Superanjos em busca da vida

 

Todo mundo faz um caminho até determinado local e durante esse caminho sempre temos ideias, novas esperanças… Alguns dormem, outros ouvem música, outros estão ao telefone. Cada um seguindo sua vida de alguma forma.

 

Bom, é bem por aí que eu posso começar. Como artista que sou, tenho aquela mania de procurar algo especial em tudo o que vejo. Observo tudo e todos. Faço-me perguntas e fico filosofando sobre a vida. Todos os dias nessa mesma rotina… É, não me canso.

 

Sempre que desço do ônibus, preciso passar em frente do Instituto do Câncer Infantil, que fica na rua do meu trabalho. E faço sempre questão de passar na calçada para ver o que acontece lá dentro. Até porque eu amo crianças, sempre quero bater um papo com elas, brincar, mas não possuo coragem suficiente nem para dizer um “oi”.

 

Aonde eu quero chegar? Não sei, talvez seja só um desabafo. Fico imaginando o quanto nós reclamamos todos os dias, o quanto somos mesquinhos com nossos egoísmos. E, passando na frente do instituto, vejo crianças lindas buscando viver. São cenas felizes, tristes, de alívio.

 

Certa vez, vi uma menina linda. Ela estava bem debilitada e tentava caminhar até a porta do hospital. Como não conseguia, começou a chorar. A mãe, para consolá-la, pegou-a no colo e procurou distraí-la.

 

Num outro dia, descendo a mesma rua, vi outra menina linda, abraçando sua mãe ou tia, com um sorriso de alívio, de amor, de “que bom que eu tenho você”. Era uma cena tão bela e tocante, que eu quis guardá-la em uma caixinha.

 

São guerreiros lindos, são supercrianças, que me fazem ver um novo sentido todos os dias. E a minha única coisa a dizer é: eu poderia abraçar todos vocês juntinhos e não largar mais.


*Emmanuele Calisto é designer e ilustradora.

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