Algumas lições sobre a paz

Em diferentes épocas da história da civilização, o homem tem ensinado lições extremamente duras às crianças. Seja na Índia, seja em Soweto (África do Sul), seja no gueto de Varsóvia (Polônia), seja nos campos de concentração nazistas, na Bósnia, Timor Leste e eternamente em Israel, Iraque e Palestina.

Em Israel e na Palestina, as escolas estão vazias e os cemitérios, repletos. Os hospitais, as ruas, as casas e o coração das pessoas que deveriam zelar pelos pequenos são verdadeiros sepulcros.

A ideia de colonizar, escravizar e de alguma forma fazer mal ao outro parece estar acima de tudo que os profetas ensinaram e muito distante dos ensinamentos difundidos por todas as religiões.

Em todos os continentes do planeta, os homens usam uma oratória pífia sobre quão essencial é repassar, às novas gerações, valores éticos, mas, na prática, o que se vê é uma vocação estúpida de interromper o fluxo do sangue, o curso de um rio, a corrida dos cavalos selvagens sobre a planície, a dança de todas as tribos, o voo do colibri ao encontro da flor, a caminhada das crianças em direção à escola.

Que expressão devemos usar para nos referir às pessoas que atiram contra crianças em suas casas? Que espécie de gente faz de asilos e orfanatos o seu alvo?

O homem já demonstrou sua capacidade de extermínio em Hiroshima e Nagasaki e quem sabe seja o momento de mostrar sua capacidade de descobrir a cura da moléstia mais nociva de que se tem conhecimento: a guerra.

Quando todas as crianças forem dizimadas e os soldados todos sucumbirem, é provável que o Conselho de Segurança da ONU consiga convencer os generais e todos os responsáveis pela matança de que é necessário algum tempo de trégua, tempo suficiente para que outras crianças nasçam e antigas lições de guerra sejam ensinadas aos futuros exércitos.

Talvez um lápis na mão de uma criança seja um instrumento mais útil que uma baioneta. Talvez um poeta seja mais perigoso que um soldado.

Quem não tem olhos e ouvidos para a dor alheia que não assista ao noticiário da televisão. A imagem traz um menino que sangra no colo do pai e pede inutilmente que o bombardeio cesse.

A impressão que fica é a de uma guerra travada entre o mundo adulto (que atira, violenta, enclausura, abandona em latas de lixo) e a infância que morre de fome, de Aids, de espancamento ou atirada pela janela de um prédio.

Deve haver um motivo muito importante para que tantas crianças (no mundo inteiro) sejam massacradas ou transformadas em algozes de outras crianças.

Quem sabe as escolas sejam reconstruídas e os homens sejam sábios a ponto de sentar nos bancos escolares e aprender com crianças israelenses e palestinas algumas lições sobre a paz.

4 comentários para “Algumas lições sobre a paz”

  1. Sílvio Valentin Liorbano

    Sílvio Valentin Liorbano

    Ao meus queridos amigos
    Regina querida, saudades de você. Fernanda minha linda. Felicidades para todos.

  2. Irmã Regina Célia

    Silvio, quantas recordações, quanta saudade…
    Estudamos juntos e hoje lembrei-me de vc e te procurei na Paulinas e navegando cheguei aqui, gostaria muito de parabenizar o don que desde a faculdade, no ônibus de volta pra casa vc fazia aflorar recitando pra mim suas poesias, lembra? Como vale a pena se lançar, digo isso por mim tbém, hoje sou religiosa e esta foi a melhor escolha que fiz, vamos partilhar o que aconteceu da FIEO até aqui.

    Fica com Deus,
    com carinho
    Ir. Regina

  3. Fernanda Asnar

    Tudo que é escrito através de suas mãos, parece que se torna muito mais intenso. Difícil não emocionar.

    Um abraço ao meu grande poeta!!

  4. Luiza e Mariana

    Nossa professor, o texto está muito bom.
    Você escreve muito bem e com muita clareza. Você consegue expressar em palavras tudo o que está sentindo, sem estar vivenciando. Parabéns =)
    Beeijos

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