Paraitinga deixou submersa a história de vida de muitas pessoas.
“Fiz uma casinha branca/Lá no pé da serra/Pra nós dois morar”, compôs Elpídio dos Santos (compositor nascido em São Luiz do Paraitinga) sem saber que várias casas (boa parte da cidade) seriam devastadas pelas águas do Paraitinga.
Há gente que se contenta com uma casinha branca e outros que desejam palácios de onde são capazes de interferir na vida de outras pessoas.
Dizem que uma pessoa que ocupou por muito tempo um palácio governamental afirmou que a construção de uma barreira (que represe as águas do rio Chapéu) será suficiente para evitar o problema. O homem frequentou e morou quase duas décadas no palácio (que fica no alto de uma serra) e somente após a tragédia ele chegou à conclusão de que era imprescindível uma barragem. O homem é um visionário.
Já o Haiti… “Pense no Haiti/Reze pelo Haiti”, Caetano Veloso e Gilberto Gil cantaram na década de 90. E agora se faz necessário no ano de 2010.
O terremoto que atingiu a população do Haiti ceifou vidas e deixou novamente expostos os ossos e o sangue da miséria.
Um país marcado por regimes autoritários, pela fome que obriga pessoas a comerem tortilhas de lama, a contraírem doenças, a viver a eternidade como pedintes internacionais, como a escória da humanidade.
Em Porto Príncipe, as crianças dividem as ruas com os corpos de outras crianças, e os grupos armados e ditadores talvez fiquem frustrados porque um desastre natural é mais eficiente do que eles quando se trata do extermínio de pessoas inocentes.
Alguns brasileiros estavam no Haiti para ajudar na luta contra a mortalidade infantil e outros como membros da força de paz da ONU. Morreram…
Quem sabe os homens que detêm o poder reconheçam que são mais nocivos que os desastres naturais. Quem sabe reconheçam que a interferência “humana” na natureza é letal.
Quem sabe alguma nação desperte de sua desumanização e proponha um acordo humanitário, um acordo para que ninguém agrida a natureza, para que todas as espécies sejam respeitadas, para que nenhum ser vivo fique sem alimento, para que nenhuma criança seja agredida e para que todos vivam em paz.
Resta o pedido em nome de Zilda Arns, das pessoas do exército brasileiro, da população inteira.  Pensem em todos eles… Rezem por todos eles e pelo Haiti.
(Clique aqui para colaborar com a recuperação de São Luiz do Paraitinga.)
(Clique aqui para ler o depoimento “Uma nova São Luiz”, de Carlos Brazil)

Um comentário para “São Luiz do Haiti”

  1. Carlos Santos

    Parabéns, Sílvio, você falou tudo que os brasileiros e os haitianos gostariam de falar.

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