Um menino com farda de homem

 

Tem gente que abusa da infância e consegue manter o sorriso de menino para sempre. É o caso do Cesar, do Cesão, do Bruno, do marido da Marlene, do pai do Cesinha e do Vinicius – é o caso de quem escolhia os amigos pelo senso de humor e pela alma.

Nos últimos anos convivemos muito e juntos estivemos em Porto Alegre para receber um prêmio. Após as obrigações da premiação, sentamos em uma lanchonete da Rua dos Andradas e, em uma mesa na calçada, brindamos nossas maiores conquistas: nossas mulheres, filhos e um teto para morar.

Depois (no dia seguinte) alugamos dois carros e aceleramos para conhecer as cidades de Gramado e Canela. Só para deixar registrado, é bom que se diga que todos os motoristas de táxi e garçons de Porto Alegre ficaram sabendo sobre o vencedor do prêmio, porque ele fez questão de dizer a todos.

Fomos a muitos lugares juntos e confesso que foi difícil acompanhá-lo porque (como todos sabem) o coração dele não tinha o pedal do freio e assim ele acelerava pelas estradas com sua caminhonete porque tinha pressa de viver e ser feliz.

Se alguém tiver alguma dúvida, basta perguntar à Marlene – sua parceira desde a época em que se encontraram para sempre no “Brito”. É estranho encontrá-la sem o Cesar ao lado… Mas todos sabem da sua dedicação, do seu amor e do companheirismo extremado enquanto o marido esteve enfermo. Todos sabem que, do amor deles, nasceram dois seres humanos admiráveis.

Entre tantas passagens hilárias que envolvem o Cesão, há uma que merece destaque. Havia um circo armado no estacionamento do shopping (próximo à Vila Yara) e nós fomos assistir ao espetáculo. Lá pelas tantas o palhaço convidou algumas pessoas da plateia para tomar parte no número. O Cesinha foi escolhido para ser o suporte de sustentação de uma das cordas do ringue e o Cesão, para ser o desafiante do palhaço em uma luta de boxe. Acho que todo mundo já sabe qual foi o resultado – sempre foi um menino com farda de homem e coração de palhaço.

Na polícia fez até parto – cumpriu seu papel de protetor da sociedade (errou, acertou) e deixou uma história viva a ser contada a outras gerações – deixou um rastro de honestidade dentro e fora da corporação.

Quando meus filhos (seus sobrinhos) eram bem pequenos, ele disse que, se por algum motivo a Mercedes e o Sílvio faltassem – ele criaria as crianças como se fossem seus filhos. E eu pergunto a todos que estão aqui presentes: quem entre vocês criaria os filhos dele como se fossem seus filhos?

Por favor, levantem as mãos.

Familiares e amigos.

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