A poesia queria ser parnasiana

A poesia queria ser parnasiana

e enfeitar o parapeito do morador desta retina

Fina, queria-se risonha, violeta, santa

A poesia queria flanar por cima das coisas

mas foi atirada do oitavo andar pela madrasta

A poesia travestiu-se e por isso foi espancada

(assassinada!)

Foi apedrejada por vestir branco

A poesia foi envenenada

ao ler comentários de cães raivosos

 

Querem jogar a poesia no fundo de uma cela

antes de alimentá-la e deixá-la respirar

(a poesia queria empinar pipa)

Queria fazer fogueira na praça

dançar jongo

mas o jongo foi expulso

E a praça demolida

(agora será lugar de um prédio alto padrão)

 

A poesia queria brincar

mas pou, pou, pou!

O camburão levou mais um amigo da poesia.

 

A poesia queria ser só poesia

mas não consegue mais se equilibrar em cima do muro

A poesia não queria, mas agora esmurra.

 

Fonte da foto: Ygor Marotta (veja mais aqui)

Um comentário para “A poesia queria ser parnasiana”

  1. Germano Gonçalves Arrudas

    Germano Gonçalves Arrudas

    Poesia pela poesia, ainda assim ficou livre, gostei da poesia valeu!

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