Era gente indo e vindo, fazendo fila no carrinho de sorvete ou no churrasquinho, já tão tradicional em São Paulo. Fila pra pegar o ônibus de graça, fila de carros andando lentamente, mas todos, um a um, cumprindo a missão do dia: assistir a uma partida de futebol. Bem que parecia, mas não era isso, não. O povo estava indo visitar a Bienal Internacional do Livro de São Paulo!
Correria toda para comprar algum exemplar de lançamento? Pegar autógrafo de algum autor? Poderia ser também para participar de uma das tantas palestras, mesas de bate-papo ao vivo, encontros de educadores, escritores, blogueiros e tuiteiros, ou contações de histórias com marionetes ou atores reais.
Teve quem visse pela primeira vez algo que era coisa do futuro, mas já está nas bancas: o livro digital... Eu morria de medo disso, mas confesso que gostei muito da novidade. Fisicamente, ele parece um MP4 do tamanho de um livro médio; as funções são praticamente as mesmas, em vez de acessar música, o leitor acessa o livro, página por página, com seus textos e ilustrações. Ele grifa quando quiser, faz anotações, marca onde parou a leitura etc. Porém, não dá para dobrar a orelha, não dá para folhear, não dá para... evitar sua chegada e que os novos leitores o prefiram numa geração bem próxima.
Quem me mostrou o Cool-er (cool, algo legal em inglês, juntamente com ler em português, ou uma leitura legal, originou o nome daquele tipo de periférico que vi na feira) foi o Daniel, um funcionário da empresa Itapemirim, que atua num projeto que transformou o ônibus em uma Biblioteca Móvel. Ele viaja por todo o país e fica em média três semanas em cada cidade.
Hábito
O bacana, segundo ele, é que a pessoa não entra ali para ler um livro inteiro, mas para se aproximar do livro, conhecer a variedade, geralmente perguntam sobre a biblioteca local e dizem que vão passar a frequentá-la, pois adoram livros. Então, por que não leem?! Hábito, minha gente, tudo é questão de hábito.
E ainda sobre os livros digitais, perguntei ao Daniel se a novidade está agradando, ele disse que sim, mas que as pessoas olham, até acham interessante, mas preferem ainda o livro tradicional. As crianças, familiarizadas com as novas tecnologias, se divertem mesmo com o livro impresso. Ufa, no fundo me deu certo alívio ouvir isso!
E adianta discutir o assunto? Talvez o mais importante seja a leitura em si; em papel impresso ou em meio digital, o conteúdo estará presente e isso é fato. O “como” sinceramente não me incomoda. Assim como não me incomoda mais pensar nas tecnologias que terei dificuldade em acessar no futuro, pois nesta feira percebi que elas já existem e é delas que tenho que correr atrás.
Tem tanto recurso disponível, que mal aceito um e já vem outro! Mal descubro e passo a conhecer um, e lá vem o próximo! Ou a pessoa pira de vez ou busca se informar, observa o cara do lado que entende do assunto, pergunta, conversa, pesquisa e assim vai.
Fazemos parte de uma geração que teve o privilégio de ver um grande salto na tecnologia e nas relações interpessoais. Sim, pois não apenas muda como a comunicação se dá, mas também a forma como nos comportamos e nos expressamos por meio dela.
Há quem seja totalmente equipado com a mais alta tecnologia, sem ter o que dizer ao outro! Como ainda há o que deseja gritar aos quatro ventos mas ainda não achou a ferramenta certa pra isso.
E assim vamos nos adaptando a uma nova era cultural. E já prevendo que ela logo poderá mudar de novo. Espero que não mude o hábito de ler, falar e ouvir, olhar nos olhos, quem sabe até melhore a observação sobre o que diz o brilho nos olhos do outro! E que cada um saiba o momento de se retirar, ficar quieto, isolado, refletindo, buscando coisas diferentes, e saiba também a hora de dar um off na máquina e voltar a se relacionar com pessoas ao vivo.
Foi o que fizeram aqueles milhares de pessoas formadoras da grande muvuca em frente ao Anhembi, durante os dias da Bienal. Fico feliz em ver com isso o fomento da cultura, da leitura, da educação, a busca pelo novo, o encontro de pessoas que me fazem acreditar num país melhor.
