Sobre relacionamento e seu fim

 

Um casal para mim sempre foi motivo de alegria. Até na época em que eu era solteira, me via admirando os casais se beijando, conversando, fazendo confissões, compartilhando momentos. Eu achava aquilo sempre incrível. Eram dois em um só. Mas do que nunca gostei nos casais eram as discussões, que, extremadas, conduziam ao fim dos próprios casais.

 

Quando amigas vinham conversar comigo sobre o relacionamento, confidenciando que não estava legal devido a brigas e discórdias mil, eu morria junto com a relação. Perdia as minhas palavras em meio às lágrimas de minha amiga e quedava extremamente triste com o amor que não dera certo.

 

Assim ainda é. O fim de um relacionamento mexe de tal forma comigo, que me sinto pequena. É como se uma parte de mim não desse certo ou fraquejasse também. Talvez mais atitude, menos ciúme, alguns dos tantos motivos para o fim de um amor, e assim eu sempre sofria junto.

 

E quando o término é iminente, eminente é a minha dor. Eu sinto pelos dois. Há poucos dias foi com uma amiga de quem gosto muito. Confessou-me que o relacionamento estava acabando, não sabia se era crise, uma fase, ou se era mesmo o fim. Eu tinha esperança de que fosse uma crise, mas ela me contradizia com os olhos cheios de lágrimas, balbuciando que era mesmo o fim.

 

Fiquei tão mal, aquele dia. Fiz minhas declarações sobre o que pensava e no final a amiga confessou que foi muito bom desabafar comigo, que já era de grande ajuda. Assim me senti um pouco melhor.

 

Nestas horas nunca sei exatamente o que dizer, porque não tive a experiência de terminar um relacionamento e sofrer com o fim dele. Até já pensei que talvez eu sofresse antecipadamente com cada amiga que terminava o seu ou era uma forma de ficar longe dele também.

 

Na hora do término, sempre falo das coisas positivas da relação e de quanto cada um pode crescer nela. Acho que crescer a dois é uma forma absolutamente difícil, mas ao mesmo tempo incrível; e se o término chega é como todo fim, que chega sempre, como o último dia na praia, de férias, de trabalho, de viagem.

 

Sim, a vida é um eterno término. Terminar é parte da nossa própria condição. Mesmo que para mim essa parte ainda seja difícil, sempre é possível nascer todo dia outra vez.

 


*Angélica Weise é jornalista e pesquisadora de comunicação. Contato: [email protected]

 

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