Só para lembrar Millôr

 

Arcanjo Henfil,

Ao som de Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio, envio frases só para lembrar o nosso querido Millôr Fernandes e sua A Bíblia do Caos:

O pão
O Brasil não inventou a fome
Apenas registrou marca e patente.

O circo
Se o futebol é o ópio do povo
O governo é a overdose.

Quase turista
Visto de cima para baixo
O Rio continua lindo.

Uma questão verbal
Entre punir e mentir
Há sempre o efeito da rima pobre
Há o papel timbrado
E o aluno em branco.

Diagnóstico
Um país só adoece
Quando contrai corrupção.

Hino Internacional
Que a democracia
Tão decantada
E idolatrada
Salve! Salve!
Aos poucos se descubra
Menos analfabeta e anêmica
Na ditadura de Cuba.

Saldanhamente
Tem político
Que não serve
Nem para ser político
Quanto mais para casar
Com minha filha.

Yakuza
Se o castigo da máfia japonesa
Fosse adotado no Brasil
Boa parte dos políticos seria maneta.

Escapismo
A maioria dos políticos tupiniquins
Tem um quê de Houdini.
Sempre escapam das grades.

Mentira em horário nobre
Entre o telejornal e a novela
Tem o horário político.

Milagre
Político honesto
É agulha no palheiro.

Tributação do tabaco
O câncer não sonega imposto.

Jingle do horário político
“Vai trabalhar, vagabundo!”

Jingle do recesso parlamentar
“Estava à toa na vida”

O silêncio ensurdecedor
Geraldo Vandré.

*A Bíblia do Caos (L&PM Editores), a que se refere Sílvio Valentin Liorbano, é uma coletânea das melhores frases de Millôr Fernandes, jornalista, escritor, humorista, cartunista, tradutor, que morreu na última terça-feira, 27, aos 88 anos (apesar da certidão de nascimento registrar 27 de maio de 1924, Millôr dizia ter nascido um ano antes, a 16 de agosto). Marcas essenciais do trabalho de Millôr foram a inteligência aguda e o humor mordaz. Irreverente e independente.

 

Um comentário para “Só para lembrar Millôr”

  1. Sílvio

    Sílvio

    As frases são minhas
    Queridos, as frases são minhas

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