A Vila, 100, resiste

Há cem anos o futebol renascia. Não em uma grande metrópole, mas em uma cidade pequena, incrustada no litoral brasileiro.

Há cem anos o futebol se preparava para deixar de ser apenas um jogo e virava um grande espetáculo.

Há cem anos os deuses do futebol pregaram uma peça ao mundo, abençoando o solo de um pequeno estádio que, em pouco tempo, se tornaria o templo sagrado de meninos que virariam ídolos e homens que se tornariam lendas.

Explicar o que ali acontece, o que ali se viu acontecer, é desnecessário. Algumas coisas da vida sobrevivem envoltas em um mistério e em uma magia que não exigem uma resposta concreta.

Em tempos de futebol cada vez mais mecânico, movido a milhões de dólares, euros e marketing, vemos o estádio Urbano Caldeira, a vila famosa do Santos Futebol Clube, sobreviver, e, muito mais do que isso, manter o seu encanto.

Em tempos de Arenas e padrões de todos os tipos, a Vila Belmiro chega a cem anos na contramão das obviedades. Contrariando todas as expectativas e mantendo o seu legado de maior celeiro de craques que o mundo já viu.

Todos os amantes do futebol deveriam seguir, assim como os muçulmanos peregrinam até Meca, para assistir a um jogo na Vila Belmiro, pelo menos uma vez na vida. Sentir o clima deste que é o estádio mais emblemático do planeta. Sentar em uma de suas arquibancadas, que misturam ao concreto gols e jogadas de gênios que fazem parte de uma linhagem única, exclusiva e inexplicavelmente perfeita do futebol.

Nesse dia 12 de outubro de 2016, ao completar cem anos, muito mais do que parabéns, eu direi muito obrigado à Vila famosa. Que você continue a ser o berço dos meninos diferenciados, que, formados em seus gramados, transformarão o futebol em arte e encantarão os olhos de todos os amantes deste esporte apaixonante.

Créditos da imagem: photobucket.com/

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