Vatapá e caruru, e pitada de estranhamento

 
Oi, pessoal.
Cheguei na madrugada deste sábado, 12 de dezembro, a Luanda, Angola.
Vim pela TAAG, Linhas Aéreas Angolanas, classe econômica. Foi um voo bem tranquilo, que saiu de Guarulhos, SP, por volta das 17h30, e chegou à capital angolana mais ou menos às 5h da manhã, no horário daqui. Luanda está três horas à frente do horário de Brasília.
Apesar da pequena ocupação da aeronave, bem menos da metade dos assentos vendidos, o bagageiro vinha cheio.
As mulheres se desdobravam para empilhar as gordas malas sobre os carrinhos do aeroporto, no desembarque. Eram as mercadorias que compraram (essencialmente roupas) nos tradicionais locais de comércio popular de São Paulo, Brás e rua José Paulino (Bom Retiro). Vão revender por aqui, sacoleiras internacionais.
A sensação é meio de alheamento, ao menos, por enquanto. Eu e mais alguns poucos rosados somos infinita minoria por aqui, em meio à maciça população negra. Como se participasse de uma história da qual só assisto, quase em silêncio.
Angola busca confirmar sua “angolidade”, para desenvolver. A campanha publicitária na rua explicita a vontade oficial: “Orgulho de ser angolano”. A gente já viu esse anúncio no Brasil, não é mesmo?
O país está em paz faz poucos anos, desde 2002, quando a guerra civil que impediu e destruiu se encerrou. Por isso, ainda está quase tudo por fazer aqui.
A Taça de África das Nações, o maior torneio de futebol do continente, que, pela primeira vez, se realiza em solo angolano, tem tudo a ver com isso. É o povo angolano orgulhoso de organizar e abrigar uma competição internacional. Embora exista quem ache o dinheiro muito mal gasto, como a Gisele, do bar Rosa de Porcelana: “Tem gente morrendo por falta de remédios e leitos nos hospitais”. A expectativa de vida em Angola ainda é uma das baixas do mundo, de pouco mais de quarenta anos de idade.
Eu estou numa casa com outros brasileiros, quase todos de Salvador, onde fica a sede da Engenho Novo, que nos contrata. É uma casa grande, com piso claro frio, assobradada, com uma grande laje em cima. Meu quarto é o que dá para a rua, no piso superior.
A chegada não poderia ter sido melhor: tinha um vatapá com caruru delicioso no almoço. Comi como sempre, claro, sem destemor.
O pessoal com quem vou morar é bem divertido, gosta de festa, de beber uma cerveja. E os preços de tudo por aqui são exorbitantes, tudo custa muitos kwanzas, o dinheiro local. “Quem converte não se diverte”, ensinam os veteranos da casa.
Bebi um bom bocado, é mais de meia-noite, estou cansado e já saudoso de vocês aí, no Brasil. Na segunda-feira começa o trabalho de fato, no COCAN, o comitê organizador da Taça de África das Nações. Ainda bem que ainda tem o domingo, tô precisando descansar.
Beijo em todos vocês. Vou contando as novidades.
 

2 comentários para “Vatapá e caruru, e pitada de estranhamento”

  1. Juvenal

    É bom saber
    Que você chegou bem aí em São Paulo de Luanda.
    E que já começou com o pé direito, ao menos na gastronomia: vatapá e caruru! Vixe…
    Aproveite bem o domingo e mande sempre suas matérias criativas e bem humoradas.
    Abraços e beijos do seu amigo, o Juva. E de todos nós por aqui.

  2. Andréa

    Pelo menos no domingo daí não tem Fantástico. Descanse, divirta-se, trabalhe bastante e volte logo.
    Saudades do tamanho da África!

    beijos

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