Termino com uma provocação a você, que preferiu ficar em casa e saber tudo pela internet: tem ideia do evento-monstro que perdeu??? Tá bem, tá bem, aquela muvuca toda não é pra qualquer um, não, haja paciência!
A gente se vê na próxima.
Beijos,
Talita
Bienal: clique aqui e leia também “@relacionamento”, um dos temas em debate.
Eu acredito que o
tal livro digital é bacana... e pra publicos diferentes. Não como dizer q o
texto digital, na telinha nao seja importante. A maior parte da ciencia ja esta
em pdfs e htmls... e isso é bom, pq facilita muito as pesquisas.
A leitura
como diversão e introspecção ainda vai exigir materia, material bem acabado,
bem produzido etc... isso garante mais sensações alem da leitura...
O livro
permanece, conquista mais publicos e mais leitores...
Continuem escrevendo e
eu leio... hehe
lados da moeda. Relamente é um assunto que praticamente já se enquadra em
"polêmico", existem os amantes fiéis o livro encadernado, mas acredito
que isso é coisa para ser desmamada aos poucos. Por um lado, eu prefiro ler
textos em meu smartphone, quando não tenho condições de segurar um livro
pesado nos metrôs da vida... por outro, é um pouco incômodo ler com aquele
brilho da tela depois de um dia inteiro de trabalho, sem falar que o tão
cobiçado ipad tem um reflexo em sua tela que atrapalha em situações em que a
luz varia. Enfim, tem gosto e necessidade pra tudo!
desta
nova geração, a tecnologia sofre mudanças (upgrade) a cada segundo, e
o tempo
para absorver tamanho conhecimento se torna um desafio para não
ficar
desatualizado de tudo que aparece neste mundo cibernetico. Porém,o
verdadeiro
desafio, alem de superar as barreiras do "conhecer" a
tecnologia, a
maioria da população talvez se depare com uma maior, que
paradoxalmente, é a
ferramenta mais importante para ter sucesso e conceguir
acompanhar, pelo menos,
em parte razoavel, todo esse conhecimento; o HABITO DE
LER.
"modernizarem"... Pra mim, sendo tradutora, o simples fato de estar tudo
numa clique, numa "tela de computador" facilita minha vida e o fato de
ter algo menos "pesado" que livros e livros na mochila.... ufa! Um
alívio. Os livros pesados ficam em casa :). Parabéns Talita!!!
texto...
Falando nisso, ainda mais com a minha formação em engenharia,
portanto um cara de "exatas", não posso deixar de comentar que a
tecnologia chegou e nunca mais irá embora, é inevitável, portanto acho que o
mais importante é absorvermos todo tipo de informação, não importa como ela
seja disponibilizada. Prefiro uma criança se divertindo e obtendo cultura
"eletronicamente", do que sem informação, só por causa da falta de
interesse da "embalagem"...
"muvuca". Que pena. O tempo está curto mas valeu por passar
informações muito legais.
Obrigada
Muito Sucess!!!!!!
boas do tempo em que trabalhei por lá para diversas editoras, lembro bem dessa
tal muvuca que você comentou no texto, no meu caso eu senti na pele o que é
montar, desmontar, vender, atender e dedicar o meu tempo para mostrar as
novidades de cada editora. É realmente um mundo muito interessante esse dos
livros eu só tenho a dizer que adoro tudo isso. Parabéns pelo texto que como
sempre está muito bem detalhado. Sucesso.
Parabéns pelo texto ! Muito legal !
Confesso que eu tb tenho uma
certa resistência ao livro digital... mas ao ver as crianças se relacionando
tao bem com essa nova tecnologia vejo que é mesmo uma questão cultural, de
pré-conceito, não é?
Beijo e sucesso !
Sergio.
Super legal TaTa !!!
Definitivamente uma "uma nova era", e que
seja BEM VINDA!
Adorei o texto, muito orgulhosa de voce!
Estou com vc!! Para aqueles que não estão acostumados, realmente a
leitura é questâo de hábito !! E só dar o primeiro passo!!!
Sucesso, o
texto é delicioso!!!!
Conte com minha torcida!!! Parabéns!!
Beijos
