Uma nova São Luiz

Há uns 12 anos conheci São Luiz do Paraitinga. Meio por obrigação, já que na ocasião ajudava minha mulher em um trabalho para a faculdade de Turismo que ela frequentava. Conheço bem muitas cidades do interior paulista, mas nenhuma é sequer parecida com aquele pequeno município no meio do caminho entre o Vale do Paraíba e o Oceano Atlântico.  

A igreja matriz de São Luiz durante a Festa do Divino de 2009.
O que me chamou a atenção não foi a evidente beleza de sua arquitetura colonial preservada, seus casarões e o charme que as pequenas cidades têm por natureza. Gostei mesmo foi de seu povo, uma gente muito mais ativa que aqueles moradores das outras cidades de interior que conheci ao longo da vida.
O luizense é um ser sociável, amigo e amante das ruas. Nas dezenas de vezes em que lá estive, jamais vi ruas desertas ou qualquer área pública vazia, coisa comum em pequenas cidades, especialmente aos domingos. A praça principal, as ruas do centro, o mercado municipal estão sempre tomados pela sua gente.
Podem estar andando, fazendo compras, conversando ou apenas descansando nos bancos das praças, mas estão sempre ali, presentes. Ocupam as ruas e as enchem de vida e de movimento.
A noite também é amada pelo luizense. Mesmo nos momentos que não coincidem com seu intenso e vasto calendário de eventos, as noites de São Luiz do Paraitinga são vivas, musicais, coloridas.
Evidente que muito dessa cultura sociável de São Luiz é também estimulada por um sem número de forasteiros que adotaram aquela cidade como lar ou como refúgio eventual. São profissionais das comunicações, das artes, dos esportes e de outras tantas áreas que ajudam os luizenses a transformarem a cidade em um polo cultural e turístico dos mais ativos do Estado. Mas acredito mesmo que estes forasteiros foram atraídos pelo espírito único daquele povo.
Maria, minha mulher, e eu ficamos muito tristes em ver aquela bela cidade semidestruída pela reação de fera ferida da natureza. Apesar de distante e de minhas visitas bissextas, aprendi a gostar muito de São Luiz do Paraitinga. E este sentimento me dá a certeza de que esta fúria do rio Paraitinga veio para fazer renascer uma São Luiz ainda mais bela e forte. Tenho certeza de que o povo luizense saberá recolocar no lugar com maestria e carinho cada uma das paredes derrubadas pelas águas.
(Clique aqui para ver uma reportagem da BandNews sobre a destruição de São Luiz do Paraitinga provocada pela enchente no Ano Novo. Oitenta por cento dos 90 prédios da cidade tombados pelo Patrimônio Histórico foram prejudicados. O vídeo contém imagens da queda da igreja matriz.)
É isso que estou certo que verei em pouco tempo: uma São Luiz ainda mais encantadora do que aquela que venho aprendendo a amar cada vez mais.
Força, luizenses!!!
Fotos: Almir Bispo
(Clique aqui para colaborar com a recuperação de São Luiz do Paraitinga.)
(Clique aqui para ler o artigo “São Luiz do Haiti”, de Sílvio Valentin Liorbano)

3 comentários para “Uma nova São Luiz”

  1. Sílvio Valentin Liorbano

    Sílvio Valentin Liorbano

    A saudade
    Carlos,

    Vi algumas pessoas pela televisão e consegui

    ver a beleza do povo de Paraitinga.

    A saudade não é feita de monumentos e paisagens

    A saudade é feita de pessoas.

  2. Juvenal

    Uma velha São Luiz ressurgirá das águas
    A São Luiz do Paraitinga das artes, do artesanato, da música (realmente) popular, das içás de bunda grande e gostosa e do fogado ou afogado resurgirá da vingança da tão vilipendiada mãe-natureza. Ressurgirá com mais força, pois seu povo, tão bem retratado pelo talento do jovem Brazil, não perde ocasião de mostrar sua disposição para fazer o melhor por si e por sua cidade.
    Avante, irmãos!

  3. Andréa

    Doeu demais ver as cnas de destruição causadas pelas chuvas em São Luiz. Mas stou com você, Carlos, e acho que a cidade tem tudo para se reerguer ainda mais forte.

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