Todo mundo nu na cachoeira

 

Saudações, Henfil e Betinho!

É com consciência turística, e ecológica, que atualizo as últimas tendências da moda brasileira – distante é o tempo em que as pessoas desfilavam com calças bocas de sino e sapatos plataforma – distante é o tempo em que uma sunga, biquíni ou maiô impediam alguém de banhar o corpo (sarado ou não) em águas salobras ou doces.

Boa parte dos políticos do século XXI aderiu ao naturismo; chega de gabinetes úmidos e carpetes repletos de ácaros! O negócio agora é deixar de lado a gravata de seda, o terno italiano e os sapatos de pelica. O negócio agora é esquecer a camuflagem em nome de uma simbiose perfeita com a natureza.

O primeiro homem público flagrado (umas gravaçõezinhas) completamente nu em uma cachoeira foi, vejam bem, um senador da República, reconhecido paladino da moralidade pública, uma espécie de naturismo público. Houve muito protesto – os jornais noticiaram; as emissoras de televisão não tiveram acesso às imagens; e uma revista de nu masculino fez uma proposta, mas parece que o senador não aceitou.

A Polícia Federal e a imprensa às vezes exageram e ferem os direitos individuais das pessoas. Um homem tem o direito de banhar o seu corpinho senador em uma cachoeira. Existe algum mal em sua atitude? É crime ter um contato mais íntimo com a terra, a água e o ar?

Seu gesto de desprendimento serviu como modelo para que outros políticos (e até alguns jornalistas, a moda pega, vejam bem!) aderissem ao banho de cachoeira e a imprensa (uma parte dela, ao menos) continuasse sua campanha terrorista contra atitudes dignas de integrantes do Greenpeace.

Toda nudez será castigada – talvez dissesse Nelson Rodrigues, mas o caso é de um feliz encontro de homens públicos, homens que trabalham com afinco para superar os problemas da educação, saúde e habitação da população brasileira. Por que um banho de cachoeira (ainda que nus) causa tanta polêmica?

Quando os homens públicos tomam leite de vaca e mamam nas tetas do governo, ninguém reclama – já um banho peladinho na cachoeira causa um alvoroço danado. Dizem as más-línguas que a primeira peça de roupa, ou melhor, de caráter que os políticos despiram foi a vergonha na cara. Que gentinha vil.

Parece que nas redes sociais circulam mensagens a favor dos naturistas do Senado – mensagens de aprovação e solidariedade aos peladões. Parece que os jovens do Brasil inteiro pactuaram uma manifestação nacional – o movimento dos bundas-pintadas. Diferentemente dos caras-pintadas (que saíram às ruas para exigir o impeachment daquele presidente-atleta), os bundas-pintadas querem que os políticos renunciem a seus cargos e vivam nus na Amazônia ou no Alasca. Não entendi o porquê do Alasca, mas sei que alguns governadores, deputados, prefeitos, vereadores e senadores farão mais este sacrifício pelo país.

Será?

Jornalirista

 

2 comentários para “Todo mundo nu na cachoeira”

  1. Paula Torella

    Infelizmente tomam o naturismo como uma pouca vergonha, uma depravação, uma pornografia, o que absolutamente não é.
    Talvez seja ótimo mesmo mandá-los para o Alasca, afinal no frio tudo encolhe. Quem sabe a ganância também!

  2. Jose Alves ferreira

    " A satira dos peladões "
    Parabens ! Achei muito interessante e criativa esta satíra dos peladões e o naturalismo da pouca vergonha na cara de quem governam este pais.

    Abraços

    José

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